Foto: Paulo Soares: diagnóstico precoce favorece um tratamento menos invasivo – Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados Crédito: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
O Plenário da Câmara dos Deputados deu seu aval nesta quarta-feira (12) a um projeto de lei que estabelece a avaliação completa e regular da saúde feminina no Sistema Único de Saúde (SUS). A matéria agora segue para a sanção presidencial, representando um avanço significativo para a política de saúde pública no país.
A proposta, que teve origem no Projeto de Lei 1799/23, de autoria da deputada Nely Aquino (Pode-MG), foi aprovada com a incorporação de três emendas propostas pelo Senado. Essas modificações foram cruciais para a formatação final do texto, que busca otimizar a aplicação das diretrizes de saúde para as mulheres brasileiras.
Detecção antecipada e flexibilidade nos exames
Uma das principais alterações promovidas pelas emendas do Senado foi a retirada da exigência de que a avaliação médica ocorresse especificamente no mês de aniversário da paciente. Essa mudança confere maior flexibilidade na marcação dos exames, permitindo que os agendamentos se adequem melhor à capacidade dos serviços de saúde e à disponibilidade das usuárias, facilitando o acesso.
O deputado Paulo Soares (Pode-SP), relator da proposta, sublinhou a relevância do diagnóstico precoce como um fator determinante para salvar vidas. Ele enfatizou que a identificação de doenças em estágios iniciais permite a adoção de tratamentos menos invasivos, o que, por sua vez, reduz as consequências graves e eleva consideravelmente as chances de cura. Essa perspectiva é central para a efetividade da nova lei, que visa fortalecer a medicina preventiva.
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Protocolos abrangentes e equidade no atendimento
O texto aprovado estabelece que os protocolos e diretrizes para os exames e avaliações devem ser abrangentes e levar em conta uma série de fatores que influenciam a saúde da mulher. Essa abordagem visa garantir que o atendimento seja personalizado e eficaz, considerando as particularidades de cada grupo e indivíduo. A medida é fundamental para combater as desigualdades no acesso à saúde e assegurar que todas as mulheres recebam a atenção adequada.
Entre os parâmetros que devem ser contemplados na definição desses protocolos, destacam-se:
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- Faixa etária da paciente, para direcionar exames e avaliações específicas para cada idade.
- Raça e etnia, reconhecendo as predisposições genéticas e sociais a certas condições de saúde.
- Classe social e local de residência, visando superar barreiras socioeconômicas e geográficas no acesso aos serviços.
- Parâmetros epidemiológicos, para identificar as doenças e complicações mais incidentes em determinadas populações.
Essa atenção à diversidade dos perfis das pacientes é um ponto crucial do projeto, pois permite a criação de estratégias de saúde pública mais justas e eficientes, focadas nas necessidades reais da população feminina em suas distintas realidades.
Campanhas de conscientização e empoderamento feminino
Além da garantia dos exames periódicos, a nova legislação impõe aos órgãos e entidades que integram o SUS a responsabilidade de desenvolver e implementar campanhas de conscientização. Essas iniciativas terão como foco educar as mulheres sobre a importância da prevenção de doenças e complicações de saúde, capacitando-as a tomar decisões informadas sobre seu bem-estar.
As campanhas deverão utilizar diferentes ferramentas e formatos para alcançar o maior número possível de mulheres, promovendo uma cultura de cuidado e autocuidado. Entre as estratégias sugeridas para essas ações estão a realização de palestras, a organização de simpósios e debates sobre temas de saúde feminina, bem como a aplicação de exames de triagem e preventivos em comunidades. Essa frente de atuação é vital para que a população não apenas tenha acesso aos serviços, mas também compreenda a relevância de utilizá-los de forma proativa, fortalecendo a saúde pública e a qualidade de vida das mulheres em todo o Brasil.

