A discussão sobre a gratuidade no transporte público brasileiro alcançou um novo patamar de importância no início de 2026. A pauta, antes considerada restrita a pequenos municípios ou movimentos sociais, agora ganha espaço central nas deliberações do Congresso Nacional e nas principais capitais do país. Atualmente, mais de 180 cidades brasileiras já implementaram alguma modalidade de tarifa zero, seja de forma integral ou parcial, mostrando a viabilidade da iniciativa.
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Discussão no congresso nacional avança com proposta de novo marco legal
O Projeto de Lei nº 3.278/2021 é o principal impulsionador do debate em 2026. Este texto propõe o Novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo e está em votação na Câmara dos Deputados desde fevereiro de 2026. A proposta não estabelece a obrigatoriedade da gratuidade, mas visa criar a base jurídica necessária para que prefeituras e estados possam desvincular o custo do sistema do valor pago pelos usuários. A intenção é trocar o formato de “pagamento por passageiro” por “pagamento por serviço prestado”, buscando incentivar a qualidade e a regularidade dos veículos em vez de apenas focar na lotação.
Resultados positivos do programa dominical com tarifa zero em São Paulo
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Na capital paulista, o “Domingão Tarifa Zero”, lançado no final de 2023, consolidou-se como um estudo de caso bem-sucedido. Dados da Prefeitura de São Paulo indicam que o programa já atendeu mais de 200 milhões de passageiros que utilizaram o transporte gratuitamente aos domingos. O impacto é particularmente notável nas áreas periféricas: linhas que conectam distritos como Jardim Ângela e Capão Redondo ao centro registraram um aumento de demanda superior a 30%, facilitando o acesso a parques e centros culturais que, antes, eram difíceis de alcançar para famílias de baixa renda devido ao custo da passagem.
Como as cidades planejam financiar a gratuidade do transporte público
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Apesar do entusiasmo com os resultados, o desafio do financiamento permanece como um ponto crucial. Especialistas argumentam que o transporte deve ser custeado de forma similar à saúde e à educação: por meio de impostos e contribuições sociais. Entre as ideias em análise, estão a utilização de verbas arrecadadas com multas de trânsito, a imposição de taxas sobre o uso do sistema viário por veículos particulares e a adoção de modelos semelhantes ao da França, onde empresas contribuem com uma taxa de mobilidade para subsidiar o deslocamento de seus funcionários.
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Cidades que implementaram a gratuidade total, como Maricá (RJ) e Caucaia (CE), demonstram que o valor economizado pelos trabalhadores com passagens é injetado imediatamente no comércio local. Além disso, a tarifa zero contribui para a diminuição do número de automóveis nas ruas, o que resulta em custos menores para o estado em saúde pública (devido a menos acidentes) e na manutenção das vias. A questão principal agora não é mais sobre a eficácia da medida, mas sim sobre como estabelecer fontes de custeio perenes para que o sistema não dependa exclusivamente da vontade política dos gestores em cada mandato.

