República Democrática do Congo intensifica procura por menina infectada com Ebola após ataque a hospital em Butembo

Redação
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República Democrática do Congo intensifica procura por menina infectada com Ebola após ataque a hospital em Butembo

Uma intensa operação de busca está em andamento no leste da República Democrática do Congo, onde autoridades de saúde procuram uma criança de seis anos e sua mãe, ambas com Ebola, desaparecidas após um ataque armado a uma unidade hospitalar.

Relatos indicam que indivíduos “extremamente revoltados”, munidos de facas, retiraram a paciente do Hospital Wanamahika, situado na cidade de Butembo, segundo informações divulgadas em comunicado pelo Dr. Lubambo Maboko Gaston, representante local da área da saúde.

Permanece incerto se os invasores tinham alguma ligação prévia com a menor, contudo, é um fato que a desconfiança e o receio em relação aos centros de tratamento de Ebola têm se alastrado consideravelmente ao longo do surto recente.

Em uma declaração à agência de notícias Reuters, o Dr. Gaston apelou veementemente para que a criança e a mãe retornassem a um serviço de saúde, alertando sobre o perigo iminente de um “agravamento do estado de saúde” de ambas e de “contaminação de seus familiares”.

Ao longo da atual crise sanitária, unidades médicas dedicadas ao tratamento do Ebola foram alvo de múltiplos ataques, enquanto o balanço oficial da doença registra cerca de 200 óbitos e um total de 840 casos confirmados.

No mês anterior, na cidade de Mongbwalu, forças policiais precisaram efetuar disparos de advertência para dispersar grupos irritados que tentavam resgatar os restos mortais de parentes falecidos em uma instalação de saúde.

Poucos dias antes, estruturas de isolamento em um hospital de Rwampara, localidade situada 85 quilômetros a sudeste de Mongbwalu, foram incendiadas por multidões após serem impedidas de remover o corpo de um indivíduo suspeito de ter sucumbido ao Ebola.

“A população não recebe informações adequadas ou não é conscientizada sobre a gravidade da situação. Para uma parte considerável dos moradores, particularmente em regiões afastadas, o Ebola é visto como uma invenção de estrangeiros – algo que não existe de fato”, comentou Luc Malembe Malembe, político da região, em entrevista à BBC no mês passado.

O mesmo político acrescentou, “Existe a crença de que as organizações não governamentais e os hospitais estariam fabricando essa realidade para obter lucro, o que é lamentável.”

Este surto específico é provocado por uma cepa incomum do vírus Ebola, identificada como Bundibugyo. A preocupação é ainda maior porque, atualmente, não há uma vacina disponível para combater essa variedade, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a produção de um imunizante específico pode levar vários meses, intensificando os desafios para o controle da epidemia e o risco de mais infecções pela falta de compreensão pública sobre o vírus.

Os registros de infecções estão predominantemente nas províncias de Ituri, Kivu do Sul e Kivu do Norte, sendo para uma dessas regiões que a menina de seis anos foi supostamente levada do hospital na última segunda-feira.

Atualmente, a província de Ituri permanece como o epicentro da transmissão da doença.

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