Foto: Maria Clara Aguirre Lisboa, de cinco anos, foi encontrada morta – Reprodução/Rede Sociais
O laudo necroscópico da menina Maria Clara Aguirre Lisboa, de cinco anos, apontou que a criança morreu por asfixia mecânica por soterramento em Itapetininga, no interior de São Paulo. O documento, obtido com exclusividade pela TV TEM, indica que havia terra na traqueia da vítima, sugerindo que ela ainda respirava quando foi enterrada viva no quintal da casa onde vivia.
O exame também identificou traumatismo craniano, compatível com agressões anteriores à ocultação do corpo. A mãe, Luiza Aguirre Barbosa da Silva, e o padrasto, Rodrigo Ribeiro Machado, ambos presos, confessaram o crime e devem responder por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A Justiça marcou para 19 de maio a audiência de instrução que definirá se o casal será julgado pelo Júri Popular.
Descoberta do corpo e primeiras investigações
Maria Clara foi encontrada morta no dia 14 de outubro de 2025. O corpo dela estava enterrado em uma cova rasa e concretada no fundo do quintal da residência onde a criança vivia com os suspeitos. De acordo com a perícia, o corpo estava enterrado havia cerca de 20 dias, ou seja, no fim de setembro. A investigação aponta que o casal ocultou o corpo dois dias após o crime.
No início de outubro, a avó paterna de Maria Clara procurou o Conselho Tutelar para denunciar o desaparecimento da neta. O órgão já acompanhava o caso da mãe desde um episódio anterior de ameaça feita pelo padrasto alguns meses antes do sumiço da criança. Conforme o boletim de ocorrência registrado pelo Conselho Tutelar, não havia contato com a mãe desde agosto.
O desaparecimento foi formalizado na Polícia Civil no dia 8 de outubro. Após denúncia e diligências, a Polícia Civil localizou o corpo de Maria Clara em uma cova rasa, já em estado avançado de decomposição, no dia 14 de outubro. A menina apresentava sinais de lesões provocadas por instrumento contundente, possivelmente uma ferramenta. Os investigadores encontraram evidências que indicavam que o corpo havia sido submetido a agressão física antes do soterramento.

Confissão dos suspeitos e cronologia do crime
No mesmo dia da descoberta, Luiza Aguirre Barbosa da Silva e Rodrigo Ribeiro Machado foram localizados pela polícia. Durante o interrogatório, confessaram o crime. Segundo a polícia, eles admitiram ter matado a menina e concretado o corpo para esconder o crime. A confissão foi fundamental para esclarecer os detalhes do desaparecimento e confirmou as suspeitas dos investigadores sobre o local onde a criança havia sido enterrada.
No dia 15 de outubro, foi divulgado um áudio que o padrasto enviou ao pai da criança. Na mensagem, ele dizendo que a menina estava morta e que isso acabaria o vínculo dele com a mãe. Ainda na gravação, o suspeito pede ao pai que pare de “encher o saco” dele e da mãe da criança. De acordo com a avó da vítima, a gravação foi enviada duas semanas antes da descoberta do corpo, o que sugere que ele pode ter mentido sobre a data exata dos eventos ou que estava ameaçando o pai biológico com conhecimento prévio do crime.
Ainda no dia 15, após audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão preventiva de ambos. Luiza foi transferida para a cadeia de Votorantim (SP) e Rodrigo foi encaminhado para Capão Bonito (SP). Os dois permanecem encarcerados aguardando julgamento. As acusações formais incluem homicídio qualificado e ocultação de cadáver, crimes de natureza grave que resultam em penas significativas no código penal brasileiro.
Histórico de agressões e contexto do crime
Segundo o delegado Franco Augusto, responsável pelo caso, a menina de cinco anos sofria agressões frequentes da mãe e do padrasto. O padrasto já tinha histórico criminal e, conforme o delegado, torturava psicologicamente a criança e a mãe dela, utilizando Maria Clara como forma de pressão. Além das agressões psicológicas, ele agredia a criança fisicamente de forma recorrente.
O comportamento abusivo do padrasto foi documentado em registros anteriores ao desaparecimento. O Conselho Tutelar havia sido acionado em ocasiões anteriores por conta de ameaças proferidas pelo suspeito. A instituição mantinha um acompanhamento do caso da mãe, indicando que havia preocupações sobre o bem-estar da criança bem antes de seu desaparecimento ser formalizado. O sistema de proteção à infância, apesar dos alertas, não conseguiu evitar a tragédia.
Sepultamento e encerramento da etapa inicial
Na tarde do dia 15 de outubro, Maria Clara foi sepultada. O corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição, o que impediu a realização de velório. O sepultamento ocorreu no Cemitério Colina da Paz, e somente familiares do pai biológico acompanharam a cerimônia. A família enfrentou o luto acelerado, sem a possibilidade de um adeus formal devido ao estado do corpo após semanas enterrado no quintal.
A morte de Maria Clara despertou discussões sobre a efetividade dos mecanismos de proteção à criança e adolescente no Brasil. O caso evidencia falhas no monitoramento de crianças em situação de risco, apesar da intervenção de órgãos competentes como o Conselho Tutelar. Especialistas apontam a necessidade de melhor comunicação entre instituições de proteção, polícia e justiça para evitar casos semelhantes.
Próximos passos judiciais
A audiência de instrução marcada para 19 de maio será decisiva na trajetória do processo. Nela, serão apresentadas as evidências coletadas, os depoimentos de testemunhas e, possivelmente, os próprios acusados terão oportunidade de falar. O juiz responsável determinará se há fundamento para remeter o caso ao Júri Popular, onde um conselho de cidadãos decidirá sobre a culpabilidade do casal.
A defesa dos acusados tem direito a apresentar suas argumentações e contestar as evidências. Apesar da confissão inicial, o processo seguirá todos os trâmites legais garantidos pela constituição brasileira. A investigação continua em andamento para esclarecer todos os pormenores do crime.
Características do laudo necroscópico
O documento que aponta a morte por asfixia mecânica por soterramento é resultado de análise minuciosa realizada pelos peritos do Instituto Médico Legal. A presença de terra na traqueia é um indicador específico de que a criança estava viva durante o enterramento. Esse achado é crucial para a qualificação do crime e pode influenciar a sentença a ser proferida pelo tribunal.
- Terra encontrada na traqueia da vítima
- Traumatismo craniano indicando agressões anteriores
- Corpo enterrado há aproximadamente 20 dias
- Estado avançado de decomposição no momento da descoberta
- Evidências de lesões por instrumento contundente
- Análise forense compatível com confissão dos acusados
O laudo necroscópico será peça fundamental no julgamento. Ele fornece base científica para as acusações e ajuda a esclarecer a sequência de eventos que levou à morte da criança. Os peritos do IML também analisaram a compatibilidade das feridas com os instrumentos encontrados no local, reforçando as evidências contra o casal.


