Denúncias incluem perseguições desde o velório e ameaças
Marcus Phelipe Souza de Almeida (Foto: Reprodução)
O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) investiga denúncias de que familiares do mecânico Marcus Phelipe de Souza Almeida estariam sendo intimidados por policiais militares em Goiânia. O jovem morreu aos 27 anos, em outubro de 2023, após ser baleado durante uma ação policial.
De acordo com o MP, os parentes da vítima relatam ameaças e perseguições desde o velório. Diante da situação, a família teria deixado a capital para preservar a própria segurança.
Segundo a investigação, Marcus Phelipe foi atingido por disparos nas costas enquanto estava no banco do passageiro de um carro conduzido por um amigo, após fugirem de uma blitz. Em janeiro deste ano, o terceiro sargento Fellipe Mecenas de Oliveira Lima, de 35 anos, tornou-se réu pelo caso.
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O promotor Spiridon Nicofotis Anyfantis, da 83ª Promotoria de Justiça de Goiânia, afirmou que tomou conhecimento das denúncias recentemente e determinou a abertura de procedimento para apuração. Em documento enviado à Justiça, ele relata que policiais estariam realizando intimidações, incluindo permanência de viaturas em frente à residência da família por longos períodos.
Ainda conforme o MP, há informações de que a Polícia Civil recebeu fotos e vídeos que comprovariam as ameaças, mas o material não foi anexado ao processo em que o policial responde por homicídio.
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Relembre o caso
O caso teve início após perseguição policial iniciada em uma blitz da Balada Responsável, no Jardim Itaipu. O veículo em que Marcus estava foi acompanhado por cerca de 8,5 quilômetros até a casa do motorista, no Residencial Solar Bougainville. Quando o carro parou, a vítima já estava morta.
Investigações da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH) apontaram que Marcus não estava armado e indicaram que, entre os cinco policiais envolvidos na ocorrência, apenas o sargento denunciado teria efetuado os disparos.
O militar chegou a ser indiciado por homicídio em julho de 2023, mas o inquérito foi arquivado dois meses depois pelo MP-GO, com base na alegação de inconsistências nos depoimentos e falta de elementos conclusivos. A decisão foi revertida após recurso da família.
Em janeiro, a subprocuradoria-geral de Justiça considerou haver elementos suficientes para a reabertura do caso. Até o momento, não há data definida para o depoimento dos familiares sobre as denúncias de intimidação.
NOTA PM
Em nota, a Polícia Militar do Estado de Goiás informou que o caso está sob análise do Poder Judiciário e que as apurações seguem conforme determinação das autoridades competentes.
A corporação destacou ainda que atua de forma contínua no policiamento ostensivo-preventivo, com foco na preservação da ordem pública, e que suas ações são pautadas na legalidade, disciplina e respeito às instituições. Por fim, afirmou permanecer à disposição para colaborar com os órgãos responsáveis e reafirmou o compromisso com o cumprimento da lei e a proteção da sociedade.
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