O ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, defendeu na comissão parlamentar a aquisição de material anti-drones no valor de 50 milhões de euros. A compra ocorreu sem procedimento de licitação pública após uma série de avistamentos suspeitos no outono de 2025.
Os incidentes envolveram sobrevoos relatados em locais sensíveis, como bases militares e aeroportos. O governo justificou a urgência pela necessidade de proteger infraestruturas críticas.
Avistamentos ocorreram em bases militares e aeroportos
Entre o final de outubro e meados de novembro de 2025, autoridades registraram múltiplos relatos de drones. Sites como o campo militar de Elsenborn, a base de Kleine-Brogel e o aeroporto de Bruxelas-National foram afetados.
Em alguns casos, os sobrevoos levaram à suspensão temporária de operações aéreas em Bruxelas e Liège. O Serviço Geral de Renseignement et de Sécurité analisou os episódios. Dos registros em quartéis militares, 42 casos não tiveram outra explicação plausível além da presença de drones, segundo o ministro.
- Incidentes semelhantes foram relatados em outros países europeus na mesma época.
- Um navio russo suspeito foi observado nas águas belgas durante o período.
- O contexto incluiu debates sobre bens russos congelados na Euroclear.
A compra envolveu sistemas de detecção, interferência e neutralização. O material foi adquirido de quatro empresas belgas e uma estrangeira. A instalação em sites prioritários já foi concluída, com o restante previsto até junho de 2026.
Imagem compartilhada com imprensa era de helicóptero da polícia
Theo Francken admitiu que uma foto enviada a um jornal flamenco mostrava um helicóptero da polícia em operação de busca, e não um drone. Ele afirmou ter recebido a imagem de serviços de inteligência e só descobrir o erro depois.
O ministro descreveu o episódio como doloroso. Deputados da oposição questionaram a verificação prévia da imagem antes da divulgação. Francken rejeitou acusações de comunicação inadequada.

Gasto foi feito por procedimento de urgência
A lei belga de 2011 permite compras sem licitação em casos de defesa e segurança quando há urgência. O Conselho de Ministros aprovou o plano após parecer da comissão parlamentar de compras militares.
O ministro insistiu que o plano anti-drones já existia antes dos incidentes. A decisão de acelerar a execução decorreu da avaliação de risco. Ele negou ter ignorado parecer negativo da Inspeção das Finanças.
- Critério principal foi entrega rápida do equipamento compatível com sistemas existentes.
- Três fatores orientaram a escolha dos fornecedores: garantia de fornecimento, prazo curto e interoperabilidade.
- Instalação em quartéis militares prossegue conforme cronograma.
Oposição cobra explicações sobre custos e conflitos de interesse
Deputados questionaram o valor total e a ausência de concorrência pública. Alguns apontaram possível proximidade entre o ministro e dirigentes de empresas contratadas, como a Senhive, de Hasselt.
Francken reconheceu contato anterior com um dos responsáveis, mas negou qualquer favorecimento. Ele classificou acusações de corrupção ou “política de amizades” como infundadas e de baixo nível. O ministro afirmou que todas as decisões seguiram a lei.
Uma informação judicial foi aberta para analisar o processo de compra. O Ministério Público Federal investiga também os incidentes com drones. Até o momento, não há prova conclusiva sobre a origem dos aparelhos.
Contexto de tensão europeia influenciou resposta
Os avistamentos ocorreram em um período de preocupação com segurança aérea em vários países. A Bélgica enfrentou pressão para reforçar defesas, especialmente em bases que abrigam ativos da OTAN.
O ministro lembrou que apenas a Suécia conseguiu atribuir de forma conclusiva um drone a uma origem específica até então. A falta de equipamentos adequados antes dos investimentos dificultou identificações precisas.
A controvérsia continua na comissão de Defesa. Partidos de oposição pedem auditoria adicional e bloqueio de novas aquisições até esclarecimentos completos.


