O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, despachou nesta quinta-feira uma proposta de emenda à Constituição alternativa ao fim da escala 6×1. O texto foi enviado para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa. A medida ocorre um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a PEC que reduz a jornada de trabalho.
A iniciativa apresentada pela oposição prevê um modelo de remuneração por horas trabalhadas. Deputados defendem que a mudança dá mais flexibilidade ao trabalhador. O envio não bloqueia a tramitação da proposta principal vinda da Câmara.
Oposição formaliza contraproposta no Senado
O deputado Marcel van Hattem anunciou o envio durante a sessão na Câmara. Ele citou conversa prévia com Davi Alcolumbre. O presidente do Senado concordou em despachar o texto assim que protocolado.
A PEC alternativa, conhecida como PEC do horário flexível, permite que empregados escolham regimes de trabalho diferentes. Um deles é o 6×1, com seis dias de serviço e um de folga. Outra opção seria o 5×2 tradicional.
- O texto mantém a carga horária semanal máxima de 44 horas
- Permite acordos individuais ou coletivos para ajustar horários
- Busca evitar rigidez da redução obrigatória para 40 horas
- Foi protocolada pelo senador Rogério Marinho, líder da oposição
Senadores da oposição argumentam que a versão aprovada na Câmara retira liberdade do trabalhador. Eles citam exemplos de países com alta produtividade que adotam flexibilidade. A proposta da Câmara reduz a jornada de 44 para 40 horas sem corte salarial.
Contexto da aprovação na Câmara dos Deputados
A Câmara concluiu a votação da PEC do fim da 6×1 na quarta-feira. O placar registrou ampla maioria tanto no primeiro quanto no segundo turno. Deputados aprovaram o texto com mais de 450 votos favoráveis em cada etapa.
A proposta estabelece transição. A jornada cai para 42 horas após 60 dias da promulgação. Depois de 12 meses, chega a 40 horas semanais. O governo defendeu a medida como avanço social. Entidades empresariais criticaram o impacto na produção.
Davi Alcolumbre recebeu representantes da indústria e do comércio nos dias anteriores. Empresários pediram debate mais aprofundado sobre os efeitos econômicos. Alguns sugeriram adiar a discussão para após as eleições de outubro. O presidente do Senado ouviu as demandas sem assumir compromisso de travar o texto principal.
Tramitação prevista no Senado Federal
A PEC aprovada na Câmara ainda não chegou oficialmente ao Senado. Quando chegar, deve passar pela CCJ. Davi Alcolumbre indicou que não pretende acelerar o processo. Ele defende análise em comissões antes da votação em plenário.
Otto Alencar, presidente da CCJ, afirmou que a comissão pautará o tema assim que o texto chegar. Audiências públicas são esperadas para ouvir trabalhadores, empresários e especialistas. A oposição já articula para incluir a PEC alternativa no debate.
O Senado tem 81 parlamentares. A aprovação de PEC exige 49 votos em dois turnos. O ambiente na Casa é mais cauteloso que na Câmara. Senadores citam necessidade de avaliar impactos no emprego e na competitividade das empresas.
Reações de diferentes setores
Empresários da Confederação Nacional da Indústria e da Federação das Indústrias de São Paulo participaram de reunião com Davi Alcolumbre. Eles alertaram para possível aumento de custos. Parte do setor produtivo defende que a redução rápida pode elevar preços de produtos e serviços.
Líderes sindicais e parlamentares da base governista celebraram a aprovação na Câmara. Eles veem a mudança como conquista para milhões de trabalhadores que atuam em escalas exaustivas. O governo federal acompanha a tramitação no Senado e deve negociar ajustes.
A oposição mantém o tom crítico. Marcel van Hattem classificou a decisão da Câmara como injustiça contra quem deseja trabalhar mais. Ele defendeu que o trabalhador deve ter autonomia para escolher o regime que melhor atende sua necessidade financeira.
Detalhes da PEC alternativa enviada por Davi Alcolumbre
A proposta despachada à CCJ foca em flexibilidade. Ela altera dispositivos da Constituição sobre jornada de trabalho. O objetivo é permitir diferentes arranjos sem ferir o limite semanal.
O texto preserva direitos básicos. Ao mesmo tempo, abre espaço para negociação direta entre patrão e empregado. Defensores argumentam que o modelo se aproxima de práticas adotadas em economias desenvolvidas.
Davi Alcolumbre atua como articulador nesse momento. O envio da PEC da oposição sinaliza disposição para ampliar o debate. A ação ocorre em período de relação tensionada com o governo federal.
O presidente do Senado já despachou o texto. Agora cabe à CCJ analisar admissibilidade e mérito. O cronograma depende da chegada formal da PEC principal vinda da Câmara.
Impactos potenciais da mudança na legislação trabalhista
Especialistas divergem sobre os efeitos da redução de jornada. Parte aponta ganho de qualidade de vida para empregados. Outros alertam para dificuldade de adaptação em setores como comércio, serviços e indústria.
No Brasil, a escala 6×1 é comum em atividades que exigem operação contínua. Fábricas, supermercados, segurança e transporte adotam o regime com frequência. A transição para jornada menor exigirá planejamento de contratações e turnos.
O Congresso discute o tema há anos. Propostas anteriores não avançaram. A atual PEC ganhou força com apoio do governo e de parte da base aliada na Câmara. No Senado, o caminho deve ser mais longo.
Davi Alcolumbre equilibra pressões. Ele recebe demandas de trabalhadores, empresários e líderes partidários. O envio da alternativa à CCJ é visto como forma de dar voz à oposição dentro do processo.
A discussão deve se estender nas próximas semanas. Senadores preparam emendas e sugestões. O tema domina conversas nos corredores da Casa desde a votação na Câmara.


