O Congresso Nacional reúne deputados e senadores nesta quinta-feira para analisar o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei que altera regras de cálculo de penas. A sessão conjunta está marcada para começar às 11h. Parlamentares vão decidir se mantêm o veto ou o derrubam.
A proposta, conhecida como PL da dosimetria, modifica critérios usados pelos juízes para definir o tamanho da pena aplicada a condenados. O foco principal recai sobre condenações por atos antidemocráticos, como os ataques de 8 de janeiro de 2023.
A dosimetria é o cálculo feito pelo juiz para fixar a pena exata dentro dos limites previstos na lei para cada crime. O Código Penal estabelece um sistema trifásico para essa operação. Na primeira fase, define-se a pena-base a partir de circunstâncias judiciais como culpabilidade, antecedentes, conduta social, personalidade do agente, motivos do crime, circunstâncias e consequências do fato e comportamento da vítima.
O juiz parte do mínimo ou do máximo da pena abstrata prevista no tipo penal e ajusta conforme esses elementos. Uma condenação por crime de maior gravidade ou cometida por réu com maus antecedentes tende a receber pena-base mais alta.
Na segunda fase, aplicam-se agravantes e atenuantes. Agravantes incluem reincidência, motivo fútil ou torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Atenuantes cobrem confissão espontânea, menoridade relativa e arrependimento posterior. O juiz soma ou compensa esses fatores conforme regras de preponderância.
A terceira fase considera causas de aumento e de diminuição. Exemplos incluem aumento por uso de arma ou diminuição por tentativa. O resultado final não pode ficar abaixo do mínimo ou acima do máximo legal, salvo exceções específicas.
- Pena-base definida pelas circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal
- Ajustes na segunda fase por agravantes e atenuantes
- Alterações finais por causas de aumento ou diminuição específicas
- Limites legais respeitados no resultado final
Como o PL propõe mudar a dosimetria
O texto aprovado pelo Congresso no final de 2025 buscava limitar a aplicação cumulativa de penas quando vários crimes ocorrem no mesmo contexto. A ideia era evitar somas excessivas em condenações por atos complexos como os investigados no 8 de janeiro.
Defensores do projeto argumentavam que a dosimetria atual permitia penas muito altas ao somar infrações conexas. O veto presidencial sustentou que a mudança poderia reduzir proteções ao Estado Democrático de Direito.
Veto presidencial e razões do governo
Lula assinou o veto integral em 8 de janeiro de 2026, exatamente três anos após os ataques às sedes dos Três Poderes. O governo classificou o projeto como inconstitucional e contrário ao interesse público.
A mensagem de veto destacou risco de impunidade para condutas que ameaçam a ordem democrática. O texto também mencionou violação aos princípios de proporcionalidade, isonomia e impessoalidade.
Cenário da votação no Congresso
Deputados e senadores votam separadamente. São necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado para derrubar o veto. A apuração é aberta e nominal, com início pela Câmara.
Se o veto cair, o projeto segue para promulgação. Caso o presidente não o faça em 48 horas, a tarefa passa ao presidente do Senado. Se ele também não promulgar, o vice assume. Se o veto for mantido, a proposta é arquivada.
Impacto potencial sobre condenados
O PL poderia afetar penas de pessoas condenadas por envolvimento em atos golpistas. Isso inclui condenações relacionadas aos eventos de 8 de janeiro de 2023 e tentativas de golpe em 2022.
Especialistas em direito penal explicam que alterações na dosimetria mudam o tempo de prisão e as regras de progressão de regime. O cálculo mais brando reduziria o período necessário para benefícios como saída temporária ou regime semiaberto.
Reações políticas e próximos passos
Oposição e base governista divergem sobre o tema. Parlamentares da oposição defendem a derrubada do veto para corrigir supostos excessos no cálculo de penas. O governo e aliados alertam para retrocesso institucional.
A sessão de hoje ocorre em clima de tensão. Independentemente do resultado, o tema deve gerar debates jurídicos e possíveis questionamentos no Supremo Tribunal Federal.
O placar da votação definirá se o texto volta a valer ou se o veto prevalece. Acompanhamento em tempo real mostra que o quórum e a distribuição de votos ainda são incertos nas horas que antecedem a sessão.


