Presidente da Alerj é preso pela PF por suspeita de vazar informações da operação que prendeu TH Jóias, apontado como braço político do CV – O Globo
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal ´por determinação do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é suspeito, segundo a investigação, de envolvimento no vazamento de informações sigilosas da ação que levou à prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, em setembro. De acordo com a PF, a ação ilegal causou obstrução na investigação realizada no âmbito da Operação Zargun que apontou relação de TH com a facção Comando Vermelho. O envolvimento do presidente da Alerj foi apontado pela PF após análise do material apreendido naquela operação. Trocas de mensagens entre Bacellar e TH Jóias são apresentadas como provas do possível vazamento.
Bacellar foi preso na sede da PF após ser chamado para uma reunião com o superintendente. Foram feitas ações de busca e apreensão em quatro endereços ligados ao deputado — em Botafogo, Campos dos Goytacazes e Teresópolis — e no seu gabinete na Alerj. A prisão acontece no contexto da decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas), que, entre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos. A decisão determina ainda o afastamento de Bacellar da Presidência da Assembleia.
O texto da petição que determina a prisão, assinado pelo ministro Alexandre de Moares em 28 de novembro, indica a participação do deputado na organização criminosa: “Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, indicando que Rodrigo da Silva Bacellar estaria atuando ativamente pela obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo estadual, capazes de potencializar o risco de continuidade delitiva e de interferência indevida nas investigações da organização criminosa. No caso em tela, em relação ao deputado estadual Rodrigo da Silva Bacellar, são fortes os indícios da sua participação em organização criminosa”, escreveu o ministro.
A decisão de Moraes reproduz provas apresentadas pela PF de contatos entre TH Jóias e Bacellar após a operação para prender o ex-deputado já ter sido iniciada. Não são apresentadas mensagens ou ligações, no entanto, que comprovem que os dois se comunicaram previamente à ação que levou o ex-deputado à prisão em setembro.
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Na petição, Moraes afirma ainda que a investigação da PF mostra que Bacellar é ” primeiro contato da lista de comunicação urgente enviada pelo próprio “TH Jóias”, evidenciando a importância e a premente necessidade do investigado em se comunicar com o parlamentar” a quem chama de 01 na mensagem em que comunica ter mudado o número do telefone, ao que Bacellar responde com uma figura indicando que ” já tinha conhecimento de que haveria a troca”, como consta no documento do STF.
Na manhã em que a operação foi deflagrada, às 6h03 “a gravidade das interações vai além: TH envia para Bacellar a foto de um celular contendo as imagens do sistema de segurança do imóvel objeto da busca, com a equipe policial desta Polícia Federal em seu interior, além de compartilhar com ele o telefone de sua advogada”, segue o documento citando a investigação da PF.
Orientação para apagar provas
De acordo com o Octavio Guedes, do G1, após receber o aviso, TH Joias chegou a organizar uma mudança para destruir as provas que mantinha em casa. Ele teria usando até um caminhão-baú para isso. Segundo Guedes, o deputado zerou o celular e pegou um aparelho novo. Com o novo telefone, ele mandou uma filmagem para o presidente da Alerj perguntando se ele poderia deixar alguns objetos. Um deles era um freezer. Segundo o g1, Bacellar respondeu: “deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido”.
Já citando a PGR, a decisão de Moraes diz ainda que ” Bacellar (…) teve conhecimento prévio da operação policial, comunicou-se com Thiego – principal alvo da ação – e ainda o orientou quanto à retirada de objetos de interesse investigativo”.
Agentes da PF foram às ruas nesta quarta-feira para cumprir um mandado de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão, além de um mandado de intimação para cumprimento de medidas cautelares diversas da prisão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão em que mandou prender preventivamente Bacellar e determinou seu afastamento da presidência da Alerj, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirma que a Polícia Federal (PF) apresentou “fortes indícios” de que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), participa de uma “organização criminosa”:
No dia da operação Zargun, a PF informou que seria instaurado um inquérito para apurar um possível vazamento da ação. A suspeita surgiu porque TH Jóias deixou sua casa na noite anterior à operação que realizaria sua prisão. O político foi localizado em outro endereço.
Nesta quarta-feira, a PF faz buscas no gabinete da presidência da Alerj e também na casa de Bacellar. Deputados aliados de Bacellar afirmaram que, nos últimos dias, o presidente demonstrava desconfiança de que estava sendo monitorado pela polícia.
Rodrigo Bacellar é preso pela PF
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Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, é preso pela PF — Foto: Lucas Tavares
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O deputado é suspeito de vazamento de informações na operação que prendeu o deputado Thiego Raimundo dos Santos, o TH Jóias. — Foto: Márcia Foletto
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TH Joias e Rodrigo Bacellar em foto — Foto: Divulgação
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Bacellar foi reeleito presidente da Alerj, em 2025— Foto: Alex Ramos/ divulgação Alerj
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Rodrigo Bacellar enfileira críticas a, PM, Castro e Paes e diz que permite filho de 15 anos beber ‘vodquinha’ — Foto: Reprodução
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Coronel Menezes ao lado de Castro e Flávio Bolsonaro; na segunda imagem o coronel aparece ao lado de Rodrigo Bacellar e Castro — Foto: Reprodução
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O secretário do governo, André Moura, conversa com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, no plenário — Foto: Felipe Grinberg / Agência O Globo
O presidente da Alerj é suspeito de vazamento de informações
Operação Zargun
Em 3 de setembro, TH Jóias, foi preso em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, acusado de tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas para o Comando Vermelho. Segundo a investigação, TH Jóias utilizava o mandato na Alerj para favorecer o crime organizado. Ele é acusado de intermediar a compra e a venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão — apontado como traficante e também preso —, para um cargo parlamentar.
Na época, foram expedidos 18 mandados de prisão preventiva dos quais 15 foram efetivamente cumpridos, além de 22 de busca e apreensão, com ações em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia, na Zona Oeste, e em Copacabana, na Zona Sul. Na Alerj, policiais federais e procuradores recolheram um malote com apreensões.
Nota da Alerj
No início da tarde a Alerj divulfou nota sobre a prisão de Bacelaar na qual afirma que: “A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ainda não foi comunicada oficialmente sobre a operação ocorrida nesta manhã. Assim que tiver acesso a todas as informações, irá tomar as medidas cabíveis.”




