
Amanda Maria Souza de Oliveira – Arquivo Pessoal
A acusada de se passar por uma criança de 12 anos na cidade de Joinville, localizada na região Norte de Santa Catarina, atingiu a idade de 38 anos nesta quarta-feira enquanto permanecia detida. A ré, cujo nascimento ocorreu no dia 10 de junho de 1988, teve a denúncia criminal formulada pelo Ministério Público aceita pelo Poder Judiciário na última terça-feira, passando a responder formalmente pelas condutas de estelionato e falsa identidade.
O Poder Judiciário catarinense determinou a realização de uma perícia médica para avaliar a integridade psicológica da ré, procedimento que ficou agendado para ocorrer no dia 26 de junho. O Ministério Público de Santa Catarina acusa formalmente a mulher pelo crime de estelionato em razão dos prejuízos financeiros causados, enquanto investigações anteriores apontam que a mesma suspeita já efetuou fraudes semelhantes no estado do Rio de Janeiro utilizando narrativas associadas a rituais religiosos.
O episódio alcançou visibilidade pública depois que as investigações apontaram que a mulher residiu por aproximadamente 14 meses junto a um núcleo familiar que a recebeu sob a crença de se tratar de uma adoção. O esquema criminoso foi interrompido no dia 2 de junho, momento em que ocorreu a captura em flagrante no próprio domicílio dos afetados. Perante a autoridade policial, a presa confirmou a autoria de fraudes idênticas executadas em Curitiba, Nova Iguaçu e em municípios situados nos territórios de Minas Gerais, Goiás e Ceará.
Como a acusada conquistou a confiança da família
O contato inicial com os moradores da residência foi intermediado por uma liderança religiosa de uma denominação local, conforme apontam os registros do inquérito da Polícia Civil. No primeiro momento, a suspeita utilizou o nome fictício de Gabriele e declarou possuir 18 anos de idade, manifestando interesse em obter uma colocação profissional e alegando conhecimentos práticos na confecção de produtos de panificação.
No decorrer da convivência, a mulher começou a relatar diagnósticos médicos severos e severas restrições orçamentárias, o que mobilizou o suporte emocional e financeiro das vítimas. Após consolidar o vínculo afetivo dentro do ambiente doméstico, a investigada modificou o relato inicial, sustentando que sua idade real era de 11 anos e que teria sofrido episódios recorrentes de violência em seu histórico familiar.
Comovidos pelas declarações, os proprietários do imóvel decidiram abrigar a suspeita em caráter definitivo na estrutura familiar. Os moradores chegaram a organizar uma festa de aniversário para celebrar a entrada da suposta criança nos 12 anos de idade, além de subsidiarem financeiramente terapias médicas focadas em perda de peso por meio da aquisição do fármaco de alto custo Mounjaro.
Os primeiros indícios de fraude foram identificados somente nos últimos dias do mês de maio, quando uma parente colateral da família efetuou pesquisas em plataformas digitais e localizou conteúdos jornalísticos sobre crimes correlatos vinculados à identidade da acusada em outras unidades da federação. A descoberta motivou o acionamento imediato dos órgãos de segurança pública, culminando na detenção e no posterior início do processo de natureza penal.




