Brasil alcança índice de 0,805 e entra no grupo de desenvolvimento humano muito alto

Redação
By
4 Min Read
Brasil alcança índice de 0,805 e entra no grupo de desenvolvimento humano muito alto

O Brasil atingiu em 2024 um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, conquistando pela primeira vez a classificação de país com muito alto desenvolvimento humano. O avanço representa crescimento de 0,061 pontos desde 2012, quando o índice marcava 0,744. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) através do “Radar IDHM”.

O índice mede três dimensões fundamentais: longevidade, educação e renda. Varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. A conquista reflete décadas de políticas públicas consistentes nas áreas de educação, saúde e geração de renda, alcançando todos os 27 estados.

Disparidades raciais e de gênero persistem

Apesar do progresso geral, os avanços foram desiguais entre diferentes grupos da população. A distância entre brancos e negros diminuiu ao longo dos anos, mas permanece significativa. Pessoas brancas atingiram 0,851 (muito alto desenvolvimento humano), enquanto pessoas negras ficaram em 0,774 (alto desenvolvimento humano).

O mesmo padrão repete-se entre homens e mulheres. Homens alcançaram 0,802 (muito alto desenvolvimento humano), enquanto mulheres chegaram a 0,798 (alto desenvolvimento humano). Quando o índice é ajustado pela renda do trabalho, as disparidades de gênero tornam-se ainda mais evidentes.

A marcante desigualdade racial no Brasil permanece refletida pelos diferentes patamares alcançados entre a população negra e branca, com a primeira situando-se sempre uma faixa abaixo da segunda em desenvolvimento humano.

Desempenho dos estados

Todos os 27 estados não apenas se recuperaram dos efeitos da pandemia, mas registraram progresso em relação aos níveis pré-pandêmicos. Dez unidades federativas já alcançaram o nível mais alto da escala, enquanto as outras 17 estão no patamar de alto desenvolvimento.

Os melhores resultados foram:

  • Distrito Federal: 0,866
  • São Paulo: 0,838
  • Santa Catarina: 0,833

Os menores índices ficaram com:

  • Maranhão: 0,745
  • Alagoas: 0,746
  • Acre: 0,754

Variações nas dimensões avaliadas

Em cada uma das três dimensões do IDHM, as diferenças entre os estados são consideráveis. Na expectativa de vida ao nascer, o Amapá marca 74,32 anos enquanto o Distrito Federal alcança 79,75 anos, uma diferença de mais de 5 anos.

Na educação, a população paraibana com 18 anos ou mais com ensino fundamental completo corresponde a 59,14%, enquanto no Distrito Federal esse percentual sobe para 83,38%. A disparidade na renda domiciliar per capita também é acentuada. O Maranhão apresenta R$ 482,46, ao passo que o Distrito Federal atinge R$ 1.465,10.

Mudanças no panorama da desigualdade

Em 2012, o Brasil estava classificado como país de baixo desenvolvimento humano quando considerada a desigualdade. Doze anos depois, a nação avançou para o patamar de médio desenvolvimento humano nessa métrica específica. Esse progresso indica que, embora ainda exista distância significativa entre grupos populacionais, houve melhora na distribuição dos indicadores de desenvolvimento.

O Pnud ressalta que o dado de 2024 evidencia o quanto o desenvolvimento humano brasileiro permanece distante de uma parcela da população que não se representa pela média nacional. As variações regionais e entre grupos demográficos demonstram que o crescimento do índice não foi uniforme, refletindo desafios estruturais que persistem em diferentes territórios.

Compartilhe