Paulo Gonet defendeu o envio do caso à primeira instância e afirmou que apenas Jair Bolsonaro tinha foro privilegiado no processo
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta quinta-feira (18/6) que a investigação sobre a chamada “Abin Paralela” deixe o Supremo Tribunal Federal (STF) e passe a tramitar na primeira instância da Justiça.
A manifestação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e pode alterar o rumo das apurações que atingem aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumenta que Jair Bolsonaro era a única autoridade com foro privilegiado vinculada à investigação e que sua conduta já foi analisada no âmbito da ação penal relacionada à trama golpista, na qual o ex-presidente foi condenado.
Segundo Gonet, os fatos que ainda permanecem sob investigação não possuem relação direta com autoridades detentoras de foro especial nem com a suposta finalidade antidemocrática que justificou a atuação do STF em etapas anteriores da apuração.
“Os fatos remanescentes, ainda não denunciados, não guardam relação imediata com a autoridade detentora de foro especial ou com a sua finalidade antidemocrática, ainda que remotamente possam tê-las favorecido”, escreveu o procurador-geral no documento enviado à Corte.
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Antonio Cruz/Agência Brasil

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Hugo Barreto/Metrópoles
Caso Moraes acolha o pedido, as investigações deixarão o Supremo e passarão a ser conduzidas por um juiz de primeira instância.
Na prática, isso retiraria das mãos do ministro os desdobramentos envolvendo investigados como o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL), o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
O que diz a investigação
- A Polícia Federal concluiu, em relatório final apresentado em 2025, que existiu uma estrutura clandestina dentro da Abin destinada a monitorar autoridades, jornalistas, adversários políticos e outras pessoas consideradas de interesse do governo Bolsonaro.
- Segundo os investigadores, o grupo teria utilizado ferramentas de inteligência do Estado para realizar monitoramentos ilegais, inclusive por meio do sistema de geolocalização First Mile, desviando a finalidade institucional da agência.
- A PF sustenta que a estrutura operava entre 2019 e 2022 sob o comando de Alexandre Ramagem, então diretor-geral da Abin, e que o esquema produzia informações utilizadas para fins políticos e para a disseminação de desinformação contra adversários do governo.
- O relatório também aponta que Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro integrariam o núcleo político responsável por definir alvos de monitoramento.
- De acordo com a corporação, o ex-presidente tinha conhecimento das atividades e seria um dos principais beneficiários do esquema.
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36 investigados
Ao final das apurações, a Polícia Federal indiciou 36 pessoas pelos supostos crimes de organização criminosa, invasão de dispositivo informático, interceptação clandestina de comunicações, violação de sigilo funcional, embaraço às investigações, corrupção passiva e prevaricação.
Entre os nomes apontados estão Carlos Bolsonaro, Alexandre Ramagem e o atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, mantido no cargo pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a PF, também há indícios de que integrantes da atual gestão da agência teriam atuado para dificultar o avanço das investigações.



