Sociedade de córnea alerta para cegueira por metanol em drinks adulterados de São Paulo

Redação
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Sociedade de córnea alerta para cegueira por metanol em drinks adulterados de São Paulo
Drinks

Drink – Foto: macarosha/istock

A Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria emitiu alerta urgente em São Paulo após registro de nove casos de intoxicação grave por metanol em 25 dias, com três mortes confirmadas. A contaminação ocorreu em bebidas alcoólicas como gin, vodka e whisky consumidas em bares e eventos sociais da capital e região metropolitana. Autoridades sanitárias investigam subnotificação, pois o quadro inédito atrasa confirmações laboratoriais.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública coordenou reunião extraordinária do Sistema de Alerta Rápido para mapear ações contra o adulteramento. Casos envolvem internações por falência de órgãos e sequelas neurológicas, com foco em destilados de origem duvidosa.

Autoridades confirmam que o metanol, álcool industrial inodoro e incolor, é adicionado ilegalmente para baratear produção de falsificações. Em 2025, mais de 160 mil produtos alcoólicos irregulares foram apreendidos em operações nacionais, segundo associações do setor.

Pacientes afetados relataram consumo em locais variados, de adegas na zona sul a bares nos Jardins.

Sintomas iniciais e progressão da intoxicação

Dor abdominal intensa surge como primeiro sinal após ingestão de metanol em bebidas. Visão turva ou perda total de visão acomete vítimas em horas, confundida inicialmente com ressaca comum.

Náuseas e vômitos acompanham tontura e cefaleia, evoluindo para convulsões em casos graves. Dificuldade respiratória e coma indicam acidose metabólica, com risco de óbito por falência múltipla de órgãos.

Tratamento urgente com antídoto como fomepizol e hemodiálise pode mitigar danos, mas sequelas visuais persistem em muitos.

Ações de fiscalização em comércios paulistas

Polícia Civil e Vigilância Sanitária inspecionaram três estabelecimentos na capital nesta segunda-feira, incluindo bar nos Jardins ligado a caso de cegueira. Bebidas foram recolhidas para perícia, com interdições preventivas.

De 22 a 26 de setembro, 43 fiscalizações resultaram em duas autuações e apreensões de lotes suspeitos. Inquéritos policiais apuram distribuição de falsificações em adegas e eventos.

  • Verificação de rótulos e lacres fiscais em pontos de venda;
  • Suspensão imediata de destilados sem procedência comprovada;
  • Colaboração com Procon para recalls de marcas irregulares.

Prefeitura monitora via Coordenadoria de Vigilância em Saúde, emitindo nota técnica para profissionais da rede municipal.

Origem do metanol e rede de falsificação

Suspeita recai sobre importação ilegal de metanol por organizações criminosas, desviado de usos industriais como biodiesel. Fechamento recente de distribuidoras ligadas a facções pode ter impulsionado revenda para destilarias clandestinas.

Associações estimam perdas de 88 bilhões de reais no setor de bebidas em 2025, com 29 bilhões em sonegação. Falsificadores adulteram garrafas de marcas famosas, adicionando metanol para diluir etanol.

Casos concentrados em setembro contrastam com média anual de 20 notificações nacionais, segundo Ministério da Saúde. PF abriu investigação federal para rastrear fluxo interestadual.

Casos específicos e perfis das vítimas

Homem de 54 anos, zona leste de São Paulo, morreu em 15 de setembro após sintomas em 9 de setembro, consumindo destilado em casa. Outro óbito, de 58 anos em São Bernardo do Campo, ocorreu em 24 de setembro, com histórico de consumo em bar local.

Jovem de 31 anos permanece em coma desde 1º de setembro, após doses de gin comprado em adega da Cidade Dutra. Quatro amigos, entre 23 e 27 anos, tiveram sintomas leves e receberam alta após tratamento.

Designer de 43 anos perdeu visão permanentemente após três caipirinhas em comemoração nos Jardins, intubada por convulsões. Homem de 45 anos faleceu em 28 de setembro, investigado pelo IML de São Bernardo.

Medidas preventivas para consumidores

Evite destilados de fontes não confiáveis, priorizando garrafas lacradas com selos fiscais intactos. Cervejas e vinhos industrializados apresentam menor risco de adulteração.

Em caso de sintomas pós-consumo, procure UPA ou pronto-socorro imediatamente, informando suspeita de metanol. Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001) oferece orientação remota.

  • Prefira estabelecimentos com nota fiscal e estoque rastreável;
  • Descarte bebidas com odor ou sabor atípico;
  • Denuncie irregularidades à Vigilância Sanitária local.

Recomendação federal orienta suspensão de lotes suspeitos em bares e distribuidores, ampliando vigilância para estados vizinhos.

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