Autoridades ucranianas relataram que a Rússia iniciou um bombardeio aéreo massivo contra alvos de infraestrutura na noite de sexta-feira para sábado, coincidindo com o terceiro dia de negociações entre representantes dos EUA e da Ucrânia em Miami. O ataque incluiu 653 drones e 51 mísseis, dos quais a maioria foi interceptada pelas defesas aéreas. Pelo menos três pessoas ficaram feridas na região de Kiev, e o principal alvo foi o setor de energia, causando apagões em oito regiões.
O incidente ocorreu horas após uma declaração conjunta dos negociadores americanos e ucranianos, que destacaram avanços em um quadro de arranjos de segurança para um possível acordo de paz. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky classificou o bombardeio como desprovido de justificativa militar, enquanto o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, enfatizou a necessidade de compromisso russo para desescalada.
Uma usina nuclear em Zaporízhia, controlada pela Rússia, perdeu temporariamente toda a energia externa, marcando a 11ª ocorrência desde a invasão em 2022. Equipes de emergência ativaram geradores de reserva para evitar riscos de superaquecimento.
- Principais alvos identificados: estações de energia em oito regiões, incluindo Chernihiv e Kiev.
- Danos reportados: estação ferroviária em Fastiv destruída, com impacto em trens suburbanos.
- Feridos: três na região de Kiev, sem mortes confirmadas até o momento.
Ataques aéreos russos visam setor energético ucraniano
Forças russas direcionaram a ofensiva para instalações de energia, conforme anúncio do Ministério da Defesa de Moscou, que alegou mirar sítios militares e industriais. O operador nacional de energia, Ukrenergo, confirmou interrupções em suprimentos para milhares de residências, com equipes trabalhando para restauração.
Zelensky destacou em comunicado que os ataques representam uma estratégia para enfraquecer a rede elétrica ucraniana durante o inverno, afetando civis em áreas urbanas. Sirenes de alerta soaram em regiões ocidentais, inclusive próximas à fronteira com a Polônia, onde detecções de drones foram registradas.
Reações internacionais aos bombardeios em Fastiv e arredores
O presidente francês Emmanuel Macron condenou os ataques e agendou uma reunião em Londres na segunda-feira com líderes ucraniano, britânico e alemão. O encontro visa coordenar pressões sobre Moscou para adesão a negociações.
Autoridades europeias expressaram preocupação com a escalada, enquanto o secretário-geral da ONU reforçou apelos por cessar-fogo humanitário. Em Kiev, o ministro do Interior reportou oito feridos no total, com foco em reparos emergenciais.
Uma delegação ucraniana, liderada por Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança Nacional, mantém diálogos em Miami com Witkoff e Jared Kushner. A conversa telefônica recente entre Zelensky e os enviados americanos resultou em acordo sobre formatos futuros de discussões.
- Macron planeja discutir: mecanismos de dissuasão e apoio logístico a Kiev.
- Posição da ONU: monitoramento contínuo de instalações nucleares para prevenir acidentes.
- Aliados europeus: ênfase em sanções adicionais contra exportações russas de energia.
Negociações em Miami avançam em garantias de segurança pós-guerra
Diplomatas americanos e ucranianos concordaram em um esboço de arranjos de segurança que incluem capacidades de dissuasão para manter a paz duradoura. A declaração conjunta evitou detalhes específicos, mas mencionou a dependência de passos russos para redução de hostilidades.
O plano de paz americano, revisado após vazamento de versão inicial favorável a Moscou, aborda concessões territoriais e adesão à Otan. Zelensky solicitou informações completas sobre diálogos prévios em Moscou, onde Putin se reuniu com Witkoff por quase cinco horas.
Trump descreveu as conversas como “razoavelmente boas”, mas alertou que o sucesso requer reciprocidade. A participação de Kushner reflete o envolvimento direto da administração em mediações bilaterais.
Uma versão atualizada do plano não foi divulgada, mas fontes indicam ajustes para equilibrar demandas de Kiev. As negociações prosseguem no sábado, com foco em mecanismos de verificação.
A Ucrânia busca garantias robustas, incluindo possível filiação à Otan, oposta por Moscou e sinalizada como improvável por Trump. Aliados europeus apoiam opções alternativas, como tratados bilaterais de defesa.
Posição russa em meio a diálogos EUA-Ucrânia
O Kremlin afirmou que Putin está disposto a múltiplos encontros com americanos, mas negou compromissos em rascunho de paz. Em entrevista recente, Putin exigiu retirada ucraniana completa do Donbas, ameaçando ação militar caso contrário.
Rússia controla cerca de um quinto do território ucraniano, incluindo partes de Donetsk e Luhansk. Ataques recentes intensificaram danos ao setor energético, com blackouts afetando cidades como Chernihiv.
Drones ucranianos retaliaram contra alvos russos em Ryazan e Voronezh, causando danos a infraestrutura sem baixas reportadas. Governadores locais confirmaram interceptações de 116 drones sobre território russo.
O Ministério das Relações Exteriores russo acusou Kiev de táticas terroristas em strikes a refinarias e navios no Mar Negro. Especialistas observam que tais ações visam reduzir receitas de exportação de petróleo de Moscou.
Riscos nucleares elevados na usina de Zaporízhia
A usina de Zaporízhia, maior da Europa, opera sem produção de eletricidade, mas requer energia constante para refrigeração de combustível nuclear. A perda de suprimento externo ocorreu durante o bombardeio, ativando protocolos de emergência pela agência nuclear da ONU.
Essa é a 11ª interrupção desde fevereiro de 2022, com inspeções internacionais limitadas devido a controle russo. Autoridades ucranianas pedem acesso irrestrito para avaliações de segurança.
A agência da ONU classificou o incidente como violação de normas internacionais, urgindo cessação de ataques a infraestrutura energética. Equipes locais restauraram o fornecimento em poucas horas, evitando escalada.
Zelensky reiterou a necessidade de proteção a instalações críticas, integrando o tema às negociações em Miami. Especialistas nucleares monitoram remotamente para detecção precoce de anomalias.
Avanços diplomáticos apesar de ofensivas russas
As conversas em Miami marcam o segundo dia consecutivo de diálogos, com Umerov e Witkoff discutindo dissuasão pós-conflito. Zelensky elogiou a abordagem intensiva de Trump, prevendo passos concretos para encerramento digno da guerra.
O plano americano enfatiza cessação de hostilidades como pré-requisito, com foco em territórios disputados. Revisões recentes incorporam objeções ucranianas, promovendo equilíbrio entre soberania e estabilidade regional.
Macron, em postagem pública, defendeu pressão contínua sobre Rússia para adesão à paz. A reunião em Londres incluirá revisão de negociações mediadas pelos EUA, com ênfase em coordenação transatlântica.
Ukrenergo reporta progresso em restaurações, mas alerta para vulnerabilidades invernais. Civis em áreas afetadas recebem assistência emergencial de agências humanitárias.


