Vice em aberto: o peso dos cotados e o cálculo político de Daniel

Redação
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Vice em aberto: o peso dos cotados e o cálculo político de Daniel

Governista está entre peso partidário, densidade eleitoral, influência religiosa, força do agro e pressão do Entorno

Imagem mostra governador de Goiás, Daniel Vilela

Hoje, quatro nomes concentram as atenções. Em paralelo, grupo de peso pressiona por espaço (Foto: Secom Goiás)

Felipe Cardoso

A escolha do vice na chapa de Daniel Vilela (MDB) se tornou um dos principais pontos de expectativa nos bastidores da política goiana. A decisão estratégica não se resume a uma mera composição de chapa. O desafio é escolher alguém que não apenas dialogue com o projeto governista, mas some forças diante do desafio eleitoral que se desenha.

Hoje, quatro nomes concentram as atenções: Adriano Rocha Lima, Luiz do Carmo, Zé Mário Schneider e Gustavo Mendanha. Os três primeiros são filiados ao PSD. Mendanha, por sua vez, deixou a legenda no mês passado e migrou para o PRD, partido federado com o Solidariedade, em movimento interpretado como estratégico para viabilizar sua indicação. A definição passa por diferentes critérios, como, por exemplo, a densidade eleitoral, a capacidade de agregar segmentos estratégicos e o impacto regional de cada um.

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Nesse contexto, Adriano Rocha Lima é visto como homem de confiança do governador Ronaldo Caiado. Seu nome representa continuidade administrativa e proximidade direta com o atual governo. Nos bastidores, é avaliado que sua eventual escolha refletiria o peso político de Caiado na futura gestão. Por outro lado, Adriano nunca disputou eleições, não foi testado nas urnas e não possui mandato, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade de transferência de votos, fator considerado relevante no cálculo do emedebista.

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Nome de Adriano Rocha Lima, o homem de confiança de Caiado, pode refletir o peso do mentor na futura gestão (Foto: Divulgação)

Luiz do Carmo, que assumiu vaga no Senado quando Caiado deixou o cargo para disputar o governo em 2018, carrega a força do segmento evangélico. Ele é irmão do bispo Oides José do Carmo, uma das principais lideranças da Assembleia de Deus em Goiás, reconhecido por sua influência religiosa. Ex-deputado estadual, Luiz já foi testado nas urnas e também mantém ligação com o agronegócio, embora menos intensa que a de outro concorrente direto.

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Luiz do Carmo carrega o peso dos evangélicos como principal ativo político (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Esse concorrente é o deputado federal Zé Mário Schneider, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). Ele é apontado como um dos principais representantes do agronegócio goiano e tem atuação destacada na defesa dos produtores rurais. Internamente, é visto como nome capaz de refletir o peso político do agro na chapa. Além disso, agrega o fator experiência, os ‘cabelos brancos’, característica que também é associada a Luiz do Carmo e que poderia equilibrar a juventude de Daniel.

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Zé Mário Schneider pode refletir a força do agro em eventual composição com a chapa governista (Foto: Reprodução)

Gustavo Mendanha, por sua vez, apresenta um perfil distinto. Ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, um dos maiores colégios eleitorais do Estado, ganhou projeção estadual ao disputar o governo em 2018 como oposição a Caiado. É apontado como o nome com maior densidade eleitoral entre os cotados. Sua recente filiação ao PRD é vista como tentativa de ampliar o arco de alianças, já que poderia agregar novas siglas ao grupo governista.

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Gustavo Mendanha é visto como o nome de maior densidade eleitoral, mas juventude pode atrapalhar (Foto: Divulgação/Secom Aparecida)

Nos bastidores, contudo, há avaliações de que Mendanha e Daniel têm perfis semelhantes: pertencem à mesma geração, são da mesma região e poderiam transmitir ao eleitorado uma imagem excessivamente homogênea. Por outro lado, sua experiência à frente de uma grande prefeitura é considerada um ativo relevante. Evangélico, Mendanha também representa um aceno ao segmento religioso, ainda que não com o mesmo peso institucional atribuído a Luiz do Carmo.

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As discussões se intensificam em meio à preocupação com a força do bolsonarismo, que costuma surpreender nas urnas. Nesse cenário, a escolha do vice é tratada como peça-chave não apenas para ampliar representatividade, mas também para enfrentar adversários prováveis, como Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB).

Sede por espaço

Paralelamente, cresce a pressão política para que o vice seja do Entorno do Distrito Federal. A região tem ampliado sua densidade eleitoral e consolidado papel estratégico nas disputas. Até março de 2024, os seis maiores colégios eleitorais do Entorno somavam 539.395 eleitores aptos. Em 2025, o eleitorado total da região foi estimado em 756 mil eleitores, número que reforça seu peso nas eleições de 2026.

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Lideranças da região do Entorno do DF pressionam por espaço na chapa governista (Foto: Reprodução)

Lideranças locais argumentam que o Entorno teve papel decisivo na eleição de Caiado e defendem que a região deve ser contemplada na chapa majoritária. Prefeitos e dirigentes municipais articulam nos bastidores em busca da indicação, ainda sem consenso sobre um nome específico.

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