
sinal de alerta de radiação – StepanPopov/shutterstock.com
Uma ocorrência com material radioativo foi registrada em uma das unidades do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) em São Paulo, envolvendo dois profissionais da instituição. O fato gerou preocupação diante do papel crucial do instituto na saúde brasileira.
O incidente ocorreu no dia 29 de maio e sua confirmação foi divulgada na noite de quinta-feira (11/6) pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A instalação do Ipen está localizada no campus da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo informações divulgadas pela CNEN, o episódio envolveu a detecção de vestígios de tecnécio-99. A presença da substância foi notada durante o processo de remoção de sensores biológicos de uma autoclave, um equipamento essencial na fabricação de radiofármacos compostos utilizados em exames de diagnóstico e terapias contra o câncer.
A situação teve lugar especificamente no Centro de Radiofarmácia do instituto. Esta divisão é responsável pelo desenvolvimento e pela distribuição de uma vasta gama de radiofármacos fundamentais para procedimentos de imagem e tratamentos oncológicos em hospitais, clínicas e centros de pesquisa de todo o Brasil. O fornecimento ininterrupto desses materiais pelo Ipen é vital, já que a interrupção poderia impactar milhões de pacientes anualmente que dependem desses diagnósticos e terapias para seu tratamento.
Ainda conforme a nota da CNEN, os dois funcionários envolvidos, classificados como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos (IOEs), foram submetidos a exames especializados, como o Contador de Corpo Inteiro.
Os resultados desses testes indicaram que as quantidades de radioatividade detectadas eram mínimas, confirmando que não houve contaminação interna nos trabalhadores. A contaminação se restringiu à área controlada do Centro de Radiofarmácia do instituto, garantindo que não se espalhou para fora do ambiente restrito.
O Ipen desempenha uma função insubstituível ao abastecer 430 clínicas e hospitais em território nacional, viabilizando cerca de 2 milhões de procedimentos médicos a cada ano. Grande parte dessas intervenções está diretamente ligada ao diagnóstico e tratamento de pacientes que lutam contra o câncer.
Após a ocorrência, o relatório interno detalhando o incidente foi encaminhado para avaliação pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), o órgão regulador responsável pela fiscalização nuclear no país.
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) informou, em comunicado, que o Centro de Radiofarmácia do Ipen possui licença de operação válida e ativa.
Em suas atividades de fiscalização e acompanhamento regulatório das instalações licenciadas, a ANSN emitiu uma notificação, estabelecendo um prazo até 18 de junho de 2026 para que o Ipen cumpra as exigências apresentadas.
Essa notificação assegura ao instituto o direito ao contraditório e à ampla defesa. Quaisquer providências adicionais serão determinadas somente após uma análise técnica aprofundada das informações e dos documentos que serão apresentados pelo Ipen.
A divulgação dos detalhes do incidente ocorreu após o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) solicitarem oficialmente à direção do instituto e à CNEN informações sobre o ocorrido e as ações adotadas.

Compreenda o tecnécio-99: a substância radioativa em questão
O tecnécio, representado pelo símbolo químico Tc, é um elemento metálico radioativo de coloração cinza-prateada na tabela periódica.
De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), o tecnécio é encontrado em quantidades ínfimas na natureza, na crosta terrestre, mas sua produção em larga escala ocorre primariamente em laboratórios especializados.
O isótopo tecnécio-99 é gerado durante a operação de reatores nucleares e também é um resíduo de detonações de armamentos atômicos.
Já o tecnécio-99m é uma variação do Tc-99 com tempo de vida útil mais curto. Essa forma específica é amplamente empregada como ferramenta diagnóstica na medicina, pois não persiste por um longo período no corpo humano ou no ambiente.
O tecnécio-99m representa o isótopo médico mais empregado globalmente, atuando como um marcador radioativo essencial para o diagnóstico de diversas condições de saúde.
Quando injetado nos pacientes, câmeras especiais são utilizadas para capturar imagens, permitindo a visualização da presença do tecnécio no corpo e auxiliando na identificação de anomalias.



