Durante audiência em Caldas Novas, magistrada determinou que IML complete exame cadavérico para esclarecer dinâmica do crime
Caso Daiane: juíza ordena nova perícia para saber se tiros foram disparados antes ou após a morte (Foto: arquivo da família)
A juíza Vaneska da Silva Baruki, da 1ª Vara Criminal da comarca de Caldas Novas, determinou na quarta-feira (6) a complementação de exame cadavérico no caso Daiane Alves. A ordem ocorreu durante a primeira fase da audiência de instrução do síndico Cléber Rosa de Oliveira, acusado de matar e ocultar o corpo da corretora. Na ocasião, ela demandou o envio de ofício à Superintendência de Polícia Técnico-Científica, Instituto Médico Legal Aristoclides Teixeira, para esclarecer se os disparos de arma de fogo ocorreram antes ou depois do óbito da vítima. O prazo para resposta é de 30 dias.
O Mais Goiás consultou dois advogados criminalistas para esclarecerem sobre a determinação. Segundo Kesia Oliveira, o homicídio consumado por arma de fogo mostra a intenção clara de matar, pois tem uma maior violência do agente. “No júri, isso costuma gerar uma percepção mais grave pelos jurados. Além disso, pode fortalecer qualificadoras como: recurso que dificultou a defesa da vítima, meio cruel, impossibilidade de reação.” Da mesma forma, Paulo Castro reforça que isso definirá se o meio empregado foi cruel ou não. “Ou se a morte, por disparo de arma de fogo, foi instantânea, daí não caberia o meio cruel.”
Durante a sessão da audiência, que durou mais de cinco horas em Caldas Novas, 13 testemunhas foram ouvidas, todas arroladas pela acusação. O rito processual, que busca confirmar os indícios de autoria e materialidade do crime, terá continuidade em julho, quando a magistrada deverá proferir a sentença de pronúncia sobre o julgamento do réu. Baruki também deu prazo de cinco dias para que a defesa indique o paradeiro atualizado de uma das testemunhas não localizadas.
O síndico terá uma nova reavaliação da prisão preventiva em 9 de junho. A medida ocorre porque a custódia já havia sido reavaliada em 11 de março, sendo mantida pela Justiça, com previsão de nova análise em 90 dias. Quanto à audiência de quarta-feira, é nessa fase que a Justiça decidirá se ele será levado a júri popular.
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Cléber confessou o crime no último 28 de janeiro, antes de levar a polícia a uma zona de mata às margens da GO-213, onde ocultou o corpo da corretora. Daiane Alves foi considerada desaparecida por 40 dias, em um caso que comoveu Goiás e ganhou repercussão nacional.

Continuação em julho
Em razão da alta complexidade do caso, a sessão de instrução e julgamento começou por volta das 13h30 e se estendeu até depois das 19h. Durante a tarde, a juíza responsável ouviu as testemunhas de acusação, que detalharam as circunstâncias que envolveram o desaparecimento e a morte da corretora de imóveis.
O objetivo desta fase é o chamado “juízo de admissibilidade”. Ou seja, a magistrada não decide agora se o réu é culpado ou inocente, mas avalia se as provas apresentadas pelo Ministério Público são sólidas o suficiente para que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri, formado por sete cidadãos comuns.
Embora a primeira etapa tenha sido concluída, o desfecho do rito ocorrerá em uma segunda etapa, já agendada para julho, ainda sem data específica divulgada. Nesta nova fase, deverão ser concluídas as oitivas restantes e o interrogatório do réu.
Cléber Rosa de Oliveira responde pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Caso a juíza decida pela “pronúncia”, ele será oficialmente encaminhado ao banco dos réus para enfrentar o veredito popular.

Emboscada e motivação do crime
O crime aconteceu em 17 de dezembro de 2025, quando Daiane desapareceu após descer ao subsolo do condomínio onde morava e trabalhava. Segundo o processo, a corretora foi atraída para uma emboscada, ao ter energia de seu apartamento cortada propositalmente para que ela fosse ao encontro do agressor.
A motivação, conforme o inquérito policial, foi uma desavença profissional. Daiane havia assumido a gestão de diversos apartamentos que antes eram administrados pelo síndico, o que gerou uma disputa comercial no setor imobiliário local. Ela foi assassinada com disparos de uma pistola calibre .380.
Caso Daiane
A investigação avançou após o síndico confessar o crime e indicar o local onde havia ocultado os restos mortais, em uma área de mata. Outro ponto crucial para a perícia técnica foi a localização do celular da vítima, encontrado dentro da caixa de esgoto do condomínio — uma tentativa de destruir evidências digitais. No entanto, vídeos recuperados do aparelho registraram o momento do ataque, servindo como prova material contundente contra o acusado.
Na época do crime, o filho do síndico, Maicon Douglas, também chegou a ser detido sob suspeita de envolvimento, mas foi solto pouco tempo depois por falta de indícios que justificassem a manutenção da prisão.
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