Chirayu Rana recusou uma proposta de US$ 1 milhão feita pelo JPMorgan para resolver uma ação judicial que ele move contra a instituição e uma executiva. O caso, aberto em tribunal de Manhattan, em Nova York, envolve alegações de abuso sexual, coerção profissional e discriminação racial. Rana, que trabalhou como vice-presidente sênior na área de financiamento alavancado, apresentou a queixa após deixar o banco.
A oferta ocorreu em março durante mediações entre as partes. Rana não aceitou nem rejeitou formalmente de imediato. Ele apresentou uma contraproposta de US$ 11,75 milhões e seguiu com a ação. O processo ganhou repercussão após detalhes gráficos serem divulgados.
Acordo tentado antes da ação pública
O JPMorgan buscou resolver a disputa de forma privada para evitar exposição. A proposta equivalia a menos de dois anos da remuneração que Rana recebia no banco. Pessoas a par das negociações afirmam que o objetivo era conter danos à reputação de todas as partes envolvidas.
Rana ingressou com queixa interna de recursos humanos em maio de 2025. Ele alegou ter sofrido discriminação racial relacionada à sua origem nepalesa, além de assédio sexual por parte de uma colega de nível superior. O banco colocou-o em licença remunerada e abriu investigação interna.
- O banco entrevistou múltiplos funcionários durante a apuração
- Rana não teria cooperado plenamente com o processo, segundo o JPMorgan
- A instituição concluiu que não encontrou evidências que sustentassem as acusações
Detalhes da ação judicial
A ação nomeia Lorna Hajdini, diretora executiva do JPMorgan. Rana a acusa de tê-lo coagido a relações sexuais sob ameaça de prejudicar sua carreira. Ele afirma que o assédio começou em torno de maio de 2024, quando os dois trabalhavam juntos. Testemunhas anônimas, em declarações juramentadas, relatam ter visto interações inadequadas.
Hajdini nega todas as alegações. Seus advogados afirmam que nunca houve qualquer relação sexual ou romântica e que as acusações são fabricadas. O JPMorgan também declarou que a investigação interna não encontrou mérito nas queixas.
Rana deixou o JPMorgan e assumiu posição em uma firma de private equity em outubro de 2025. Ele foi dispensado dessa nova empresa em abril deste ano. A firma informou não ter conhecimento prévio das queixas contra o ex-empregador.

Investigação interna e desdobramentos
O banco revisou e-mails, registros e dispositivos durante a apuração. Fontes próximas ao caso indicam que Hajdini cooperou integralmente. Rana, por outro lado, teria fornecido poucos elementos concretos para verificação. O processo seguiu para mediação no início de 2026.
Após a recusa do acordo inicial, Rana apresentou queixa junto à Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos Estados Unidos. A ação no tribunal estadual de Nova York foi protocolada inicialmente com pseudônimo e sofreu ajustes técnicos antes de ser republicada. Dois depoimentos de testemunhas anônimas acompanham o processo.
Um dos relatos menciona um episódio em apartamento em Nova York, em setembro de 2024. Outro descreve supostas interações em eventos públicos. Rana também anexou documento médico que atesta diagnóstico de estresse pós-traumático.
Posição das partes envolvidas
O JPMorgan reforçou que as alegações carecem de fundamento. Em nota, o banco informou ter tentado acordo para evitar litígio longo e custos desnecessários. A instituição acredita que novas informações surgidas após a divulgação pública reforçam sua posição.
Advogados de Hajdini reiteraram a negativa total. Eles destacam que as afirmações não condizem com o histórico profissional da executiva, vista internamente como referência em iniciativas de inclusão feminina no setor financeiro.
Rana, por meio de seu advogado Daniel Kaiser, mantém a versão dos fatos. A defesa argumenta que o sigilo inicial visava proteger o cliente de exposição desnecessária. O caso continua tramitando na Justiça de Nova York.
Contexto do mercado financeiro
Casos de assédio e discriminação em Wall Street costumam ser resolvidos em sigilo. Instituições financeiras avaliam o custo de acordos versus o risco de processos públicos. Mesmo quando consideram as alegações infundadas, bancos optam por pagamentos para limitar danos à imagem.
Este episódio ganhou atenção extra por causa de detalhes explícitos que circularam em redes sociais. Vídeos gerados por inteligência artificial recriaram cenas descritas na ação. O debate se estendeu a programas de podcast e discussões online sobre credibilidade das partes.
Rana contratou advogado conhecido por representar vítimas em casos de alto perfil. O processo ainda pode gerar novas audiências e produção de provas. Ambas as partes permanecem em posições opostas sobre os fatos. O tribunal deve definir os próximos passos processuais nas próximas semanas.


