Caso Daiane: Justiça define se síndico acusado de matar corretora vai a júri popular

Redação
By
6 Min Read
Caso Daiane: Justiça define se síndico acusado de matar corretora vai a júri popular

Acusado de emboscada motivada por desavença comercial, réu teve pedidos de liberdade negados pela Justiça de Caldas Novas

Imagem do acusado e da vítima

A investigação ganhou contornos definitivos quando o síndico confessou o assassinato e indicou o local onde havia escondido o corpo de Daiane (Divulgação: PCGO / Redes Sociais)

Inglid Martins

O síndico Cléber Rosa de Oliveira, acusado de matar e ocultar o corpo da corretora Daiane Alves, passou nesta quarta-feira (6/5) pela primeira fase da audiência de instrução, onde a Justiça decidirá se ele será levado a júri popular. Durante a sessão, que durou mais de cinco horas em Caldas Novas, 13 testemunhas foram ouvidas, todas arroladas pela acusação. O rito processual, que busca confirmar os indícios de autoria e materialidade do crime, terá continuidade em julho, quando a magistrada deverá proferir a sentença de pronúncia sobre o julgamento do réu.

Cléber confessou o crime no último 28 de janeiro, antes de levar a polícia a uma zona de mata às margens da GO-213, onde ocultou o corpo da corretora. Daiane Alves foi considerada desaparecida por 40 dias, em um caso que comoveu Goiás e ganhou repercussão nacional.

Em razão da alta complexidade do caso, a sessão de instrução e julgamento começou por volta das 13h30 e se estendeu até depois das 19h. Durante a tarde, a juíza responsável ouviu as testemunhas de acusação, que detalharam as circunstâncias que envolveram o desaparecimento e a morte da corretora de imóveis.

O objetivo desta fase é o chamado “juízo de admissibilidade”. Ou seja, a magistrada não decide agora se o réu é culpado ou inocente, mas avalia se as provas apresentadas pelo Ministério Público são sólidas o suficiente para que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri, formado por sete cidadãos comuns.

Imagem da câmera de segurança
A investigação encontrou provas de que o réu tentou se desfazer de objetos pessoais da vítima (Foto: reprodução)

Leia mais sobre o caso

  • Ataque contra Daiane: Veja o último vídeo registrado por corretora morta por síndico em Caldas Novas
  • Caso Daiane: PC investiga possível sequestro de corretora em porta-malas, em Caldas Novas
  • Vídeo: Depoimento de corretora desaparecida em Caldas Novas detalha conflito com síndico

Continuação em julho

Embora a primeira etapa tenha sido concluída, o desfecho do rito terá ainda uma segunda etapa da audiência de instrução já foi agendada para o mês de julho, ainda sem data específica divulgada. Nesta nova fase, deverão ser concluídas as oitivas restantes e o interrogatório do réu.

Cléber Rosa de Oliveira responde pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Caso a juíza decida pela “pronúncia”, ele será oficialmente encaminhado ao banco dos réus para enfrentar o veredito popular.

Imagens encontradas no celular da vítima
Imagens encontradas no celular da vítima que gravou o momento do ataque (Divulgação PCGO)

Emboscada e motivação do crime

O crime aconteceu em 17 de dezembro de 2025, quando Daiane desapareceu após descer ao subsolo do condomínio onde morava e trabalhava. Segundo as investigações, segundo o processo, a corretora foi atraída para uma emboscada, ao ter energia de seu apartamento cortada propositalmente para que ela fosse ao encontro do agressor.

A motivação, conforme o inquérito policial, foi uma desavença profissional. Daiane havia assumido a gestão de diversos apartamentos que antes eram administrados pelo síndico, o que gerou uma disputa comercial no setor imobiliário local. Ela foi assassinada com disparos de uma pistola calibre .380.

Fotos da perícia
Após dias de buscas, os restos mortais de Daiane Alves foram localizados em uma área de mata fechada (Divulgação PCGO)
  • MP denuncia síndico por perseguição contra corretora que desapareceu em condomínio de Caldas Novas
  • Perícia usa vestígios de DNA para esclarecer sumiço de corretora em Caldas Novas

Caso Daiane

A investigação avançou após o síndico confessar o crime e indicar o local onde havia ocultado os restos mortais, em uma área de mata. Outro ponto crucial para a perícia técnica foi a localização do celular da vítima, encontrado dentro da caixa de esgoto do condomínio — uma tentativa de destruir evidências digitais. No entanto, vídeos recuperados do aparelho registraram o momento do ataque, servindo como prova material contundente contra o acusado.

Imagem da prisão
Filho do síndico, chegou a ser detido sob suspeita de participação no crime (Divulgação: PCGO)

Na época do crime, o filho do síndico, Maicon Douglas, também chegou a ser detido sob suspeita de envolvimento, mas foi solto pouco tempo depois por falta de indícios que justificassem a manutenção da prisão. Atualmente, Cléber permanece em prisão preventiva, uma vez que a Justiça de Caldas Novas rejeitou os pedidos de liberdade da defesa, citando a gravidade da conduta.

Leia também

  • Corretora acusou síndico de agressão e perseguição antes de desaparecer, em Caldas Novas
  • Vídeo: Depoimento de corretora desaparecida em Caldas Novas detalha conflito com síndico
  • Perícia usa vestígios de DNA para esclarecer sumiço de corretora em Caldas Novas
Compartilhe