Um esquema de furto que ganhou destaque nas redes sociais nos últimos dias coloca passageiros de ônibus em São Paulo em alerta. O chamado “golpe da mostarda” — ou “golpe da sujeira” — funciona por meio de uma sequência coordenada de ações que deixa a vítima confusa e desprevenida.
O caso voltou à atenção pública após Guilherme Giaretta, 23 anos, relatar sua experiência em vídeo que atingiu mais de 1,5 milhão de pessoas no Instagram e no TikTok, acumulando 130 mil curtidas nas plataformas. Conforme o jovem detalhou, tudo acontece com rapidez e envolve pelo menos três criminosos atuando em conjunto dentro do veículo.
Como o golpe funciona na prática
A ação começa quando um primeiro criminoso suja a roupa da vítima com um líquido semelhante a vômito, sem que ela perceba. Guilherme relata: “Um homem repetia em espanhol que tinha uma criança no colo de uma mãe, que tinha acabado de vomitar em mim, e que ela tinha saído correndo do ônibus”.
Logo depois, um segundo indivíduo avisa sobre o ocorrido e oferece ajuda para limpar a roupa. “O homem puxava minha camiseta, pegava a blusa da minha mão e falava que ia me ajudar com um lenço”, descreve Guilherme. Nesse momento, a vítima fica confusa e em choque pela situação.
Enquanto o alvo está desatento, cercado pelos golpistas e tentando se limpar, um terceiro criminoso aproveita a distração para efetuar o furto — geralmente de celular ou outros objetos de valor. Após o crime, os suspeitos descem no ponto seguinte, deixando a vítima só percebendo o roubo quando já é tarde. Guilherme só buscou pelo celular após os criminosos descererem do ônibus e percebeu que tinha sido furtado.
Relatos de outras vítimas
Mirian Almeida, 31 anos e influenciadora digital, passou pela mesma situação. Ela relembra: “Lembro que eu percebi o furto assim que ele desceu do ônibus. Eu fiquei tão em choque que desci no próximo ponto, que era na frente da estação, eu só queria chegar mais rápido em casa, ao mesmo tempo sem acreditar que eu tinha sido furtada da forma mais boba possível”.
A influenciadora ressalta que a rapidez da ação deixa as vítimas em estado de choque. “Na hora a gente fica desnorteado, justamente pela rapidez em que tudo acontece”, afirma. Os relatos coletados mostram um padrão que se repete em diversas linhas da capital.
Linhas afetadas e condições dos ônibus
As vítimas consultadas citam a ocorrência do golpe em linhas específicas:
- Linha 175P-10 (Ana Rosa)
- Linha 5110-10 (Terminal São Mateus)
- Linha 172U-10 (Cem. Pq. dos Pinheiros)
Um aspecto importante mencionado pelas vítimas é que os furtos não ocorrem necessariamente em ônibus superlotados. As pessoas lesadas afirmaram que não havia superlotação no momento dos crimes, o que torna a ação ainda mais preocupante, pois mostra que o golpe funciona mesmo em veículos com circulação normal.
Recomendações para evitar ser vítima
Guilherme aconselha recusar qualquer oferta de ajuda de desconhecidos. “A gente nunca sabe quem vai ser uma pessoa que vai ajudar a gente ou que está mal intencionado. Na dúvida, é melhor se proteger e não dar atenção para pessoas desconhecidas”, orienta. Sua principal dica é simples: em caso de sujeira, resolver o problema sozinho e ignorar ofertas de auxílio de outros passageiros.
O golpe em outros países
Este tipo de esquema não é exclusivo do Brasil. Edson Kaneko, influenciador do perfil @achadosdaliberdade, relata ter presenciado o mesmo golpe em 2013 durante uma viagem a Buenos Aires. “Mas como estávamos em grupo afastamos os golpistas e não os deixamos ‘ajudar’ a limpar a sujeira e não fomos furtados”, conta Kaneko. A técnica, conhecida internacionalmente como “Mustard Scam”, demonstra como criminosos adaptam métodos similares em diferentes cidades e países.
O alerta reforça a importância de passageiros manterem vigilância constante em transportes públicos e desconfiarem de situações que envolvem abordagens repentinas e ofertas de ajuda de estranhos.


