Oito casos de hantavírus ligados a navio que visitou áreas remotas no Atlântico

Redação
By
6 Min Read
Oito casos de hantavírus ligados a navio que visitou áreas remotas no Atlântico

Um surto de hantavírus atingiu o navio MV Hondius. Três passageiros morreram e outros adoeceram durante a viagem que partiu da Argentina no início de abril. O navio de expedição holandês segue em isolamento no Atlântico, com quase 150 pessoas a bordo.

As autoridades de saúde monitoram passageiros que já desembarcaram e tomaram voos para vários países. O risco para o público em geral permanece baixo, segundo a Organização Mundial da Saúde. A embarcação saiu de Ushuaia em 1º de abril rumo a regiões remotas da Antártica e ilhas do Atlântico Sul.

Casos começaram em abril com passageiro holandês

O primeiro passageiro a apresentar sintomas foi um homem holandês de 70 anos. Ele sentiu febre, dor de cabeça e diarreia no dia 6 de abril. A condição evoluiu para insuficiência respiratória. Ele morreu a bordo em 11 de abril.

A esposa dele, de 69 anos, também holandesa, foi evacuada. Ela morreu em 26 de abril após passar mal em um aeroporto na África do Sul. Um terceiro passageiro, alemão, faleceu no navio em 2 de maio. Até o momento, oito casos foram identificados, com cinco confirmados por laboratório. Três pessoas continuam com sintomas leves a bordo.

Hantavírus
Hantavírus – quantic69/ Istockphoto.com

O vírus pertence à cepa Andes, comum na América do Sul. Essa variante pode se transmitir entre humanos em contato próximo, ao contrário da maioria dos hantavírus. A transmissão inicial provavelmente ocorreu por contato com roedores, possivelmente durante excursões em Ushuaia antes do embarque.

A operadora Oceanwide Expeditions informou que 149 pessoas de 23 países permanecem a bordo. Elas seguem medidas rigorosas de higiene e isolamento. Dois tripulantes com sintomas respiratórios precisam de atendimento urgente. Equipes médicas subiram no navio para avaliação.

O MV Hondius deixou o litoral de Cabo Verde e segue para as Ilhas Canárias, na Espanha. Autoridades espanholas preparam recepção com protocolos de saúde. Passageiros assintomáticos serão monitorados. Alguns já foram evacuados para tratamento em hospitais na África do Sul e na Europa.

  • O navio visitou áreas como Antártica continental, Geórgia do Sul, Tristão da Cunha, Santa Helena e Ascensão
  • Passageiros e tripulação compartilham cabines e áreas comuns, o que facilita contato próximo
  • Equipes de saúde rastreiam mais de 80 contatos em voos de retorno para países como Reino Unido, África do Sul, Estados Unidos, Suíça e Países Baixos
  • Um passageiro suíço que desembarcou testou positivo e recebe tratamento em Zurique
  • Três evacuados seguem para os Países Baixos em coordenação com a OMS

Investigação busca origem exata da infecção

Especialistas investigam se o contato inicial aconteceu em terra, antes do embarque, ou em áreas remotas visitadas pela embarcação. A Argentina registra casos de hantavírus com frequência, influenciados por mudanças climáticas que aumentam populações de roedores. Nenhum caso anterior foi registrado na província exata de partida, segundo autoridades locais.

A cepa Andes já causou surtos com transmissão interpessoal limitada em eventos com aglomeração. No navio, as condições de convivência em espaço restrito podem ter contribuído para novos casos. Amostras confirmaram o vírus em pelo menos dois pacientes. Outras continuam em análise.

Risco global avaliado como baixo pela OMS

A OMS reforçou que o hantavírus não se espalha como covid ou influenza. A transmissão exige contato próximo com partículas virais de roedores ou, no caso da cepa Andes, com pessoas infectadas em proximidade prolongada. Não há evidência de disseminação comunitária fora do navio.

Países que receberam passageiros retornados ativaram protocolos de rastreamento. Hospitais na Europa e na África do Sul testam e isolam suspeitos. A organização acompanha a situação em tempo real e coordena com governos envolvidos.

O navio, projetado para expedições polares, tem casco reforçado para gelo. Ele oferece cruzeiros de luxo com foco em natureza remota. A viagem duraria cerca de um mês. Agora, a prioridade é o cuidado médico e o desembarque seguro.

Medidas preventivas contra hantavírus em viagens

Viajantes para áreas com roedores devem evitar contato direto com animais selvagens e ambientes contaminados. Sintomas iniciais incluem febre, dor muscular, dor de cabeça e problemas gastrointestinais. A doença pode evoluir rapidamente para problemas respiratórios graves.

Não existe vacina ou tratamento específico. O cuidado é de suporte, com suporte respiratório quando necessário. A taxa de mortalidade varia conforme a cepa e o acesso a cuidados médicos. Na cepa Andes, ela pode ultrapassar 30% em alguns surtos.

As autoridades recomendam que ex-passageiros do MV Hondius procurem atendimento se apresentarem sintomas nas próximas semanas. O período de incubação pode chegar a oito semanas em casos raros.

Compartilhe