DUAS VERSÕES
Investigação concluiu que suspeito criou personagem chamada “Lorena” para sustentar versão apresentada na delegacia. Esposa estava no carro, mas não dirigia a caminhonete

Esposa do advogado que provocou acidente teria armado confusão e precisou ser retirada do local. Suspeito aproveitou para inventar mulher fictícia para escapar de prisão em flagrante após acidente que matou motociclista (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
O advogado Joaquim Brito Neto Junior, de 32 anos, preso por causar o acidente que matou o motociclista Gustavo Pacheco Guimarães, de 28 anos, em Rio Verde, inventou a existência de uma mulher chamada “Lorena” para escapar da prisão em flagrante. Segundo a Polícia Civil, o suspeito criou a história durante o depoimento na delegacia ao afirmar que havia conhecido a suposta mulher naquela noite e entregado a direção da caminhonete a ela porque havia ingerido bebida alcoólica. A investigação, porém, concluiu que essa pessoa nunca existiu.
De acordo com o delegado Adelson Candeo, a versão foi criada para aproveitar uma informação que já circulava entre testemunhas no local do acidente. Populares relataram ter visto uma mulher deixando o banco do motorista após a colisão, o que inicialmente levantou dúvidas sobre quem conduzia a caminhonete.
No entanto, as imagens de câmeras de segurança esclareceram toda a dinâmica. Os vídeos mostram que Joaquim dirigia o veículo no momento em que avançou a placa de “Pare” e atingiu a moto de Gustavo. A mulher vista no local era, na verdade, sua esposa, a advogada Joelma, que ocupava o banco do passageiro durante o acidente.

Segundo o delegado, Joaquim chegou a assumir para os policiais militares, ainda no local da colisão, que era o motorista da caminhonete. O teste do bafômetro realizado logo em seguida confirmou que ele dirigia sob efeito de álcool, registrando 0,54 miligrama de álcool por litro de ar expelido. A versão mudou apenas quando ele foi levado para a delegacia.
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“Ele não disse que era a esposa quem dirigia. Na delegacia, inventou uma mulher chamada Lorena, disse que a conheceu naquela noite e que havia entregue a direção do carro para ela porque tinha bebido. Mas não sabia dizer onde ela morava, não tinha telefone, não tinha nenhuma informação. Essa Lorena simplesmente não existe”, afirmou o delegado.
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Segundo a investigação, a estratégia funcionou naquele momento porque coincidiu com relatos de testemunhas que afirmavam ter visto uma mulher deixando o banco do motorista logo após a batida. Diante dessa dúvida, o delegado de plantão optou por não lavrar a prisão em flagrante.
Esposa estava embriagada e deixou o local
O delegado também esclareceu outro ponto que gerou especulações após o acidente. A esposa de Joaquim estava na caminhonete no momento da colisão, mas não dirigia o veículo.
Conforme o delegado, ela apresentava sinais de embriaguez, passou a causar confusão no local e discutir com policiais militares. Por esse motivo, acabou sendo retirada da cena antes do encerramento da ocorrência.
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“A esposa estava muito embriagada e causando transtornos. Os policiais permitiram que ela deixasse o local. Quem a levou foi um sócio do advogado que trabalha como guarda patrimonial de um hospital da cidade, não um policial”, explicou o delegado.
Câmeras desmontaram a versão

Durante a investigação, a Polícia Civil reuniu imagens de monitoramento da região, ouviu testemunhas e analisou toda a dinâmica do acidente. As gravações comprovaram que Joelma permaneceu no banco do passageiro durante a colisão e que Joaquim conduzia a caminhonete.
Os vídeos também mostraram que ela só assumiu o volante depois do impacto, exclusivamente para retirar o veículo do cruzamento. Foi justamente essa movimentação que levou algumas testemunhas a acreditarem que ela era a motorista.
Confrontado com as imagens e os depoimentos, Joaquim acabou confessando que dirigia a caminhonete quando avançou a sinalização e atingiu Gustavo.
Com a conclusão da investigação, a Polícia Civil representou pela prisão temporária do advogado, que foi cumprida na quinta-feira (09). Ele é investigado por homicídio doloso, por entender que assumiu o risco de provocar a morte ao dirigir embriagado e tentar induzir a polícia a erro para evitar a prisão em flagrante.

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