Adiar a solicitação da aposentadoria integral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até os 70 anos pode significar um aumento de cerca de 8% por ano no benefício mensal, para além dos reajustes anuais por custo de vida. Apesar dessa vantagem garantida pelo governo federal, apenas aproximadamente 4% dos aposentados nos Estados Unidos conseguem aproveitar esse benefício. Essa diferença destaca uma notável lacuna entre o que os cálculos financeiros sugerem e a realidade vivenciada pelas pessoas.
Poucos aproveitam o aumento de 8% na aposentadoria anual
As diretrizes para a aposentadoria da Previdência Social são padronizadas no sistema americano. Ao solicitar o benefício aos 62 anos, ocorre uma redução permanente de até 30% em relação ao valor da aposentadoria integral. No entanto, esperar até os 70 anos resulta em um acréscimo de aproximadamente 8% ao ano no benefício. Para um indivíduo cuja idade de aposentadoria integral é 67 anos, isso significa um benefício 24% maior aos 70 anos do que aos 67, e consideravelmente mais elevado do que se o pedido fosse feito aos 62.
Um fator adicional é o ajuste anual de custo de vida. Os benefícios foram reajustados em 2,8% em 2026, com base no índice CPI-W, utilizado anualmente pela Administração da Previdência Social.
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O índice CPI-W alcançou 327,1 em junho de 2026, marcando um crescimento em relação aos 317,3 registrados em agosto de 2025. Como os valores acumulados por adiamento e o reajuste por custo de vida (COLA) incidem sobre a mesma base de benefício, cada ano adicional de espera eleva o montante de cada ajuste futuro pelo restante da vida do beneficiário.
Entenda por que apenas 4% dos americanos adiam o saque da aposentadoria
A decisão de adiar o pedido até os 70 anos implica um período de até oito anos sem receber pagamentos da Previdência Social, entre a idade mínima para requerer o benefício e a obtenção do valor máximo. Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA revelam que as despesas médias anuais atingiram US$ 78.535 em 2024, um aumento em comparação com os US$ 72.973 de 2022.
Para cobrir essa lacuna, é comum que as pessoas dependam de economias, renda de trabalho contínuo, outras formas de aposentadoria ou do salário de um cônjuge. Contudo, a maioria das famílias tem acesso limitado a esses recursos. O cenário geral da poupança corrobora essa dificuldade. A renda pessoal disponível per capita chegou a US$ 68.958 no segundo trimestre de 2026, conforme o Departamento de Análise Econômica, mas a taxa de poupança pessoal regrediu de 6,2% no início de 2024 para 2,8%.
As famílias estão poupando uma parcela menor de seus rendimentos, o que resulta em menos recursos disponíveis nos anos que antecedem o início do recebimento dos benefícios. O Estudo Nacional de Capacidade Financeira de 2024, da Fundação FINRA, detalha essa realidade no nível familiar. Apenas 39% dos adultos tentaram calcular o montante necessário para a aposentadoria, e 46% possuem uma reserva de emergência equivalente a três meses de despesas, uma redução de seis pontos percentuais em relação a 2021.
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Falta de planejamento financeiro impacta a decisão de aposentadoria
Entre os adultos com 55 anos ou mais, 59% informam ter a reserva de emergência mencionada. Este grupo demográfico está mais próximo da tomada de decisão sobre acionar o benefício, e aproximadamente quatro em cada dez ainda não possuem a reserva que uma estratégia de adiamento exigiria.
Insegurança econômica influencia a antecipação do benefício
A confiança do consumidor reflete esse cenário. O Índice de Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan marcou 49,5 em junho de 2026, um valor bem abaixo do limite pessimista de 80 pontos e entre os 10% mais baixos dos registros históricos. O sentimento havia diminuído para 44,8 em maio de 2026, antes de uma recuperação discreta em junho. Quando indivíduos próximos da aposentadoria se sentem incertos em relação à economia ou ao próprio sistema, o benefício acessível aos 62 anos tende a parecer mais seguro do que um benefício maior que demanda mais oito anos de planejamento para ser recebido.
Restrições reais explicam a preferência por benefícios antecipados
A estatística de 4% reflete o comportamento sob as limitações reais enfrentadas pela população. Aposentados que solicitam o benefício antes dos 70 anos geralmente o fazem em resposta a condições específicas: a necessidade imediata de renda, problemas de saúde que impedem a continuidade do trabalho ou a solicitação de um cônjuge que desencadeia considerações sobre dependentes. Para famílias com recursos para aguardar, os cálculos permanecem inalterados. Cada ano de atraso após a idade de aposentadoria integral acrescenta cerca de 8% ao benefício base de forma permanente, e cada reajuste subsequente por custo de vida (COLA) é aplicado sobre um valor base mais elevado.
Simulações da Previdência Social revelam otimização dos ganhos
Uma análise da Previdência Social pode ajudar a calcular o benefício. Em uma simulação, considerando um benefício mensal de US$ 2.000,00, o benefício anual seria de US$ 24.000,00, totalizando US$ 537.272,37 em benefícios ao longo da vida, com um valor presente de US$ 451.988,57. Neste cenário, a porcentagem de benefício seria de 100%, recebido por 18 anos.
A idade ideal para solicitar o benefício, segundo a simulação, seria 68 anos. Esta otimização poderia resultar em US$ 3.541,44 em benefícios adicionais potenciais. Considerando uma expectativa de vida de 85 anos, adiar o benefício para 68 anos em vez de 67 proporcionaria um acréscimo de US$ 3.541,44 no total de benefícios vitalícios. Neste caso, o benefício mensal alcançaria US$ 2.160,00.

