Criança de 1 ano e 8 meses dá entrada em hospital com sinais de violência e abuso em Campo Grande

Redação
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Criança de 1 ano e 8 meses dá entrada em hospital com sinais de violência e abuso em Campo Grande

Um bebê de 1 ano e 8 meses deu entrada na Santa Casa de Campo Grande na terça-feira, 28 de abril. A criança apresentava sinais de agressão grave e indícios de violência sexual. O hospital acionou o Conselho Tutelar da Região Norte. A mãe, de 31 anos, e o padrasto, de 21, foram presos. Eles respondem por maus-tratos, estupro de vulnerável, lesão corporal e omissão de socorro.

A conselheira tutelar Suellen Gomes recebeu a denúncia e iniciou a apuração imediata. Não existiam registros anteriores da família no Conselho Tutelar. A criança foi acolhida pelo Estado. Ela permanece sob tutela institucional.

Mãe nega agressão do companheiro ainda no hospital

A mãe acompanhava o filho no atendimento. Questionada sobre as lesões, ela disse que a criança havia caído e batido a cabeça. Sobre os demais ferimentos, afirmou não saber explicar. A mulher negou que o marido tivesse agredido o bebê.

“Olha, meu marido não fez nada com a criança, eu posso garantir, eu coloco a mão no fogo por ele que isso não aconteceu”, declarou ela, segundo relato da conselheira. A frase foi dita enquanto o bebê ainda recebia cuidados médicos.

A versão inicial levantou dúvidas. A mãe acrescentou que a criança era bem cuidada. Ela mencionou que o bebê não frequentava um projeto por estar gripado.

Versões da mãe mudam durante conversa com conselheira

Suellen Gomes perguntou se a mãe havia levado a criança ao médico por causa da gripe. A resposta inicial foi afirmativa. Depois, ao ser lembrada de que atendimentos ficam registrados, a mulher alterou o relato.

“Ela relatou então: ‘não, eu só fiquei na triagem. Fiquei na triagem, depois da triagem eu fui embora, porque estava muito cheio, então eu acabei não passando pro atendimento’”, contou a conselheira. As respostas apresentavam omissões e inconsistências.

  • A criança não tinha acompanhamento regular de saúde
  • A vacinação foi atualizada apenas em janeiro de 2026
  • Não havia registros frequentes de consultas médicas

Esses pontos aumentaram a preocupação da equipe do Conselho Tutelar.

Padrasto cuidava do bebê enquanto mãe trabalhava

A mãe informou que trabalha e que, nesse período, deixava o bebê aos cuidados do padrasto. O casal organizava os horários para que sempre houvesse um adulto presente. Questionada sobre possível agressão, ela negou envolvimento dela ou do companheiro. Afirmou confiar no marido.

A conselheira quis saber quem poderia ter causado as lesões. A resposta foi que não sabia. Vizinhos relataram à polícia conhecimento de maus-tratos, mas disseram não ter denunciado por falta de provas.

Conselho Tutelar comunica caso ao Ministério Público

Diante das evidências, o Conselho Tutelar notificou o Ministério Público. A decisão foi pelo acolhimento institucional imediato da criança. O bebê agora está sob proteção do Estado.

A prisão ocorreu por ação da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). A mãe e o padrasto seguem detidos. A investigação continua para esclarecer os fatos.

  • Equipe do Samu identificou hematomas e sinais de possível abuso sexual
  • Polícia Militar e Samu realizaram reanimação após parada cardiorrespiratória
  • Laudo médico confirmou lesões antigas e recentes no corpo da criança
  • Vizinhança mencionou violência recorrente sem registro formal anterior

O caso tramita em segredo de Justiça para proteger a identidade da vítima.

Detalhes do atendimento inicial reforçam gravidade

Durante o trajeto até o hospital, o médico do Samu observou múltiplos hematomas. Indícios de violência sexual também foram identificados. A criança chegou em estado grave e recebeu estabilização imediata. O hospital seguiu protocolo de notificação obrigatória.

A conselheira Suellen Gomes destacou a ausência de histórico de acompanhamento. Isso dificultou uma avaliação prévia da situação familiar. A apuração prossegue com depoimentos e perícias.

O acolhimento institucional visa garantir segurança e tratamento adequado à criança. As investigações da DEPCA buscam reunir todas as provas para definir responsabilidades.

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