Com uma frota de mais de 5,1 milhões de carros, Goiás registrou 12 acidentes de trânsito por hora no decorrer de 2025. Ou seja, uma média de 288 por dia, totalizando 105.373 mil em 12 meses. Pelo menos 930 pessoas perderam a vida no período, de acordo com dados do Ministério dos Transportes.
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Em 2025, conforme o órgão, já foram registrados 15,8 mil sinistros, cerca de quatro acidentes por hora, envolvendo mais de 22,9 mil veículos. Em pouco mais de cinco meses, 132 pessoas perderam a vida nas vias e rodovias que cortam o estado.
Um dos últimos acidentes que entraram na estatística foi registrado na última segunda-feira (1º), quando cinco crianças, de 11 a 14 anos, morreram em uma grave colisão entre uma van escolar e um caminhão de gado, em Buriti de Goiás. Outros sete alunos ficaram feridos com o impacto.
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Goiânia lidera
Goiânia lidera a lista de cidades com o maior número de mortos em acidentes de trânsito. Dados levantados pela Delegacia Especializada em Investigações de Crimes de Trânsito de Goiânia (Dict) a pedido do Mais Goiás apontam que a capital registrou 254 óbitos nas vias da capital entre 2025 e 2026, sendo que 187 (73,6%) eram motociclistas.
Em 2025, a especializada investigou 203 óbitos – 154 eram motociclistas (75,8%). Em 2026, até abril, houve 51 mortes, das quais 33 (64,7%) eram passageiros ou condutores de motos. As principais vítimas são homens de 20 a 50 anos, de acordo com o delegado titular da Dict, Paulo Ludovico.
“A imprudência dos motoristas, não só dos motociclistas, é a principal causa da mortalidade no trânsito. Infelizmente, o goianiense tem, por hábito, não respeitar as sinalizações de trânsito, como os pares. Isso gera uma alta quantidade de sinistros, o que acarreta mais mortes”, explica o investigador.
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Paulo explica que, além da exposição do motociclista, que não possui proteção como condutores de carro, a alta da mortalidade entre o grupo também está diretamente ligada à quantidade de entregadores por aplicativo. Entidades como a Associação dos Motoristas de Aplicativos do Estado de Goiás (Amago) estimam que apenas na Região Metropolitana de Goiânia transitem cerca de 10 mil entregadores.
Outro fator ligado ao número de acidentes é o fluxo no trânsito da capital, responsável por deter 27,8% (1,42 milhão) da frota do estado, de 5,1 milhões, conforme o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran). O número de máquinas de transporte é equivalente a 94,9% da população da capital, estimada em 1,5 milhão pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“A nossa frota de motocicletas é considerada uma das maiores do Brasil, proporcionalmente ao número de habitantes. Isso se alinha ao excesso de velocidade e, em alguns casos, à ingestão de álcool”, afirmou Paulo.
Prevenção
O delegado conta que uma das formas de prevenir a mortalidade no trânsito é a educação, como o respeito às normas e a sinalização. Neste mês, conhecido como Maio Amarelo, o governo e as prefeituras têm realizado ações sociais para a conscientização do motorista.
“No ano passado tivemos um pequeno projeto chamado ‘Condutor Consciente’, no qual, foram publicadas dicas de segurança no trânsito e sobre a legislação, com o objetivo de diminuir as estatísticas. Não há outra forma de diminuir essa grande mortalidade a não ser dirigir com cuidado e respeitando as normas de trânsito”, concluiu.
Multas
Além dos sinistros, Goiás registrou uma multa de trânsito a cada oito segundos nas vias estaduais e federais que cortam o estado em 2026, de acordo com dados do Detran. No ano passado, o estado contabilizou 4,6 milhões de multas aplicadas.
Goiânia, assim no nos acidentes, é o município com a maior concentração de infrações de trânsito, com 509,5 mil. O número representa 32,8% do total registrado até o momento pelo Detran.
A Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) lidera a lista dos maiores multadores, com 392 mil penalidades aplicadas. A autarquia é seguida pela Prefeitura de Goiânia (302 mil), Prefeitura de Aparecida de Goiânia (194,9 mil), Detran (174,9 mil) e Polícia Rodoviária Federal – PRF (109,5 mil).
Domingo, sexta-feira e quinta-feira lideram os dias com a maior quantidade de infrações. Juntos, são responsáveis por 45% dos registros (699,1 mil). O desrespeito com as leis de trânsito ocorrem, principalmente, no período de 12 à 17h59, de acordo com o Detran.
Em relação aos veículos, os carros surpreendem ao liderarem com folga o número de multas. São 769.150 infrações, número 63,4% maior do que as motociclistas, que aparecem no segundo lugar do ranking com 281,6 mil penalidades. O pódio é completado por caminhonetes (232,2 mil), caminhonetas (69,4 mil) e utilitários (55,4 mil).


