FBI investe em investigação após morte e desaparecimento de cientistas nucleares americanos

Redação
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FBI investe em investigação após morte e desaparecimento de cientistas nucleares americanos

Pelo menos dez cientistas envolvidos em pesquisas nucleares e aeroespaciais sigilosas morreram ou desapareceram nos Estados Unidos em rápida sucessão. O FBI iniciou investigação coordenada com o Departamento de Energia, Departamento de Defesa e agências policiais federais para apurar se existe ligação entre os casos. A Casa Branca classificou o assunto como “uma questão bastante séria” e o Congresso o considerou uma possível ameaça à segurança nacional.

Investigação federal ganha força no Capitólio

cientistas

O Comitê de Supervisão da Câmara, liderado pelos republicanos, anunciou que investigará relatos de mortes e desaparecimentos de indivíduos com acesso a informações científicas confidenciais. James Comer, presidente do comitê, afirmou à Fox News que “é altamente improvável que seja mera coincidência” e que o Congresso considera a situação uma prioridade. O comitê solicitou explicações oficiais do FBI, Departamento de Defesa, Departamento de Energia e NASA sobre possíveis interdependências entre os casos.

A Casa Branca revelou que está trabalhando com agências federais para determinar se existe alguma ligação entre as mortes. A NASA publicou declaração no X (antigo Twitter) informando que coordena com agências relevantes. Um porta-voz da agência espacial afirmou: “No momento, não vemos nenhuma ameaça à segurança nacional relacionada à NASA”.

Ceticismo quanto a conexão única

Nem todos os legisladores concordam que os casos estejam interconectados. O senador Walkinshaw, democrata membro da comissão de supervisão, reconheceu a necessidade de investigação mas declarou à CNN não estar convencido de um motivo comum. Segundo Walkinshaw, os Estados Unidos possuem milhares de cientistas na área nuclear. Ele argumentou que mesmo que um adversário estrangeiro tivesse como alvo o programa nuclear americano, “não é um programa que possa ser atacado por 10 pessoas e sofrer um grande revés”.

Série de mortes começou em 2023

A sequência de incidentes suspeitos iniciou-se em 30 de julho de 2023, quando Michael David Hicks, cientista de 59 anos que trabalhou no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA por quase 25 anos, faleceu. A Sociedade Astronômica Americana informou que Hicks desenvolvera pesquisas sobre cometas e asteroides. Sua filha, Julia Hicks, disse à CNN que o pai sofria de doença crônica e que não conseguia “imaginar nenhuma ligação entre a morte dele e o desaparecimento dos cientistas”.

Em 2024, Frank Meyvald, especialista em pesquisa espacial de 61 anos, morreu em Los Angeles. Em junho do mesmo ano, Monica Reza, engenheira aeroespacial de 60 anos e chefe do grupo de processamento de materiais, desapareceu enquanto caminhava em uma floresta. Reza deixou seus pertences e o celular reiniciado foi encontrado.

Desaparecimento do ex-major-general levanta questões

William Neal McCasland, ex-major-general da Força Aérea de 68 anos, desapareceu em 27 de fevereiro deste ano após sair de sua casa em Albuquerque, Novo México. Seu celular, óculos e dispositivo vestível foram encontrados em sua residência. O FBI participa ativamente das buscas pelo militar.

McCasland liderava pesquisas aeroespaciais para o Departamento de Defesa e chefiou o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea na Base Aérea de Wright-Patterson. Rumores sugeriram ligação com detritos extraterrestres do incidente de Roswell de 1947, alegação negada pela Força Aérea. A esposa de McCasland, Susan McCasland Wilkerson, publicou no Facebook: “Ninguém tem motivo para tirar meu marido de mim” e negou que ele possuísse “conhecimento especial sobre cadáveres ou detritos extraterrestres”.

Cientistas do Laboratório de Los Alamos em foco

Dois cientistas que desapareceram trabalhavam no Laboratório Nacional de Los Alamos, instalação de pesquisa nuclear no Novo México:

  • Melissa Cassius, 53 anos, vista pela última vez em junho do ano passado caminhando em rodovia perto de Tulpa, Novo México
  • Anthony Chavez, 78 anos, supervisor da obra que desapareceu em maio do ano passado

A Polícia Estadual do Novo México informou que Cassius deixou pertences em casa e seu celular foi reiniciado. O departamento de segurança pública estadual indicou à CNN que não acredita ter havido crime. Sobre Chavez, investigador da polícia de Los Alamos declarou que não havia indícios de crime relacionado ao desaparecimento.

Dificuldade em estabelecer padrão comum

As circunstâncias diferem significativamente entre os casos. Alguns envolvem morte confirmada, outros apenas desaparecimento. As localizações variam entre Los Angeles, Novo México e outras regiões. As idades dos envolvidos oscilam entre 53 e 78 anos. Alguns trabalhavam em agências espaciais, outros em laboratórios de pesquisa nuclear ou em estruturas militares. Investigadores em jurisdições diferentes ainda avaliam se determinadas mortes constituem crimes ou resultam de causas naturais. A falta de evidência forense clara em vários casos complica a análise de possível padrão criminal coordenado. Especialistas alertam para o risco de conexões espúrias quando múltiplos incidentes recebem atenção simultânea da mídia.

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