Autoridades de saúde da Carolina do Sul declararam na segunda-feira o fim do maior surto de sarampo nos Estados Unidos desde 1991. O estado completou 42 dias sem novos casos relatados no domingo. Ao longo de seis meses, a partir de outubro passado, 997 pessoas foram infectadas, a maioria crianças não vacinadas. Pelo menos 21 foram hospitalizadas com complicações da doença.
A contenção do surto foi resultado de investigações rápidas, identificação de expostos e isolamento voluntário, segundo Edward Simmer, diretor interino do Departamento de Saúde Pública estadual. “Esta foi uma resposta exemplar”, afirmou. O vírus permaneceu circunscrito à região noroeste, nunca se espalhando pelo restante do estado.
Epicentro em Spartanburg com baixa imunização

O Condado de Spartanburg foi o epicentro do surto. A maioria das escolas da região apresentava taxas de vacinação contra sarampo abaixo do limite de 95% necessário para prevenir disseminação. Brannon Traxler, do departamento estadual de saúde, destacou que o aumento na vacinação durante a crise ajudou a conter o avanço. Mesmo assim, bolsões de população sem imunidade continuam existindo. “O risco persiste”, alertou Traxler.
A resposta das famílias foi gradual. Martha Edwards, presidente da filial da Carolina do Sul da Academia Americana de Pediatria, relata que pediatras receberam solicitações renovadas de vacinação após vizinhos vivenciarem a gravidade da doença. “As famílias que tiveram sarampo espalharam a notícia de que não era uma doença fácil. Era muito difícil, elas ficavam muito preocupadas”, disse Edwards.
Complicações graves do sarampo incluem amnésia imunológica
O sarampo pode evoluir para pneumonia, inchaço cerebral e, em casos raros, morte. Traxler mencionou que embora muitos casos sejam leves, a doença pode ser fatal ou deixar sequelas duradouras. Três pessoas morreram por sarampo no ano passado, incluindo duas crianças em idade escolar no Texas.
Uma das complicações mais alarmantes é a amnésia imunológica, fenômeno no qual o vírus destrói partes do sistema imunológico, deixando crianças vulneráveis a novas infecções por vários anos. Crianças infectadas antes dos 2 anos de idade correm risco maior de desenvolver doença neurológica degenerativa fatal, manifestada normalmente entre sete e dez anos após a infecção.
Novos surtos já eclodem em outros estados
Apesar do fim do surto na Carolina do Sul, mais de 20 novos focos foram relatados em 2024 nos Estados Unidos. Texas, Flórida e Utah registram grandes surtos, cada um com mais de 100 casos confirmados. O panorama nacional é preocupante: as taxas de vacinação caíram em todo o país.
Dados do CDC mostram que 92,5% das crianças em idade pré-escolar receberam a vacina contra sarampo no ano letivo 2024-2025. Em muitas comunidades, porém, esses índices são significativamente menores, criando condições para disseminação rápida. Especialistas afirmam que basta uma faísca para iniciar o problema.
Recorde de casos ameaça status de país livre da doença
O ano passado registrou 2.288 casos de sarampo — o maior número desde 2000, quando a doença foi declarada eliminada nos EUA. Essa designação técnica reconhece países que passaram um ano sem cadeia contínua de transmissão.
Esse status agora está sob ameaça. Com 1.792 casos confirmados até o momento em 2024, segundo o CDC, os EUA caminham para superar o recorde do ano anterior. Se a tendência persistir, o país perderá a designação de eliminação da doença, revertendo ganhos epidemiológicos de duas décadas.
- Dados de sarampo e vacinação no contexto atual:
- Vacinação pré-escolar nacional em 2024-2025: 92,5%
- Casos de sarampo em 2023: 2.288 (recorde desde 2000)
- Casos até agora em 2024: 1.792 confirmados
- Surtos ativos em 2024: mais de 20 nos EUA
- Surtos maiores: Texas, Flórida e Utah (cada um com mais de 100 casos)
- Infectados no surto de Carolina do Sul: 997 pessoas
- Hospitalizações no surto estadual: 21 casos
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