Do presságio à separação: queda de avião mudou história do Trio Parada Dura nos anos 1980

Redação
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Do presságio à separação: queda de avião mudou história do Trio Parada Dura nos anos 1980

Foto: Creone, Barrerito e Mangabinha, formação antiga do Trio Parada Dura Foto: Reprodução/Instagram

Quarenta e quatro anos depois, Creone ainda recorda cada detalhe daquele voo. O radialista Zé Béttio brincou com o piloto antes da decolagem. A frase soou como alerta.

O avião que levava a formação clássica do Trio Parada Dura caiu em 6 de setembro de 1982 em Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo. Creone, Barrerito e Mangabinha saíram vivos. Barrerito, porém, ficou paraplégico. O episódio interrompeu o auge do sucesso do grupo e abriu caminho para mudanças definitivas na carreira dos integrantes.

Presságio antes da decolagem

O trio viajava de São Paulo para Cruzília, em Minas Gerais. A agenda apertada exigia deslocamentos rápidos. Eles decolaram do Campo de Marte sob chuva forte. Uma parada em Campinas serviu para abastecimento. O mau tempo continuou.

Creone conta que o piloto se perdeu no trajeto. Ao avistar uma pista pequena em Espírito Santo do Pinhal, decidiu tentar o pouso para se orientar. O vento atrapalhou a manobra. O comandante tentou arremeter, mas não conseguiu. A aeronave desceu de forma forçada em área irregular.

  • O piloto avisou que teriam de descer em qualquer lugar
  • Creone tirou o cinto e abraçou o banco do piloto
  • Barrerito sofreu lesão grave na coluna durante o impacto

Detalhes do pouso forçado

O impacto causou ferimentos em todos. Creone quebrou três costelas. Barrerito sentiu o pior. Quando conseguiram sair da aeronave, ele relatou não ter sensibilidade nas pernas. A remoção do músico pela pequena porta da cabine agravou a dor, segundo o relato de Creone.

A formação clássica vivia o momento de maior popularidade. O nome Trio Parada Dura já circulava no dia a dia como sinônimo de amizade forte e determinação. O acidente mudou essa dinâmica para sempre. Barrerito precisou de longo período de recuperação.

Retorno aos palcos e simbolismo

Barrerito voltou a se apresentar após o tratamento. Ele permaneceu no grupo até 1987. A imagem dos dois cantores de pé ao lado do colega na cadeira de rodas ganhou força simbólica no sertanejo. Pesquisadores destacam o repertório rico daquela fase, regravado por artistas da nova geração até hoje.

Cinco anos após o acidente, Barrerito optou pela carreira solo. Ele explicou aos parceiros que não suportaria mais viagens de avião. A decisão não impediu o trio de continuar. O irmão dele, Parrerito, já havia substituído temporariamente durante a recuperação e assumiu a vaga de forma definitiva.

Carreira solo de Barrerito

Na trajetória solo, Barrerito lançou oito discos. Sucessos como “Onde Estão os Meus Passos”, “Morto por Dentro” e “Cadeira Amiga” marcaram a fase. Nesta última, o músico fez referência direta à cadeira de rodas. A letra fala em voz que vem de dentro e fé que permanece apesar do sofrimento.

Barrerito morreu em 1998, aos 56 anos, após ataque cardíaco. Parrerito faleceu em 2020, vítima de complicações da Covid-19. Creone segue como o único integrante vivo da formação original e mantém o Trio Parada Dura em atividade.

Legado no sertanejo

O acidente virou parte da história do gênero. Reportagens especiais, como a exibida recentemente pela EPTV, resgatam o episódio no contexto de premiações e festas tradicionais. O caso ilustra os riscos das viagens constantes que artistas sertanejos enfrentavam na época, antes de estruturas mais seguras.

A formação clássica continua referência. Frases do dia a dia ainda evocam o “trio” como exemplo de união. O episódio de 1982, no entanto, lembra que mesmo ícones da música brasileira passaram por momentos dramáticos longe dos palcos.

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