A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) anunciou a manutenção de sua projeção de uma temporada de furacões no Atlântico abaixo da média. A revisão final do prognóstico para o ano de 2026 é influenciada principalmente pela intensificação do fenômeno El Niño.
Especialistas do governo indicam que um padrão climático de El Niño “Super” muito intenso deve persistir até o outono. Essa condição atmosférica tende a inibir o desenvolvimento de tempestades tropicais no Oceano Atlântico, alterando os padrões de circulação que favorecem a formação desses sistemas.
A agência prevê a formação de 7 a 13 tempestades nomeadas, das quais 2 a 6 devem se transformar em furacões. Desse total, espera-se que 0 a 2 furacões atinjam a categoria principal (3 ou mais fortes). Essas estimativas já incluem as Tempestades Tropicais Arthur e Bertha, que se formaram no Golfo do México no início do verão.
Esses números representam uma leve redução em comparação com a previsão inicial da NOAA, divulgada em maio. Naquela ocasião, a agência projetava uma temporada também abaixo da média, com 8 a 14 tempestades nomeadas, 3 a 6 furacões e 1 a 3 furacões de grande intensidade.
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Entenda a comparação com uma temporada média de furacões
Para efeito de comparação, uma temporada de furacões no Atlântico considerada dentro da média registra tipicamente 14 tempestades nomeadas. Desse total, sete costumam evoluir para furacões, com três alcançando a classificação de grandes furacões.
A probabilidade de uma temporada abaixo da média foi elevada pela NOAA de 55% para 75%. Conforme comunicado da agência, se a temporada de furacões no Atlântico de 2026 realmente terminar abaixo do normal, seria apenas a segunda vez na última década sem atividades acima da média.

O impacto do El Niño na formação de tempestades
O fenômeno El Niño, de maneira geral, tem um efeito supressor na atividade de furacões na região do Atlântico. Ele faz parte do ciclo climático conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENSO), que envolve mudanças naturais na temperatura das águas do Oceano Pacífico central. Essas variações térmicas alteram a circulação atmosférica global.
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Temperaturas da água mais altas que a média no Pacífico equatorial central e oriental, características do El Niño, modificam a localização e a força da corrente de jato subtropical. Essa corrente, um cinturão de ventos muito rápidos na alta atmosfera, geralmente se torna mais potente e se estende até o Caribe e o Oceano Atlântico.
Ventos fortes inibem o desenvolvimento de furacões
Esses ventos intensos são o principal fator que dificulta o desenvolvimento de tempestades tropicais no Atlântico durante o El Niño. Condições atmosféricas mais calmas e com menor cisalhamento do vento são, de modo geral, mais favoráveis à formação e intensificação de furacões.
Um evento é classificado como “Super El Niño” quando as temperaturas da água na zona do El Niño atingem pelo menos 2 graus Celsius acima da média por no mínimo três meses consecutivos. Esses eventos, menos comuns que um El Niño típico, exercem uma influência significativa não apenas na temporada de furacões do Atlântico, mas também em outros padrões climáticos globais.
Intensidade recorde do Super El Niño
Um Super El Niño já se estabeleceu, com as temperaturas da água na zona do fenômeno atualmente 2,07 graus acima da média. Esse valor é mais alto do que o registrado em períodos semelhantes de outros eventos históricos de Super El Niño, como os de 2015, 1997, 1991 e 1982.
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De acordo com a NOAA, alguns modelos de previsão computadorizados sugerem que este El Niño pode se tornar o mais forte já registrado desde o início dos monitoramentos em 1950. A agência indicou em sua atualização de julho que o El Niño poderia alcançar condições historicamente fortes entre outubro e dezembro, com uma chance de 97% de persistir até a primavera do próximo ano. No entanto, a NOAA ressaltou que um evento de El Niño sem precedentes poderia gerar impactos atmosféricos nunca antes observados.

Previsões de outras instituições confirmam tendência
O desenvolvimento do El Niño neste ano foi bem previsto pela NOAA e por outras agências. As principais questões eram a velocidade de sua intensificação e a força que alcançaria. A projeção da NOAA encontra paralelo com a previsão de agosto da Colorado State University (CSU), divulgada em 22 de julho de 2026. A CSU, pioneira em previsões de temporada de furacões desde 1984, indicou 9 tempestades nomeadas, 4 furacões, incluindo 1 grande (Categoria 3 ou superior) para este ano.
Apesar da expectativa de que um El Niño tão forte praticamente paralise a formação de furacões em águas abertas do Atlântico, o fenômeno ainda pode permitir o surgimento de sistemas tropicais “caseiros”. Essas tempestades são formadas no norte do Golfo do México e ao longo da costa sudeste, e tendem a ser mais fracas e de menor duração em comparação com as que se desenvolvem mais longe no Atlântico. Contudo, geralmente apresentam prazos de alerta mais curtos antes de seus impactos.
A importância de manter um plano de furacões ativo
Mesmo com as projeções de uma temporada de furacões menos ativa, a NOAA e o especialista em furacões Bryan Norcross enfatizam a importância de que a população tenha um plano de furacões em vigor. Eles alertam que, mesmo em temporadas com menos tempestades, basta uma única para causar impactos significativos e prejuízos consideráveis.

