Um serralheiro de 28 anos morreu na tarde de domingo durante a montagem do palco para o show da cantora Shakira na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Gabriel de Jesus Firmino ficou prensado entre dois elevadores de serviço. Ele trabalhava na instalação da estrutura e chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O caso foi registrado na 12ª DP, em Copacabana. A Polícia Civil fez nova perícia no local nesta segunda-feira.
A organização do evento suspendeu temporariamente os trabalhos no canteiro por causa da inspeção. A paralisação não comprometeu o cronograma geral, segundo a produtora. A montagem foi liberada após a conclusão da ação policial. O show gratuito está marcado para o próximo sábado, dia 2 de maio, como parte do projeto Todo Mundo no Rio.
Perícia busca esclarecer sequência do acidente
A nova perícia no palco ocorreu na manhã desta segunda-feira. Equipes técnicas da Polícia Civil analisaram o sistema de elevadores onde Gabriel atuava. O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP, acompanhou os trabalhos. Ele detalhou que o serralheiro soldava uma peça no equipamento no momento do incidente. Um elevador estava na posição baixa e outro na alta. Gabriel teria dado comando para baixar o segundo equipamento.
O resultado preliminar da inspeção deve sair em até 30 dias. A investigação apura se houve falha na segurança do trabalho. A polícia verifica o posicionamento dos operadores e o cumprimento de normas de prevenção de acidentes. Até o momento, apenas o representante da empresa contratada foi ouvido.

Detalhes da operação dos elevadores levantam dúvidas
Gabriel de Jesus Firmino prestava serviço para a MG Coutinho Serviços Cenográficos, empresa responsável pelos elevadores. Ele operava o equipamento por dentro quando deveria estar do lado de fora, segundo o delegado. O funcionário que acionou o movimento estava a cerca de 25 metros de distância. O procedimento recomendaria proximidade maior para monitoramento direto.
- O serralheiro soldava uma peça no elevador em posição intermediária
- Um dos equipamentos permanecia baixo e o outro alto antes da manobra
- O comando para descida foi dado enquanto Gabriel ainda estava entre as estruturas
- O operador do painel de controle não tinha visão direta do ponto de risco
- A empresa contratada montava quatro elevadores no total para o palco principal
A 12ª DP coleta depoimentos de testemunhas que estavam no local. A polícia também pretende ouvir o proprietário da empresa e o responsável técnico pela obra.
Socorro foi imediato, mas ferimentos foram graves
Funcionários da brigada de incêndio do evento prestaram os primeiros atendimentos. Eles retiraram Gabriel do equipamento com ajuda de outros trabalhadores. O Corpo de Bombeiros foi acionado em seguida. Militares da ambulância do 3º Grupamento Marítimo iniciaram o atendimento pré-hospitalar ainda na areia da praia.
A vítima foi levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Apesar dos esforços médicos, o óbito foi constatado. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal. Gabriel morava em Magé, na Baixada Fluminense. Até o fechamento desta reportagem, não havia detalhes sobre velório e enterro.
Investigação pode apontar para homicídio culposo
A polícia trata o caso inicialmente como acidente de trabalho. Se ficarem comprovadas negligência, imprudência ou imperícia, os responsáveis podem responder por homicídio culposo. O delegado afirmou que a apuração ainda está no início e exige análise técnica detalhada. Sócios da empresa podem ser responsabilizados caso não tenham garantido condições adequadas de segurança.
O inquérito vai ouvir mais testemunhas e analisar documentos da obra. Se nenhum crime for caracterizado, a ocorrência será mantida como acidente laboral sem responsabilidade criminal. A investigação busca determinar exatamente o que provocou o esmagamento dos membros inferiores de Gabriel.
Notas oficiais lamentam o ocorrido e confirmam apoio
A Bonus Track, organizadora do evento, emitiu nota de pesar. A produtora informou que prestou socorro imediato e acionou o Corpo de Bombeiros. A empresa disse que oferece apoio à contratada, à equipe e aos familiares da vítima. A montagem segue dentro do prazo previsto.
A Polícia Civil confirmou o registro do caso na 12ª DP e o acionamento da perícia. O Corpo de Bombeiros detalhou o atendimento à vítima com esmagamento de membros inferiores. A Polícia Militar informou que equipes do 19º BPM apoiaram a ocorrência na Avenida Atlântica, altura do Posto 3.
A montagem do palco para o show de Shakira em Copacabana continua após a liberação da área. O evento gratuito deve reunir grande público na orla carioca no próximo fim de semana.


