Muito antes de se tornar um dos cantores mais conhecidos do Brasil, Leonardo viveu uma situação improvável na noite goianiense: ao lado do irmão Leandro, ficou retido na portaria do estabelecimento de Maria Machadão porque os dois estavam sem dinheiro para gastar. O episódio aconteceu quando os irmãos estavam a caminho de uma apresentação e foi revelado pela empresária em entrevista exclusiva ao Mais Goiás. Como Maria não estava no local e ainda não havia celular, uma funcionária precisou tentar encontrá-la por telefone. No centro da confusão estava uma bebida: um Martini.
Leandro e Leonardo ficaram esperando na portaria
Maria conta que os irmãos chegaram ao estabelecimento antes de seguir para um show. Sem dinheiro para gastar, acabaram impedidos de prosseguir normalmente pela funcionária que estava na portaria, enquanto a dona da casa não aparecia. “A menina falou: ‘Vou abrir o portão para vocês porque vocês têm que pagar o Martini’”, recorda Maria ao narrar o episódio. A funcionária, então, tentou entrar em contato com ela para saber o que fazer.
O detalhe que hoje parece banal ajuda a situar a história no tempo: não havia WhatsApp, mensagem instantânea ou telefone celular à disposição. Maria precisou ser procurada por telefone enquanto Leandro e Leonardo aguardavam. “Não existia celular”, lembra a empresária. Quando finalmente conseguiu falar com a funcionária, autorizou a resolução do impasse.
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“Um dia nós vamos pagar esse Martini”
O episódio poderia ter terminado naquela noite, mas acabou se transformando em uma brincadeira particular. Segundo Maria, os irmãos disseram que um dia pagariam aquele Martini. Leandro e Leonardo conquistaram projeção nacional e se transformaram em uma das principais duplas sertanejas do país, mas a promessa não foi esquecida. Décadas depois, Maria diz que Leonardo continua “pagando” a mesma bebida cada vez que os dois se encontram.
“Toda vez que encontro com o Leonardo, ele tira a maior nota”, conta. Segundo Maria, a brincadeira acompanhou inclusive as mudanças das cédulas brasileiras. “Quando era R$ 10, era R$ 10. Quando foi R$ 20, R$ 20; quando R$ 50, R$ 50. Agora é R$ 200.” E ela sempre dá a mesma resposta: aquele dinheiro continua sendo o pagamento do Martini.
Uma amizade que atravessou décadas
O episódio aconteceu antes de outra história que liga Maria aos irmãos. Conforme revelou ao Mais Goiás, foram justamente Leandro e Leonardo que deram início à tradicional festa de aniversário de Maria Machadão, entre 1996 e 1997. A partir daquela primeira grande comemoração, outros artistas passaram a aparecer nas festas realizadas nos anos seguintes. Maria diz ter sido particularmente próxima de Leandro.
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Após a morte de Leandro, em 1998, o vínculo com Leonardo permaneceu. “Eu fui muito amiga de Leandro. E continuamos, eu e o Leonardo, assim, temos uma amizade”, afirma Maria. Hoje, segundo ela, os encontros são menos frequentes, mas a relação construída ao longo dos anos continua.
A ligação de Leonardo com o universo de Maria Machadão também apareceu publicamente décadas depois. Durante uma live realizada em 2020, Leonardo estava ao lado de Eduardo Costa quando o parceiro citou Maria Machadão ao falar sobre a reabertura dos estabelecimentos durante a pandemia.
O episódio ganhou repercussão nacional e mostrou como o nome de Maria continuava presente no imaginário ligado ao sertanejo.
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Do homem sem dinheiro para o Martini ao astro sertanejo
A dimensão da história aparece justamente quando se compara aquele episódio com o que aconteceu depois. Leandro e Leonardo alcançaram projeção nacional, e Leonardo seguiu carreira solo após a morte do irmão. A ligação da família com Goiás permanece presente até hoje — o Mais Goiás, por exemplo, localizou recentemente um vídeo de Pedro Leonardo ainda criança cantando em uma festa em Goiânia.
Para Maria, porém, existe uma lembrança de uma época anterior a tudo isso: dois irmãos chegando à sua porta sem dinheiro para gastar e esperando que alguém conseguisse encontrá-la por telefone. O Martini que motivou a situação já teria sido pago muitas vezes na brincadeira entre ela e Leonardo. A empresária, no entanto, parece não ter intenção de considerar a conta definitivamente encerrada.
Afinal, depois de tantas décadas, o Martini deixou de ser uma dívida e virou uma história.

