Rebeldes houthis, com apoio do Irã, causaram a morte de seis indivíduos a bordo de um navio de carga no Estreito de Bab el-Mandeb em 11 de agosto de 2026. Este incidente marcou as primeiras mortes reportadas em ataques navais na região do Mar Vermelho em mais de um ano.
Horas depois, as forças dos Estados Unidos anunciaram que mísseis foram disparados contra um navio porta-contêineres. A embarcação teria tentado romper o bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos, operando no Golfo de Omã.
Os dois episódios demonstram como o conflito, que já se estende por seis meses, está gerando consequências crescentes sobre duas das rotas marítimas comerciais mais vitais do planeta. Isso ocorre mesmo diante de sinais diplomáticos que indicam avanço na reabertura do Estreito de Ormuz.
Vítimas e detalhes do ataque houthi no Mar Vermelho
O Ministério dos Transportes do Iêmen informou que entre as vítimas estavam quatro tripulantes da embarcação, identificada como Tihamah. O navio de carga, de propriedade egípcia e bandeira da Tanzânia, tinha três cidadãos paquistaneses e um indonésio entre os mortos.
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Em um incidente separado, a guarda costeira do Iêmen divulgou que dois membros das Forças de Resistência Nacional, aliadas ao governo iemenita, também perderam a vida em um ataque subsequente, enquanto realizavam uma operação de resgate.
Em comunicado oficial, o Ministério dos Transportes do Iêmen declarou considerar as “milícias terroristas Houthi totalmente responsáveis pelas mortes, ferimentos e danos causados ao navio comercial Tihamah, bem como pelas sérias consequências desses ataques”, conforme tradução do árabe.
Um veículo de comunicação alinhado aos Houthis afirmou, posteriormente, que as forças do grupo haviam atacado uma embarcação que transportava equipamentos militares sauditas. No entanto, os Houthis não comentaram oficialmente sobre o número de vítimas.
O grupo alinhado ao Irã havia declarado um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho em 20 de julho de 2026. Essa ação rompeu uma trégua de anos na guerra civil iemenita, sendo apresentada como retaliação a um “cerco” saudita ao Iêmen, uma acusação negada por Riade.
Detalhes da ação militar dos EUA e bloqueio no Golfo de Omã
O Comando Central dos EUA (Centcom) informou na noite de 11 de agosto de 2026 que um helicóptero da Marinha disparou dois mísseis contra o navio Vela Nova, de bandeira panamenha. A embarcação teve seus sistemas de direção e propulsão desativados após a tripulação ignorar alertas enquanto cruzava o Golfo de Omã.
O Centcom esclareceu que o navio tentava furar o bloqueio naval que Washington restabeleceu contra os portos iranianos em meados de abril de 2026. Não houve relatos imediatos de vítimas. Desde o início da medida, as forças dos EUA já redirecionaram 55 embarcações comerciais que tentavam violar o bloqueio, desativaram três navios não conformes e abordaram outros dois.
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Impasse diplomático entre EUA e Irã agrava cenário
As recentes hostilidades marítimas ocorrem em um momento de estagnação na diplomacia entre Estados Unidos e Irã. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano apresentou no último fim de semana amplas exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz. Entre elas estão o fim do bloqueio naval americano, alívio de sanções, retirada de tropas dos EUA e reparações de guerra.
Em resposta, o Presidente Donald Trump exigiu que o Irã pagasse suas próprias compensações. Esse impasse tem afastado a possibilidade de um retorno à normalidade no transporte marítimo, mesmo com o Irã e Omã se aproximando de um acordo para um novo corredor de trânsito pelo Estreito de Ormuz.
O tráfego pelo estreito, que era responsável por 20% do comércio global de petróleo antes do início do conflito em fevereiro de 2026, tem sido mínimo. A instabilidade na via marítima, impulsionada pela guerra, provocou um choque na oferta global de energia, resultando em forte aumento nos preços do petróleo e consequências econômicas mais amplas.
Aumento do petróleo reflete tensões no Oriente Médio
Os preços do petróleo registraram alta devido à intensificação das tensões. Os futuros do Brent para entrega em outubro tiveram um aumento de 0,6%, chegando a US$ 89,44 por barril em 12 de agosto de 2026, estendendo um avanço de mais de 7% nesta semana, segundo dados da LSEG. O petróleo WTI dos EUA para setembro subiu 0,7%, atingindo US$ 83,8.
Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities da ING, disse que “a retórica atual indica que um possível acordo ainda está distante, o que significa que os riscos para os preços do petróleo continuam direcionados para cima”.
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Esforços diplomáticos trazem um fio de esperança
Apesar do cenário, surgiram alguns indícios de continuidade nos esforços diplomáticos. Um ministro paquistanês de alta patente afirmou em 11 de agosto de 2026 que Estados Unidos e Irã estão próximos de “algum tipo de arranjo” sobre o Estreito de Ormuz. Isso oferece uma ponta de esperança para um acordo, mesmo com as potências em conflito parecendo endurecer suas posições negociais.
Khawaja Asif, ministro da Defesa do Paquistão, disse a jornalistas que “as coisas estão se encaminhando novamente a favor de um acordo de paz ou de um pacto”, conforme noticiado.
As declarações do oficial paquistanês surgiram após um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar informar que as negociações entre Irã e Omã para a abertura de um canal de navegação pelo Estreito de Ormuz estavam em um “momento crucial”.

