O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) brincou nesta quarta-feira (15/4) que vai chamar o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para conversar a fim de convencê-lo a reduzir a taxa de juros. O petista também afirmou que, se a autoridade monetária olhasse para “pessoas como ele”, baixaria a Selic.
“Você veja que, se o Banco Central olhar para nós, ele vai baixar a taxa de juros. O Banco Central precisa olhar o que o Tesouro fez, o que o Planejamento fez aqui. Quando o Galípolo voltar da viagem dele da Europa, eu vou falar, ‘olha aqui, os meninos da gastança tão reduzindo o dinheiro’. Porque são esses investimentos que fazem a economia girar, as coisas simples que a gente tem que fazer que fazem a economia girar”, disse Lula.
Em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, fixada em 14,75% ao ano. A redução, no entanto, não foi bem recebida pelo governo, que ainda aguarda novos cortes na taxa básica de juros por parte da autoridade monetária. O tema é alvo recorrente de críticas nos discursos do presidente.
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A declaração foi dada durante anúncio de ações econômicas para o setor habitacional. Na ocasião, o governo anunciou novas medidas para o programa Reforma Casa Brasil, iniciativa que disponibilixa créditos para famílias fazerem reformas em casas. Entre elas, está a ampliação da faixa máxima de renda familiar bruta para participar do programa, passando de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil.
Em sua fala, Lula rebateu a opinião de uma parcela da população que diz o governo só está preocupado com pessoas que estão enquadradas no Cadastro Único (CadÚnico), e afirmou que se atenta também as pessoas de classe média.
“Uma pessoa que ganha R$ 10 mil, R$ 9 mil, R$ 11 mil, se for uma pessoa muito equilibrada, ele tem um dinherinho para pagar uma prestação de casa. E todo mundo quer trocar o aluguel por uma prestação de casa”, disse o titular do Planalto.
E continuou: “As pessoas têm que ter uma chance só. E esse é o papel desse programa. É tentar criar condições para que as pessoas tenham uma casa, porque se não o cara [fala], ‘pô, esse Lula só governa para o CadÚnico. E eu? E eu que sou metalúrgico, que sou torneiro mecânico igual a ele [Lula]. Por que eu não tenho direito de ter uma casa?’”.


