Ex-marido assassina Camile Barbosa Antunes a facadas em Campos (RJ); polícia considera crime premeditado

Redação
By
6 Min Read
Ex-marido assassina Camile Barbosa Antunes a facadas em Campos (RJ); polícia considera crime premeditado

Foto: Para a Polícia Civil, Ruan Henrique de Oliveira premeditou o crime contra Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, em Campos — Arquivo pessoal

Um homem de 31 anos, identificado como Ruan Henrique de Souza, assassinou a ex-mulher, Camile Barbosa Duarte Antunes, de 30 anos, a facadas dentro da residência dela em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. O trágico evento aconteceu na manhã desta terça-feira (2), momentos após os filhos gêmeos do casal, de 12 anos, deixarem o imóvel para ir à escola. A Polícia Civil, por meio da delegada adjunta Madeleine Dykeman, da 134ª DP, classificou o ato como premeditado, indicando um planejamento prévio por parte do agressor. A vítima foi encontrada sem vida em cima da cama, com lesões brutais.

Detalhes da ação e evidências de premeditação

As investigações da Polícia Civil apontam para uma premeditação clara do crime cometido por Ruan Henrique de Souza contra Camile Barbosa Duarte Antunes. Câmeras de segurança instaladas nas proximidades da residência foram cruciais para a reconstituição da linha do tempo dos eventos. As imagens revelam que os dois filhos do casal partiram em um carro às 7h21 da manhã. Exatamente um minuto depois, às 7h22, Ruan Henrique, que ainda possuía as chaves da casa, foi visto entrando pelo portão do imóvel, localizado no bairro Parque Califórnia.

A delegada Madeleine Dykeman reforçou a tese de premeditação ao mencionar um episódio anterior, ocorrido há cerca de duas semanas em maio. Segundo o relato, o agressor teria ido à casa da ex-mulher, empunhado uma arma e a ameaçado de morte, declarando que se suicidaria em seguida. Após o ataque fatal contra Camile, Ruan Henrique de Souza subiu em uma escada e tirou a própria vida. Ele foi encontrado morto nos fundos da residência, depois de ter saído do local por volta das 8h15 e retornado em seguida. A cena do crime foi descrita como “brutal”, com a vítima apresentando múltiplas perfurações de faca na nuca, nos seios e nas mãos.

Histórico de relacionamento conturbado e agressões prévias

Camile Barbosa Duarte Antunes era natural de São José dos Campos (SP), enquanto Ruan Henrique de Souza tinha origens em Muriaé (MG). Eles foram casados por aproximadamente 15 anos, e a polícia apurou que a relação do casal era marcada por conflitos e violências recorrentes. Familiares e conhecidos relataram um histórico de muitas brigas e agressões físicas. Em fevereiro, por exemplo, Camile teria sido severamente espancada, resultando em um olho roxo. Apesar da gravidade das agressões, a vítima nunca procurou a delegacia para registrar as ocorrências, um fator que dificultou a intervenção das autoridades antes da tragédia.

A separação do casal, de acordo com as informações coletadas pela delegada, ocorreu após Camile descobrir uma traição por parte de Ruan. Este fato serviu como estopim para o fim do relacionamento, que já se mostrava instável e perigoso para a vida da mulher. A falta de registros formais das agressões anteriores ilustra um padrão de violência doméstica silencioso, muitas vezes perpetuado pelo medo ou pela esperança de que a situação pudesse melhorar.

A investigação policial levantou detalhes importantes sobre a relação:

  • Duração do casamento: Cerca de 15 anos de união.
  • Natureza do relacionamento: Conturbado, com histórico de brigas e agressões.
  • Agressão documentada: Em fevereiro, Camile sofreu agressão que resultou em olho roxo.
  • Falta de denúncias: Nenhuma das agressões foi formalmente registrada na delegacia.
  • Motivo da separação: Descoberta de traição por parte de Ruan.

Implicações legais e amparo aos filhos

Diante do cenário em que o autor do feminicídio também morreu, a delegada Madeleine Dykeman explicou as implicações legais do caso. Com a morte de Ruan Henrique de Souza, a punibilidade pela prática do crime é extinta, conforme previsto na legislação brasileira. Isso significa que, do ponto de vista penal, o inquérito será arquivado, e não haverá processo judicial para aplicar uma pena ao agressor.

Os celulares de Camile e Ruan foram apreendidos pela polícia como parte da investigação. Os dispositivos serão analisados para buscar mais informações que possam elucidar a dinâmica e o contexto dos eventos que levaram ao feminicídio. Os corpos de Camile Barbosa Duarte Antunes e Ruan Henrique de Souza foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Campos dos Goytacazes no início da tarde para os procedimentos de necropsia. Os filhos gêmeos do casal, que estavam na escola no momento do crime e retornaram para uma realidade de perda trágica, estão sob os cuidados de parentes.

Compartilhe