Uma passageira de 25 anos gravou um motorista de aplicativo de 68 anos enquanto ele oferecia R$ 200 para um encontro sexual durante uma corrida em Araçatuba, interior de São Paulo. A mulher registrou boletim de ocorrência logo após descer do carro na segunda-feira, 1º de junho. O suspeito se apresentou espontaneamente à polícia na terça-feira, 2, foi ouvido e liberado.
A vítima pediu o carro pelo aplicativo para buscar o filho na escola. Durante o trajeto, o homem começou a fazer comentários de cunho sexual. Ele insistiu na proposta mesmo com as negativas da passageira.
Vídeo registra proposta e comentários ofensivos
A gravação feita pela própria passageira mostra o momento em que o motorista fala diretamente com ela. Ele menciona a quantia de R$ 200 e usa a frase “que desperdício” ao se referir ao corpo da mulher. O áudio também capta o convite para ir a um motel.
A mulher permaneceu apreensiva durante o resto da viagem. Ela tentou responder o mínimo possível até conseguir desembarcar. Depois, entregou o vídeo e os dados do aplicativo à polícia como prova.
- A passageira tinha 25 anos na data do fato
- O motorista tem 68 anos e foi identificado como José no boletim
- A corrida ocorreu na tarde de segunda-feira em Araçatuba
- A vítima gravou parte da conversa dentro do veículo
- O suspeito pediu que ela esquecesse o ocorrido antes do fim da viagem
Suspeito presta depoimento e contesta versão da vítima
O homem compareceu à delegacia na manhã de terça-feira. Segundo a delegada Luciana Pistori Francino, ele questionou o conteúdo da gravação. O suspeito alegou que o vídeo começou em um ponto específico e não registrou o início da conversa.
Ele afirmou que os dois estariam combinando um encontro mediante pagamento. A defesa sustenta que o trecho gravado saiu de contexto. O advogado Maycon Zulian Mazziero declarou que o cliente apresentará sua versão completa no processo.
A polícia confirmou que o suspeito não tem antecedentes criminais. Como não apareceram outras vítimas até o momento, ele foi liberado após o depoimento. A investigação continua.
Delegacia vai ouvir novamente a passageira
A delegada Luciana Pistori Francino informou que a mulher será chamada para novo depoimento. O objetivo é esclarecer as versões conflitantes. A polícia analisa o material gravado e os dados fornecidos pelo aplicativo.
Se a suspeita for confirmada, o homem pode responder por importunação sexual. A pena prevista para o crime varia conforme a legislação. As autoridades ainda verificam se há outras corridas ou reclamações semelhantes.
O caso ganhou repercussão após a divulgação do vídeo nas redes sociais, com o rosto do motorista borrado. A imagem foi compartilhada por perfis locais.
Como funciona a investigação de assédio em corridas de aplicativo
Casos como este costumam envolver análise de provas digitais. A polícia solicita dados do aplicativo, como nome completo, placa do veículo e histórico da corrida. O vídeo entregue pela vítima ganha peso central.
Especialistas em segurança recomendam que passageiros gravem situações desconfortáveis. As plataformas de mobilidade urbana geralmente suspendem o motorista durante a apuração. A empresa responsável pela corrida ainda não se manifestou publicamente sobre o caso específico.
A vítima relatou que o motorista insistiu várias vezes. Ele teria perguntado se ela fazia programa antes de oferecer o dinheiro. A passageira negou todas as abordagens.
Medidas de proteção para usuários de aplicativos
Usuários relatam aumento de casos de abordagem inadequada em corridas. As empresas implementaram botões de emergência e compartilhamento de viagem em tempo real. Mesmo assim, situações como a de Araçatuba ainda ocorrem.
A recomendação das autoridades é registrar ocorrência imediatamente. Guardar prints, vídeos e dados da corrida ajuda na identificação. O aplicativo permite que o passageiro avalie a viagem e relate problemas.
A investigação em Araçatuba segue em andamento. A polícia civil trabalha com o material coletado. O suspeito deve responder aos próximos chamados da delegacia.


