Tenente-coronel acusado de feminicídio divide cela com outros três PMs no Romão Gomes

Redação
By
6 Min Read
Tenente-coronel acusado de feminicídio divide cela com outros três PMs no Romão Gomes

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto divide uma cela com outros três policiais militares no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Ele está detido desde 18 de março. O oficial responde por feminicídio e fraude processual na morte da soldado Gisele Alves Santana.

A vítima, de 32 anos, foi baleada na cabeça dentro do apartamento do casal no Brás, centro da capital, em 18 de fevereiro. O Ministério Público sustenta que o marido não aceitava a separação. Neto nega o crime e afirma que a esposa se matou após ele pedir o divórcio. Laudos periciais contestam essa versão.

Detento ocupa primeiro estágio do regime fechado

Neto cumpre o estágio inicial, considerado o mais restritivo da unidade. A circulação fora da cela fica limitada. As saídas ocorrem basicamente para banho de sol e atendimentos como reuniões com advogados.

A Polícia Militar confirmou a alocação por nota enviada pela Secretaria da Segurança Pública. O interno permanece na ala do regime fechado, primeiro estágio. Ele mantém a patente, mas não exerce autoridade hierárquica dentro do presídio.

O advogado Eugênio Malavasi informou que o cliente já inicia processo de progressão de estágio, embora sem confirmação exata da data. Todos os recém-chegados passam pelo menos 30 dias no estágio vermelho. A avaliação considera comportamento e relatórios internos.

Rotina inclui até cinco refeições e duas horas de sol

A rotina diária dos detentos no Romão Gomes prevê três refeições principais — café da manhã, almoço e jantar — mais duas complementares, como lanches. O tenente-coronel tem direito a duas horas de banho de sol por dia.

  • Cela compartilhada com três outros reeducandos
  • Manutenção da patente sem comando hierárquico
  • Atendimentos médicos, psicológicos e jurídicos disponíveis
  • Visitas de familiares conforme regulamento
  • Possibilidade de estudo por correspondência

A PM detalhou essas condições em comunicado oficial. Atividades como horta e criação de galinhas ficam restritas ao regime semiaberto. No fechado, o foco permanece na adaptação inicial.

Presídio exclusivo para policiais militares abriga cerca de 250 detentos

O Romão Gomes funciona desde 1952 como a única unidade prisional do estado destinada exclusivamente a agentes da PM. A capacidade chega a 328 vagas. Atualmente, cerca de 250 internos ocupam o local.

Há uma ala feminina com espaço para até seis detentas. No momento, uma mulher cumpre pena separada dos homens. A estrutura inclui suporte de saúde, assistência social e religiosa.

O presídio já recebeu casos de grande repercussão. Entre os detentos famosos figuram ex-PMs como Mizael Bispo, Cabo Bruno e Otávio Lourenço Gambra, o Rambo. Reportagens antigas destacaram o homicídio como principal motivo de internação de policiais.

Chegada ao presídio foi registrada com abraços

Imagens obtidas pela TV Globo mostram o momento em que Neto chegou à unidade. Um policial militar o recebeu com abraço. A corporação não detalhou se esse tipo de recepção é padrão.

O oficial foi preso em 18 de março após decisão da Justiça Militar. Ele deixou a residência em São José dos Campos e seguiu direto para o Romão Gomes. Vídeos de câmeras corporais dos primeiros atendimentos ajudaram a questionar a versão inicial de suicídio.

Investigação aponta controle e violência doméstica

Mensagens extraídas do celular de Neto indicam, segundo o MP, padrão de controle sobre a esposa. O oficial se autodenominava “macho alfa” em alguns trechos e exigia comportamento de “fêmea beta”. Testemunhas relataram agressões anteriores.

Laudos periciais concluíram que o tenente-coronel teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime. O Ministério Público denunciou fraude processual.

STJ define julgamento na Justiça comum

O Superior Tribunal de Justiça decidiu que o caso deve ser julgado pela Justiça comum. Com isso, Neto irá a Tribunal do Júri. A decisão saiu nesta semana e representa mudança em relação ao tramitação inicial na Justiça Militar.

A PM aposentou o oficial em 2 de abril. Mesmo na reserva, ele continua a receber salário integral. O valor bruto registrado em fevereiro atingiu R$ 28,9 mil, conforme dados da Transparência do Governo de São Paulo.

  • Feminicídio qualificado
  • Fraude processual
  • Indenização mínima possível de R$ 100 mil à família da vítima

O crime ocorreu no apartamento do casal. Gisele Alves tinha 32 anos e integrava a Polícia Militar. O casal vivia no Brás.

O tenente-coronel Geraldo Neto, de 53 anos, permanece preso preventivamente. A investigação da Polícia Civil e do Ministério Público reuniu mensagens, laudos e depoimentos que sustentam a denúncia. O processo agora segue para o júri popular.

Compartilhe