Levantamento indica que mais de 95% dos brasileiros tiveram conhecimento da troca de mensagens entre o senador e o ex-banqueiro
Essa é a primeira pesquisa nacional feita após a divulgação da mensagem enviada pelo senador (Foto: Bruno Perez/ABr)
Mais da metade dos brasileiros que acompanharam as notícias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) nos últimos dias acreditam que ele está diretamente envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master. É o que aponta pesquisa do instituto Atlas/Bloomberg divulgada na manhã desta terça-feira (19/5).
Segundo o levantamento, mais de 95% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento do áudio enviado pelo senador ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os que tiveram acesso à informação, 51,7% avaliam que o parlamentar está diretamente envolvido nas irregularidades investigadas.
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Na gravação, divulgada com exclusividade pelo The Intercept Brasil, o senador negocia o repasse de R$ 134 milhões para a produção do filme ‘Dark Horse’, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Do total negociado, R$ 61 milhões já teriam sido enviados aos Estados Unidos.
Para 33,3% dos entrevistados, a troca de mensagens representa uma tentativa legítima de buscar apoio financeiro para o longa. Outros 12,1% consideram que o áudio revela proximidade entre o senador e o dono do banco, mas sem comprovação de ilegalidade. Já 2,9% não souberam responder.
Interpretação do conteúdo
A pesquisa também questionou como os brasileiros interpretam o conteúdo da conversa. Para 54,9%, o diálogo representa “evidências obtidas em investigação legítima sobre irregularidades”. Outros 33% avaliam que se trata de uma “tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro”. A opção “ambos por igual” foi escolhida por 9,7%, enquanto 2,5% não souberam opinar.

Quanto à percepção sobre quais grupos políticos estariam mais envolvidos no esquema, 43,3% apontaram “principalmente os aliados de Bolsonaro”. Em seguida aparecem “principalmente os aliados de Lula”, com 32,8%; “todos estão igualmente implicados”, com 16,1%; e “principalmente o Centrão”, com 7,1%. Apenas 0,7% responderam “não sei”.
Impacto eleitoral
O instituto também mediu o impacto do episódio na pré-candidatura do senador à Presidência da República. Questionados se ficaram mais ou menos dispostos a votar nele, 47,1% responderam que “já não votariam nele de qualquer forma”. Outros 21% disseram que o caso “não afeta” sua disposição de voto.
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Entre os que indicaram mudança positiva, 13,7% afirmaram estar “muito mais dispostos” a votar no senador, e 5,1% disseram estar “mais dispostos”. Por outro lado, 9,4% declararam estar “muito menos dispostos” e 3,6%, “menos dispostos” a apoiá-lo.
Foram ouvidas 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos próprios e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.


