Mais uma mãe compareceu à delegacia neste sábado para denunciar o professor Guilherme Henrique Terra Abrantes, preso em flagrante na última sexta-feira. Ele é acusado de estupro de vulnerável contra pelo menos quatro alunas de oito anos de um colégio particular em Barros Filho, Zona Norte do Rio.
Em entrevista ao GLOBO, responsáveis pelas vítimas — que terão as identidades preservadas — detalharam a dinâmica dos abusos, que ocorriam sob o pretexto de atividades lúdicas. Segundo os relatos, o professor separou a turma entre meninos e meninas e pediu que as alunas realizassem exercícios como “colocar os pés atrás da cabeça” ou fazer a posição de “ponte”.
O caso veio à tona quando as crianças verbalizaram o desconforto em casa. Segundo a mãe de uma das alunas, a filha relatou ter sido apalpada logo no início da aula:
— A princípio, minha filha disse que tinha sido tudo normal na escola. Mas quando insisti, ela contou: “na hora de brincar, fui abraçar o tio e ele apertou a minha bunda um pouco forte” — compartilha.
Em uma reunião convocada pela coordenação neste sábado, a criança deu mais detalhes sobre o comportamento de Guilherme durante a aula.
— Disse que o professor pediu para fazerem uma ‘ponte’ e pegou o telefone para filmá-las na posição em que estavam, enquanto a calcinha de uma das amiguinhas aparecia — relata. — Minha filha é pura, ela não entende a gravidade, mas eu, como mãe, sinto um desespero e uma angústia imensa — completa.
O depoimento de outra aluna ajuda a elucidar o que ocorreu em seguida. A tia de uma das vítimas, narra o momento em que a sobrinha revelou o abuso físico direto:
— Ela pediu pra conversar só comigo quando cheguei em casa. Quando sentamos, começou a tremer, a chorar, e disse que o professor colocou a mão dentro do short dela, afastou a calcinha e encostou em suas partes íntimas. Assim que ela me contou, liguei para a escola e fui direto para a delegacia — conta.
Ao entrar em contato com outras responsáveis, a tia descobriu que o padrão se repetia.
— Duas colegas relataram exatamente a mesma coisa. Diferente do que alguns possam pensar, não tinha como elas fazerem um complô contra o professor, ele era querido por elas. E os relatos são idênticos, muito claros — afirma.
Para a mãe de outra vítima, o sentimento é de revolta pela quebra de confiança dentro do ambiente escolar.
— É uma indignação total. Um profissional dentro da sala de aula inventa uma brincadeira de colocar o pé atrás da cabeça para fazer isso. As meninas estão abaladas, mas tiveram uma clareza imensa ao contar. São crianças orientadas, criadas em 2026, que hoje sabem verbalizar o que é um toque inapropriado — lamenta.
O crime foi denunciado na 39ª DP (Pavuna). Após diligências, agentes da Polícia Civil capturaram o professor em sua residência, em Campo Grande, na Zona Oeste. Ele foi preso em flagrante.
Ações institucionais e suporte às famílias
Segundo uma das mães, a escola realizou uma reunião com as responsáveis na manhã deste sábado. Na ocasião, a instituição teria informado que o professor foi demitido por justa causa e que o colégio prestará suporte psicológico às alunas. Também foi relatado que a coordenação da unidade acompanhou os responsáveis à delegacia para prestar apoio.
— A coordenadora e diretora sempre foram pessoas de confiança de todo mundo aqui, elas prestaram muito apoio, então não as culpo de nada… Mas fica o receio de que isso pode acontecer em qualquer lugar. Eu sou mãe solteira, por isso tento criar minha filha num casulo, mas nem isso foi o suficiente — desabafa uma das mães.
Procurado, o estabelecimento de ensino particular não respondeu aos contatos da reportagem até a última atualização deste texto.


