Chacina no MT deu origem a cadastro de agressores de mulheres

Redação
By
7 Min Read
Chacina no MT deu origem a cadastro de agressores de mulheres

Crime ocorrido em 2023 levou deputada goiana a propor banco de dados com informações de condenados. Medida aguarda sanção presidencial

Foto Matéria (3)

Episódio ocorreu quando um homem que já possuía passagem por crime sexual invadiu uma residência (Foto: Arquivo/ABr)

Felipe Cardoso

A ideia de criação de um cadastro nacional de agressores condenados por crimes de violência contra mulheres, aprovado em definitivo pelo Senado na última terça-feira (28/4), tem origem em uma chacina praticada no Mato Grosso (MT), em 2023. A proposta, que agora depende apenas de sanção presidencial, foi apresentada no Congresso após a chamada ‘Tragédia de Sorriso’. A autoria do dispositivo é da deputada federal por Goiás Silvye Alves (União Brasil).

SAIBA MAIS:

  • ‘Morri junto com elas’, diz pai de família brutalmente assassinada em Sorriso, MT
  • Homem que matou jornalista em Mineiros é condenado

‘Tragédia de Sorriso (MT)’

O episódio ocorreu quando um homem que já possuía passagem por crime sexual invadiu uma residência no município mato-grossense, onde estuprou e matou uma mulher e suas três filhas. O caso ganhou repercussão nacional e chocou o país pela violência.

Menos de 24 horas após o crime, o suspeito foi preso pela Polícia Civil. Em agosto do ano passado, o Tribunal do Júri condenou Gilberto Rodrigues dos Anjos a 225 anos de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e feminicídio.

Cadastro de agressores de mulheres

Segundo a autora do projeto, a situação evidenciou falhas na circulação de informações sobre agressores, especialmente pelo autor já ter respondido por crime sexual anteriormente.

“A partir do momento que o cadastro passa a existir, imagine quantas mulheres não serão salvas no Brasil. Mulheres, meninas estarão mais protegidas ao saberem quem são os agressores, quem são os estupradores, quem são os feminicidas. É uma maneira de combater o feminicídio que se alastrou por todo país”, argumentou a deputada ao comentar a iniciativa.

foto materia 2 Chacina no MT deu origem a cadastro de agressores de mulheres
Matéria foi aprovada por unanimidade no Senado e segue para avaliação presidencial (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O texto aprovado prevê a criação de um banco de dados com informações como nome completo, documentos pessoais, identificação biométrica, endereço, tipo de crime cometido e a relação entre agressor e vítima. Serão incluídos apenas nomes de condenados com trânsito em julgado, ou seja, quando não há mais possibilidade de recurso. A matéria segue agora para análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que poderá sancionar ou vetar o texto.

Violência contra mulher

A proposta surge em um cenário de crescimento nos registros de violência contra a mulher. Dados do Painel Interativo de Violência Contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que Goiás contabilizou 55.689 novos processos até novembro de 2025, número superior aos 50.042 casos registrados em todo o ano de 2024.

No mesmo período, a Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 recebeu 10.297 denúncias e pedidos de orientação no estado, que ocupa a 7ª posição no ranking nacional de crimes de violência doméstica.

VEJA AINDA:

  • Goiás registra dois feminicídios no final de semana
  • Estudo aponta 316 feminicídios e tentativas em Goiás e acende alerta sobre avanço da violência

Até o fim de 2025, 60 mulheres foram vítimas de feminicídio em Goiás, repetindo o total do ano anterior. Em 2026, contudo, os quatro primeiros meses já somam metade das ocorrências registradas em todo o ano passado, indicando nova escalada.

Alerta contra feminicídios

Há um mês, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) revelou que 316 mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa de feminicídio em Goiás, em 2025. O número representa aumento de 19 casos em relação a 2024 e confirma tendência de crescimento também no País, onde foram registrados 6.904 ocorrências, o maior total desde o início da pesquisa, que está na terceira edição e reúne dados oficiais e monitoramento independente.

foto materia Chacina no MT deu origem a cadastro de agressores de mulheres
Mulher participa de movimento em combate ao feminicídio (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

A taxa goiana subiu de 8 para 8,5 ocorrências por 100 mil mulheres em um ano. Apesar de o crescimento ser menor que a média nacional, o índice ainda é considerado alto. Segundo a pesquisa, o indicador estadual supera o de mais de quinze unidades da federação.

Medida em Goiás

Diante do avanço dos indicadores, o governo de Goiás também anunciou medidas na tentativa de conter a violência. Tramita na Assembleia Legislativa projeto de lei assinado pelo governador Daniel Vilela (MDB) que obriga acusados ou condenados por violência doméstica que utilizam tornozeleira eletrônica a arcar com o custo do equipamento.

“O preço da tornozeleira não vai mais cair no bolso da população. O metido a valentão que teve coragem de atentar contra a mulher vai ter que pagar a própria conta”, afirmou o governador ao falar sobre o assunto.

Segundo Daniel, a medida busca corrigir o que considera uma distorção no atual modelo por meio de compensação financeira aos cofres do estado. “O justo é que o covarde que tem a ousadia de ameaçar ou agredir uma mulher banque esse gasto”, continuou Daniel.

Atualmente, a Polícia Penal de Goiás gerencia o monitoramento de aproximadamente 10 mil tornozeleiras eletrônicas e 625 botões do pânico.

VEJA TAMBÉM:

  • “Valentão vai ter que pagar por tornozeleira em Goiás”, diz Daniel
  • Veja quanto pode ser cobrado pelo uso da tornozeleira eletrônica em Goiás
Compartilhe