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Goiás

Quem era o ditador sírio que fugiu para o Brasil e foi morto no interior de Goiás? Conheça

Redação
Atualizado em 4 de setembro de 2026 12:11
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Sobre o tema envolvendo interior de Goiás, além disso, pouca gente sabe, mas uma das histórias mais curiosas envolvendo Goiás tem como protagonista um ex-presidente da Síria. Dessa forma, após ser derrubado do poder por um golpe militar, o ditador Adib Shishakli encontrou refúgio no interior goiano, onde viveu como fazendeiro por cerca de quatro anos. A aparente tranquilidade, porém, terminou de forma trágica em 27 de setembro de 1964, quando ele foi assassinado na ponte que liga Ceres a Rialma, em um crime motivado por vingança política que ganhou repercussão internacional.

➡️ Estudioso da Unicamp revela qual é o lugar mais antigo de Goiás: “Nunca aceitaram” Vale ressaltar que os aspectos relacionados a interior de Goiás continuam sendo acompanhados com atenção.

Quem foi Adib Shishakli?

Adib Bin Hassan Al-Shishakli nasceu em Hama, na Síria, em 1909, e fez carreira nas Forças Armadas. Com isso, após participar de sucessivos golpes militares, tornou-se presidente do país entre 1953 e 1954, governando sob um regime autoritário. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de interior de Goiás nos últimos dias.

Nesse sentido, durante seu governo, perseguiu adversários políticos e ordenou uma ofensiva militar contra a região de Jabal al-Druze, onde vivia cerca de 90% da população drusa do mundo. Portanto, aproximadamente 10 mil soldados foram enviados para a região, que sofreu bombardeios de artilharia pesada. Em seguida, O conflito deixou dezenas de mortos, entre eles grávidas e crianças, além da destruição de diversas cidades. Especialistas destacam que novas atualizações sobre interior de Goiás devem surgir em breve.

De acordo com as apurações, em 1954, Shishakli foi deposto por um novo golpe militar. Por outro lado, depois de passar pelo Líbano, França e Suíça, deixou o Oriente Médio após ameaças de morte de integrantes da comunidade drusa. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a interior de Goiás continuam sendo acompanhados com atenção.

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A nova vida no interior de Goiás

Vale destacar que O destino escolhido foi o Brasil. Sendo assim, shishakli se estabeleceu em Ceres, município a cerca de 179 quilômetros de Goiânia, onde comprou uma fazenda, passou a cultivar arroz e abriu uma loja de secos e molhados na Avenida Bernardo Sayão, principal via da cidade.

Além disso, em Ceres, o ditador assassinado em Goiás viveu ao lado da esposa e dos dois filhos. Dessa forma, A intenção era levar uma vida discreta e distante da política.

Adib Shishakli morto por jovem que buscava vingança Quem foi o ditador sírio que fugiu para o Brasil e foi assassinado no interior de Goiás?
Adib Shishakli com a esposa e a filha caçula em Ceres – Foto: Reprodução TJGO

Em 1962, porém, uma reportagem da revista O Cruzeiro, então a publicação de maior circulação do país, revelou seu paradeiro. Com isso, na entrevista, o ex-ditador afirmou que buscava apenas viver em paz, mas a exposição acabou chamando atenção de antigos desafetos.

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O plano de vingança

Portanto, na década de 1960, o Brasil abrigava cerca de 30 mil drusos, principalmente em Goiás e Minas Gerais. Em seguida, entre eles estava Nawaf Ben Youssef Ghazaleh, um sírio que vivia em Taguatinga (DF), trabalhava como ambulante e havia sido pugilista.

Druso, Nawaf afirmava ter perdido familiares durante a ofensiva militar comandada por Shishakli na Síria. Ao descobrir, por meio da reportagem de O Cruzeiro, que o ex-presidente morava em Goiás, decidiu viajar até Ceres para se vingar.

Ele chegou à cidade em 24 de setembro de 1964 e passou três dias levantando informações sobre a rotina do ex-ditador. Descobriu que, aos domingos, Shishakli costumava visitar amigos em Rialma e retornava a pé pela ponte que liga os dois municípios.

O assassinato na ponte entre Ceres e Rialma

Na tarde de 27 de setembro de 1964, Nawaf aguardou a passagem de Shishakli próximo à ponte. Vestia uma blusa de lã preta, calça cinza, óculos escuros e carregava uma pequena pasta onde escondia um revólver Taurus calibre 38.

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Segundo testemunhas, antes dos disparos os dois conversaram rapidamente em árabe. Quando Nawaf sacou a arma e atingiu Shishakli, o ditador tentou correr, mas caiu. O atirador então se aproximou e efetuou mais quatro disparos à queima-roupa. Ao confirmar a morte, chutou o corpo.

Moradores da região tomaram conhecimento do assassinato por meio da Rádio Cultura de Ceres.

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Ditador sírio assassinado em Goiás, Adib Shishakli
Adib Shishakli, o ditador sírio que fugiu para o Brasil e foi assassinado em Goiás – Foto: Reprodução/TJGO

O que Nawaf fez depois do crime?

Após o assassinato, Nawaf retornou à pensão onde estava hospedado, tomou banho, trocou de roupa e foi ao cinema. No dia seguinte, embarcou para Anápolis e, posteriormente, seguiu para Teófilo Otoni (MG), onde encontrou parentes e membros da comunidade drusa.

O grupo comemorou o assassinato e organizou uma campanha para financiar sua defesa, arrecadando mais de 100 milhões de cruzeiros, moeda utilizada no Brasil na época.

Uma semana depois, Nawaf se apresentou à polícia e confessou o crime.

“Matei Adib porque ele era impiedoso, um monstro. Durante o tempo em que esteve no poder quis, por todos os meios, exterminar os drusos, chegando a assassinar mais de 70 pessoas. Quando soube que este homem poderia voltar à Síria, o sangue me subiu à cabeça. O povo brasileiro saberá entender que eu cumpri o meu dever, eliminando um inimigo do meu povo”, declarou em depoimento.

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O julgamento ocorreu em Goiânia e mobilizou a comunidade drusa no Brasil. Nawaf foi defendido por alguns dos mais renomados criminalistas da época, entre eles Nelson Hungria, que mais tarde seria ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Romeu Pires de Campos Barros.

O júri popular absolveu o acusado ao entender que ele agiu sob forte emoção, motivado pelas consequências do regime de Shishakli sobre seu povo.

Após a absolvição, Nawaf voltou a viver em Taguatinga. Ele morreu em 2005 e teve os restos mortais levados para a Síria, onde parte da comunidade drusa o recebeu como herói.

Adib Shishakli morto por jovem que buscava vingança Quem foi o ditador sírio que fugiu para o Brasil e foi assassinado no interior de Goiás?
Oficiais Fawzi Selu e Adib Shishakli, o ditador assassinado em Goiás em Damasco, Síria, em 1951 – Foto: Arquivo/Governo da Síria

O destino do corpo de Shishakli

Inicialmente, o ditador assassinado em Goiás foi enterrado no cemitério de Ceres. No entanto, quatro dias depois, o governo sírio solicitou a repatriação do corpo.

A pedido das autoridades brasileiras, um professor de anatomia da então Universidade Federal de Goiás (UFG) realizou a exumação. Após ser embalsamado, o corpo foi levado de carro até o Rio de Janeiro e embarcado para Damasco, onde recebeu honras oficiais de ex-chefe de Estado, embora sem comoção popular.

A repercussão do assassinato atravessou décadas. Em 2019, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) decidiu incluir o processo do caso no acervo do Centro de Cultura e Memória da instituição, preservando documentos de um dos episódios mais inusitados da história de Goiás.

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Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

Contents
Quem foi Adib Shishakli?A nova vida no interior de GoiásO plano de vingançaO assassinato na ponte entre Ceres e RialmaO que Nawaf fez depois do crime?O destino do corpo de Shishakli

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