Serpente gigante de 47 milhões de anos é descoberta em mina da Índia

Redação
By
4 Min Read
Serpente gigante de 47 milhões de anos é descoberta em mina da Índia

Pesquisadores identificaram uma nova espécie de cobra ancestral em sedimentos de uma mina de linhita no estado indiano de Gujarat. Batizada de Vasuki indicus, a serpente viveu há aproximadamente 47 milhões de anos e alcançava comprimentos entre 11 e 15 metros. O fóssil coloca a espécie na mesma categoria de tamanho da Titanoboa, a maior cobra conhecida pela ciência.

Os restos fósseis foram localizados na Mina de Lignito de Panandhro em Kutch, durante escavações que recuperaram 27 vértebras bem preservadas. O material pertencia a um exemplar adulto, conforme confirmado pela análise das estruturas ósseas. Debajit Datta e Sunil Bajpai, os paleontólogos responsáveis pelo estudo, publicaram seus achados na revista Scientific Reports.

Tamanho e estrutura do réptil ancestral

As vértebras encontradas revelam dimensões impressionantes. O comprimento de cada osso varia entre 37,5 e 62,7 milímetros, enquanto a largura fica entre 62,4 e 111,4 milímetros. Tais proporções indicam um corpo cilíndrico e robusto, característico de uma predadora de grande porte. Os cálculos dos pesquisadores apontam para um comprimento total da cobra entre 10,9 e 15,2 metros.

Um corpo desse tamanho implicava em movimento lento e estratégia de caça específica. Os cientistas sugerem que Vasuki indicus utilizava táticas de emboscada para capturar presas, similar ao comportamento das sucuris contemporâneas:

  • Deslocamento corporal reduzido e deliberado
  • Espera prolongada em locais de trânsito de presas
  • Ataque rápido e envolvimento da vítima
  • Adaptação a ambientes aquáticos ou semiaquáticos
  • Metabolismo compatível com grandes intervalos entre alimentações

Linhagem e distribuição geográfica antiga

A Vasuki indicus pertence à família Madtsoiidae, um grupo de serpentes que dominou diversos ecossistemas por quase 100 milhões de anos. Essa família surgiu durante o Cretáceo Superior e persistiu até o Pleistoceno Superior. Seus membros habitavam regiões que abrangiam África, Europa e Índia.

O estudo propõe que grandes madtsoídeas evoluíram inicialmente no subcontinente indiano. Durante o Eoceno, período que se estendeu de aproximadamente 56 a 34 milhões de anos atrás, essas serpentes migraram para o sul europeu e para territórios africanos. A dispersão geográfica sugere uma linhagem bem adaptada às variações climáticas e aos ambientes de transição entre períodos glaciais.

Contexto paleontológico e comparações

O nome Vasuki indicus homenageia tanto a serpente mitológica associada ao deus hindu Shiva quanto ao país onde foi descoberta. Essa nomenclatura reflete a relevância cultural e científica do achado para a região onde a pesquisa foi conduzida. O fóssil adiciona informações cruciais sobre a megafauna de répteis do Eoceno Médio.

Comparações com Titanoboa, a cobra mais antiga registrada, mostram que ambas atingiam proporções similares. Titanoboa viveu há cerca de 58 a 60 milhões de anos na atual Colômbia. A Vasuki indicus, ligeiramente posterior em tempo geológico, coexistiu com um planeta em transição climática, durante o qual temperaturas eram mais altas que os padrões atuais. Essa condição favorecia o surgimento de répteis de grande envergadura.

A distribuição dos fósseis de madtsoídeos em vários continentes indica um período em que barreiras geográficas eram menos restritivas para a dispersão de grandes serpentes. As rotas de migração seguiam provavelmente corredores de vegetação densa e climas tropicais, onde essas predadoras encontravam presas abundantes e condições térmicas ideais para manutenção metabólica.

Compartilhe