Relembre caso onde fake news causou linchamento e morte de Fabiane Maria de Jesus no Guarujá

Redação
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Relembre caso onde fake news causou linchamento e morte de Fabiane Maria de Jesus no Guarujá

Fabiane Maria de Jesus, uma dona de casa de 33 anos, foi brutalmente linchada por moradores em Morrinhos, no Guarujá, litoral de São Paulo, há 12 anos. O crime ocorreu em maio de 2014, motivado por uma notícia falsa divulgada em rede social que a confundiu com uma suposta sequestradora de crianças. Ela foi amarrada e agredida, vindo a falecer dois dias depois no hospital devido aos ferimentos. Este episódio é reconhecido como um dos primeiros casos fatais decorrentes diretamente da propagação de fake news no Brasil.

A história trágica de Fabiane é recontada no quarto episódio da série “História do Crime”, disponível no GloboPop. A iniciativa visa relembrar a gravidade da desinformação e suas consequências reais. O caso de Fabiane Maria de Jesus permanece como um alerta sobre os perigos das publicações não verificadas.

Boato em rede social antecedeu crime

A notícia falsa que culminou no linchamento de Fabiane Maria de Jesus teve origem em uma página do Facebook. O perfil “Guarujá Alerta” postou um retrato falado alegando ser de uma suposta sequestradora de crianças. A imagem acompanhava o boato de que a mulher raptava menores para rituais de magia negra em São Paulo.

O proprietário da página admitiu, em depoimento posterior, ter removido a publicação cerca de duas horas após o ocorrido. Ele declarou que a ação se deu por perceber que a informação era falsa. Contudo, o boato já havia se espalhado rapidamente pela comunidade de Morrinhos, no Guarujá, alimentando a revolta popular.

  • Um retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças.
  • Acusações de raptos para rituais de magia negra.
  • A circulação intensa em redes sociais sem qualquer verificação.
  • A rápida adesão e crença da população local.

A assessoria da Polícia Civil confirmou que o retrato falado divulgado era, na verdade, de um inquérito de 2012. A imagem foi criada por peritos da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e apurava uma tentativa de sequestro de um bebê em Ramos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A descontextualização da imagem foi crucial para a tragédia.

Fabiane Maria
Fabiane Maria – Reprodução/Arquivo Pessoal

Sequência dos fatos que levaram ao linchamento

No dia 3 de maio de 2014, Fabiane Maria de Jesus saiu de sua casa no bairro Morrinhos. Ela seguia de bicicleta para a igreja que frequentava para buscar uma bíblia que havia esquecido. Seu plano era ir depois para a casa de um parente.

Contudo, no caminho, Fabiane foi interceptada por um grupo de moradores. Eles a acusaram de ser a mulher do retrato falado, a suposta sequestradora. Sem tempo ou oportunidade de se defender das acusações infundadas, a dona de casa foi brutalmente agredida. O grupo a espancou, arrastou-a pelas ruas do bairro e a torturou. Dezenas de pessoas assistiram ao ato de violência.

As agressões ocorreram à luz do dia, diante de uma multidão. Imagens do linchamento, capturadas por populares, circularam intensamente nas redes sociais. Essas gravações viriam a ser cruciais para a investigação policial subsequente, permitindo a identificação dos agressores.

Morte de Fabiane Maria de Jesus confirmada no hospital

A polícia interveio e socorreu Fabiane Maria de Jesus, que foi levada ao Hospital Santo Amaro, também no Guarujá. Ela foi internada em estado crítico, com traumatismo craniano grave, decorrente das agressões sofridas. Sua condição era extremamente delicada, exigindo cuidados intensivos.

Apesar dos esforços médicos, Fabiane não resistiu aos ferimentos. Ela faleceu dois dias depois do linchamento, em 5 de maio de 2014. A morte chocou a comunidade e o país, expondo a face mais brutal da violência coletiva impulsionada pela desinformação.

Fabiane era casada e mãe de duas filhas pequenas, uma de 12 anos e outra de apenas um ano de idade. Sua morte deixou a família em luto profundo e despertou um debate nacional sobre os perigos das notícias falsas e a responsabilidade social na internet. O caso trouxe à tona a urgência de combater a propagação de boatos.

Polícia identifica envolvidos e investiga origem do boato

As imagens do linchamento, que se espalharam rapidamente pelas redes sociais, foram essenciais para a investigação. A polícia conseguiu identificar alguns dos principais agressores de Fabiane Maria de Jesus a partir desses vídeos e fotos. A apuração buscou responsabilizar os envolvidos na violência.

O delegado da Polícia Civil, Luiz Ricardo Lara, comentou o caso em entrevista ao Fantástico em outubro de 2022. Ele destacou a singularidade do evento, afirmando que “foi o primeiro evento com resultado morte envolvendo a publicação de uma notícia falsa”. Essa declaração sublinha a gravidade e o ineditismo do crime na época.

A série “História do Crime” é uma iniciativa que revisita episódios marcantes da criminalidade brasileira. O caso de Fabiane Maria de Jesus foi escolhido para ilustrar o impacto devastador das fake news na vida real das pessoas. O conteúdo está disponível no GloboPop, aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, para conscientizar sobre os riscos da desinformação.

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