Uma nova petição protocolada na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington, trouxe à tona relatos de policiais penais sobre conversas no presídio de Tremembé. O documento menciona o nome de Antônio Nardoni, pai de Alexandre Nardoni, como possível mentor do assassinato de Isabella Nardoni em 2008.
A Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, presidida por Agripino Magalhães, é responsável pela iniciativa. O texto pede reabertura de investigações, prisão preventiva de Antônio Nardoni e acompanhamento presencial do caso pela corte internacional.
Relatos de policiais penais baseiam a petição

Policiais penais que atuavam na unidade prisional de Tremembé teriam ouvido declarações de Anna Carolina Jatobá. Segundo o documento, ela teria indicado que agiu por ordem de “daquele véio”. Um gesto com a cabeça confirmaria a referência ao sogro quando questionada diretamente.
Os depoimentos sigilosos foram anexados à petição. Pelo menos três servidores teriam presenciado os diálogos. A associação sustenta que as informações revelam participação direta de Antônio Nardoni tanto no planejamento quanto na execução do crime.
- Depoimentos sigilosos de policiais penais que trabalharam em Tremembé
- Gestos e respostas emocionais de Jatobá durante as conversas
- Acusação de orientação para alterar a cena do crime após o fato
- Pedido de quebra de sigilos telefônicos para comprovar fraude processual
- Solicitação de medidas de proteção às testemunhas
Defesa da família nega as alegações
A família Nardoni rechaçou as novas acusações. A defesa informou que vai tomar medidas judiciais contra os autores dos depoimentos. Antônio Nardoni negou qualquer envolvimento no caso.
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá cumprem pena em regime aberto. Eles foram condenados pelo Tribunal do Júri em 2010. Alexandre recebeu 31 anos e um mês de prisão. Jatobá foi sentenciada a 26 anos e oito meses.
Pedidos incluem acompanhamento internacional
A petição solicita que a CIDH acompanhe o caso de forma presencial. O advogado Angelo Carbone representa a associação na ação. O documento também pede análise de possível fraude processual na investigação original.
Agripino Magalhães defende urgência nas providências. Ele argumenta que as novas informações justificam revisão do julgamento. A entidade já havia questionado decisões judiciais paulistas em outras instâncias.
Repercussão em Alphaville e região
Moradores de bairros como Alphaville, em São Paulo, demonstraram apreensão com a liberdade do casal. A circulação de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá gerou debates nas redes e em grupos locais.
A denúncia revive discussões sobre o caso que chocou o país em março de 2008. Isabella tinha cinco anos quando morreu após cair do apartamento no sexto andar. O edifício fica na Zona Norte da capital paulista.
Detalhes da condenação original
O júri entendeu que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá mataram a menina. O corpo foi encontrado na calçada do prédio. Peritos apontaram lesões compatíveis com espancamento antes da queda.
A sentença considerou agravantes como a idade da vítima e o vínculo familiar. Os condenados cumpriram parte da pena em regime fechado e semiaberto antes de progredir para o aberto.
Investigação inicial descartou terceiro
As apurações da Polícia Civil e do Ministério Público na época não indiciaram Antônio Nardoni. A hipótese de participação dele foi analisada, mas não prosperou por falta de provas.
Especialistas consultados por veículos de imprensa lembram que suspeitas semelhantes circularam logo após o crime, sem sustentação para ação penal. A nova petição tenta reabrir esse debate por via internacional.
O que a CIDH pode fazer
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos recebe denúncias de violações em países membros da OEA. O Brasil integra o órgão. Casos como este passam por análise preliminar antes de possível admissibilidade.
O processo pode levar anos. A corte não tem poder de prisão direta, mas recomendações influenciam autoridades nacionais. A associação pede medidas cautelares urgentes.
O caso Isabella Nardoni continua a gerar comoção. A nova denúncia adiciona uma camada de complexidade ao que já foi um dos crimes mais acompanhados pela opinião pública brasileira.


