Foto: Verba deverá ser usada para pagar serviços médicos, comprar remédios e modernizar hospitais – Foto: GettyImages Crédito: GettyImages
Um Projeto de Lei em tramitação no Congresso Nacional busca destinar uma parcela significativa dos recursos arrecadados pelo governo federal com as apostas esportivas, popularmente conhecidas como “bets”, para as Santas Casas e demais hospitais de caráter filantrópico. A iniciativa, identificada como PL 2476/26, visa promover uma alteração na legislação em vigor para assegurar uma base de financiamento mais sólida e previsível para essas instituições essenciais ao sistema de saúde brasileiro.
A medida representa um esforço para fortalecer a rede hospitalar que, apesar de desempenhar um papel crucial no atendimento à população, enfrenta desafios financeiros persistentes. Ao propor um direcionamento específico de verbas provenientes de uma fonte crescente de arrecadação, o projeto tenta mitigar a pressão sobre o orçamento público e a dependência de repasses menos estáveis.
Nova distribuição para o setor da saúde
Atualmente, a Lei 13.756/18 estabelece um modelo de distribuição para a arrecadação governamental com as apostas esportivas. Após a dedução dos prêmios pagos aos apostadores e dos impostos devidos, o montante restante é segmentado em três grandes blocos. É precisamente dentro da última dessas fatias, que corresponde aos recursos de destinação social, que o Projeto de Lei 2476/26 propõe uma mudança substancial.
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A emenda legislativa prevê que 50% dessa parcela social seja direcionada exclusivamente para as Santas Casas e hospitais filantrópicos. Embora a proposta defina claramente a porcentagem para o setor da saúde, o texto não especifica de que forma a redistribuição afetará os percentuais já alocados para outras áreas. Pela lei atual, os 12% da arrecadação social são divididos da seguinte forma:
- Esporte: 36%
- Turismo: 28%
- Educação: 10%
- Ministério da Saúde (para prevenção de danos causados pelos jogos): 1%
Essa reconfiguração da divisão de recursos poderia gerar debates sobre o impacto nas demais áreas beneficiadas, como Esporte e Turismo, que hoje recebem as maiores parcelas desse fundo social.
Critérios para o uso e priorização dos fundos
O Projeto de Lei 2476/26 estabelece diretrizes rígidas para a utilização dos recursos adicionais que seriam destinados às instituições filantrópicas de saúde. A verba deve ser empregada de forma exclusiva em áreas que impactam diretamente o atendimento aos pacientes e a capacidade operacional dos hospitais. Isso inclui custeio de serviços médicos, aquisição de medicamentos e modernização da infraestrutura hospitalar, visando aprimorar a qualidade e a eficiência dos serviços prestados.
Por outro lado, o texto é explícito ao proibir o uso desses fundos para o pagamento de dívidas que não estejam diretamente relacionadas ao atendimento e cuidado dos pacientes. Essa restrição busca garantir que os novos recursos sejam aplicados no fortalecimento da capacidade assistencial, e não na quitação de passivos financeiros de outra natureza. Além disso, a regulamentação da lei deverá priorizar hospitais que enfrentam grave crise financeira ou que estejam localizados em regiões com acentuada carência de serviços médicos, direcionando o apoio onde ele é mais urgente e necessário.
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A justificativa do autor e o impacto esperado
O deputado Pinheirinho (PP-MG), autor do projeto, enfatiza a relevância da rede filantrópica para o sistema de saúde do país. Ele aponta que essas instituições são responsáveis por realizar entre 50% e 60% das internações em nível nacional, um volume expressivo que demonstra sua importância estratégica. Contudo, o setor enfrenta uma situação financeira delicada, com um endividamento que ultrapassa os R$ 20 bilhões.
Segundo o parlamentar, a criação de uma fonte de recursos estável, como a proposta, teria um efeito multifacetado. Ele argumenta que a iniciativa não só aliviaria a sobrecarga financeira das Santas Casas e hospitais filantrópicos, mas também reduziria a pressão sobre o orçamento geral da União. Consequentemente, espera-se uma diminuição nas filas por internações e um aprimoramento geral na oferta de serviços de saúde à população, especialmente em regiões mais vulneráveis.
Próximos passos da tramitação legislativa
O Projeto de Lei 2476/26 seguirá para análise em caráter conclusivo por diversas comissões na Câmara dos Deputados. Esta modalidade significa que, se aprovado em todas as comissões designadas e sem recurso para votação em plenário, o projeto será enviado diretamente ao Senado Federal, sem a necessidade de passar pelo plenário da Câmara.
As comissões responsáveis por avaliar a proposta incluem a de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; a de Finanças e Tributação; e a de Constituição e Justiça e de Cidadania. Cada uma analisará aspectos específicos do projeto, desde seu impacto social e financeiro até sua conformidade com a Constituição. Para que a proposta se torne lei, ela precisará ser aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal, antes de ser sancionada pela Presidência da República.

