Uma mulher ajuizou uma ação judicial recente no Tribunal Distrital de Kobe, buscando reparação financeira de cerca de 100 milhões de ienes dos governos nacional e da prefeitura. Ela argumenta que sua filha, uma adolescente de 16 anos, veio a óbito por exaustão e desnutrição após desenvolver transtornos graves, incluindo estresse pós-traumático (TEPT), sequência de uma detenção sob acusação de agressão que culminou em absolvição. Para a mãe, a detenção e o encarceramento inadequados, conduzidos pela Polícia da Prefeitura de Hyogo e pela Procuradoria Distrital de Kobe, foram a origem da tragédia. Durante uma coletiva de imprensa, com a voz embargada, ela desabafou: “Preciso entender o motivo pelo qual minha filha foi presa, mantida em custódia e, por fim, teve a vida ceifada”, classificando o caso como um exemplo de “justiça refém”.
Pressão em interrogatório e o sofrimento das vítimas
Conforme detalhado na acusação, a jovem Luna (nome fictício) foi detida pela Delegacia de Polícia de Akashi, vinculada à Polícia da Prefeitura de Kanagawa, em 17 de junho do ano anterior. A prisão ocorreu no local onde ela trabalhava, um centro de assistência a pessoas com deficiência, sob alegação de agressão, após uma queixa de um usuário que afirmou ter tido a “região da mandíbula segurada”. Luna tentou esclarecer que sua ação visava “impedir uma mordida”, mas enfrentou pressão contínua para admitir culpa durante as sessões de interrogatório. Em 3 de julho daquele ano, enquanto ainda estava detida, a adolescente sofreu um desmaio seguido de vômito, sendo então encaminhada a um hospital. No dia seguinte, ela foi finalmente liberada, porém sem qualquer indiciamento formal.
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Logo em seguida à sua soltura, Luna recebeu diagnósticos de transtorno de estresse agudo (TEA) e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), além de desenvolver um grave transtorno alimentar. A rápida deterioração de sua saúde culminou na sua morte por desnutrição em 14 de dezembro do mesmo ano, quando seu peso corporal estava em torno de 20 quilos. A tragédia se intensificou quando, após seu falecimento, veio à tona que a pessoa que a acusou inicialmente havia prestado depoimentos falsos. A análise do caso indicou que a jovem desenvolveu TEA e TEPT como resultado direto de uma “detenção física prolongada decorrente de investigações irregulares e negligentes”, evidenciando o profundo e fatal impacto de falhas processuais no bem-estar de indivíduos vulneráveis.
O representante legal da família enalteceu a importância de “um apelo à sociedade por melhorias nas práticas da polícia e do Ministério Público, visando garantir que uma fatalidade como essa nunca mais se repita”. Tanto a polícia da prefeitura quanto o Ministério Público, questionados sobre o assunto, preferiram não emitir declarações, justificando que “não podem comentar, visto que a denúncia formal ainda não foi apresentada”.


