Mina de terras raras em Goiás é vendida por US$ 2,8 bilhões à gigante dos EUA

Redação
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Mina de terras raras em Goiás é vendida por US$ 2,8 bilhões à gigante dos EUA

Estado projeta produzir 6,4 mil toneladas de minerais críticos até 2027 e assume papel central na cadeia global de motores e tecnologias

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Vista aérea da jazida de terras raras Pela Ema em Minaçu, Norte de Goiás (Foto: reprodução)

Inglid Martins

Goiás entrou na rota dos carros elétricos com a venda bilionária de uma mina de terras raras para a gigante norte-americana USA Rare Earth. A aquisição da mina Pela Ema, em um negócio de US$ 2,8 bilhões, consolida o Norte goiano como o principal polo de minerais estratégicos fora da Ásia. Localizada em Minaçu, a jazida passa a ser controlada integralmente pela companhia dos EUA, com a meta de fornecer 6,4 mil toneladas anuais de óxidos até 2027.

A relevância da mina goiana reside na raridade de seus ativos. O projeto é um dos poucos no mundo capaz de extrair, em larga escala, uma combinação de elementos magnéticos pesados e leves, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Esses minerais são indispensáveis para ímãs de alta potência, utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos de ponta — setores que lideram a transição energética e que, atualmente, dependem majoritariamente da produção chinesa.

Negociação

O empreendimento, que já opera com contratos de fornecimento de longo prazo, projeta um salto financeiro expressivo, estimando alcançar um EBITDA de US$ 1,8 bilhão ao ano até o final desta década.

A conclusão da transação aguarda aprovação regulatória, prevista para o terceiro trimestre de 2026. Até lá, a USA Rare Earth e o Serra Verde Group iniciam a integração operacional para alinhar a extração em solo goiano aos padrões globais da adquirente.

O acordo também prevê mudanças na gestão: Thras Moraitis, atual CEO da Serra Verde, será incorporado à liderança global da nova estrutura, mantendo a expertise técnica brasileira no comando estratégico.

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Viabilidade e mercado

O otimismo dos investidores é sustentado por projeções de lucratividade anual entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões já nos primeiros anos. A segurança do negócio é reforçada por contratos de compra antecipada (off-take agreements), que já cobrem toda a produção inicial de determinados minerais.

Além da geração de royalties e tributos, a consolidação desse polo em Minaçu insere Goiás definitivamente na cadeia de suprimentos de alta tecnologia. O Brasil se posiciona, assim, como uma alternativa estratégica para o mercado ocidental, que busca diversificar fontes de suprimento diante da crescente demanda por soluções sustentáveis.

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