A lista pública da Difusão Amarela de desaparecidos da Interpol – a Polícia Internacional – conta com 104 brasileiros que podem estar em um dos 196 países que fazem parte da rede mundial de cooperação das forças de segurança pública. Deste total, sete são goianos ou desapareceram em Goiás, segundo levantamento realizado pela corporação internacional a pedido do Mais Goiás. A reportagem faz parte da série de desaparecidos internacionais produzida pelo portal.
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A última goiana incluída na lista que, ao todo, possui 11.269 nomes públicos, foi Letícia Oliveira Alves, de 36 anos. Natural de Goiânia, a mestre em química foi vista com vida pela última vez em 15 de dezembro de 2023, em Boston, nos Estados Unidos. A mulher foi encontrada morta por caçadores em uma floresta do Canadá, como noticiado em primeira mão pelo Mais Goiás.
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Já Rosana Ferrari Pandim, atualmente com 63 anos, figura na Difusão Amarela como a vítima com o maior tempo como desaparecida. De origem paulista, a idosa sumiu em 23 de novembro de 1973, quando tinha 11 anos, em Goiânia. O possível país onde ela possa estar não consta na lista e a Polícia Civil de Goiás (PC-GO), que não tem registro de Rosana no banco de dados da corporação.
“Cerca de 45% dos casos [desaparecidos] envolvem menores. Metade destes decorre de subtração interparental, geralmente tratada sob a Convenção de Haia, utilizando-se a Difusão Amarela para os localizar no exterior. A outra metade corresponde a desaparecimentos sem circunstâncias esclarecidas, alguns com suspeita de sequestro por terceiros”, explica uma fonte do Escritório Central da Interpol no Brasil, que não quis se identificar.

Conforme a Interpol, os adultos representam, aproximadamente, 55% dos registros. Destes, cerca de dois terços referem-se a desaparecimentos não esclarecidos, enquanto o terço restante envolve situações com indícios de tráfico de pessoas ou contrabando de migrantes, como nos casos de Maycon Eder Alves de Jesus e Juliana Pereira de Morais, que foram abordados pela reportagem no decorrer da série.
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Nestes casos, a Difusão Amarela é utilizada para a potencial localização global e proteção das possíveis vítimas. No entanto, para ter o cartaz publicado na rede é necessário atender critérios, como:
- O desaparecimento da pessoa deve ser comunicado e registrado pela polícia;
- O paradeiro da pessoa desaparecida ou a identidade da pessoa localizada devem ser desconhecidos pela polícia;
- É necessário fornecer dados suficientes sobre a pessoa ou as circunstâncias que envolvem o desaparecimento ou a localização da vítima para a identificação.
“Caso o local do desaparecimento ou de último domicílio conhecido do desaparecido seja conhecido, o pedido de localização é encaminhado inicialmente para as forças policiais dos países respectivos, sendo a Difusão Amarela reservada a casos em que não há indício de paradeiro ou de domicílio do desaparecido, ou quando as informações de paradeiro ou domicílio eventualmente existentes não foram confirmadas”, reforça a cooperação internacional.

Como denunciar?
Para incluir um desaparecido na Difusão Amarela, os familiares devem contatar o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal nas Superintendências da Polícia Federal, levando, preferencialmente, o boletim de ocorrência acerca do desaparecimento registrado na Polícia Civil (PC).
É necessário ainda relatar detalhadamente as circunstâncias do desaparecimento, fornecer fotografias do desaparecido e assinar uma autorização para a divulgação dos dados pessoais do desaparecido às organizações de cooperação policial internacional e às forças policiais estrangeiras.
A partir do momento em que a vítima é encontrada, no caso de pessoas adultas, ela será questionada se é de interesse que a localização e dados de contato sejam compartilhados com seus familiares. Caso a resposta seja positiva, o país onde a pessoa for encontrada comunicará pelos canais da Interpol ao país que publicou o alerta.
“No caso de menores, esta comunicação ocorrerá em todos os casos, sem prejuízo das providências de apoio imediato ao menor possíveis de serem adotadas de acordo com a legislação do país onde o menor tenha sido encontrado”, reforça.

O que é a Difusão Amarela?
A Difusão Amarela da Interpol é um alerta policial global publicado para uma pessoa desaparecida ou para uma pessoa incapaz de se identificar. Ou seja, uma ferramenta que pode aumentar as chances de localização de uma pessoa desaparecida quando há a possibilidade de ela estar no exterior.
“Ela confere alta visibilidade internacional aos casos de desaparecimento e permite aos países membros da Interpol solicitar e compartilhar informações cruciais relacionadas à investigação”, concluiu.
Desaparecidos em Goiás
Ao todo, sete goianos ou pessoas que desapareceram em Goiás constam na lista. São eles:
- Rosana Ferrari Pandim: natural de São Paulo, a mulher desapareceu aos 11 anos de idade, em Goiânia. A data do desaparecimento, segundo a Interpol, foi em 23/11/1973. Atualmente, ela está com 64 anos de idade. O possível país onde Rosane possa estar não consta na lista. A Polícia Civil de Goiás não tem registro da mulher no banco de dados da corporação.
- Maycon Eder Alves de Jesus: natural de Goiânia, o homem desapareceu aos 23 anos no dia 03/08 de 2017. Atualmente com 32 anos, o jovem tentou entrar de forma ilegal nos Estados Unidos com a ajuda de coiotes, mas acabou desaparecendo na fronteira com o México. A Interpol acredita que ele passou pelos Estados Unidos, Bahamas e/ou República Dominicana.
- Mayra da Silva Paula: A goiana, natural de Ceres, desapareceu no dia 03/07/2009, aos 19 anos. O local do desaparecimento não consta na lista da Interpol, assim como o país em que ela possa estar. Atualmente, a mulher está com 35 anos. Informações obtidas pelo Mais Goiás apontam que ela foi morta. O caso, na época do crime, era investigado pela Polícia Civil (PC), mas depois passou a ser conduzido pela Polícia Federal.
- Marcelo Gomes de Souza Ramos: natural de Anápolis, o desaparecimento do homem foi registrado em 21/11/2012, quando ele tinha 30 anos. Atualmente com 44 anos, a Interpol acredita que ele possa ter passado pelo México, Estados Unidos ou Guatemala. Marcelo, que é fluente em inglês, também não consta no banco de dados da PC.
- Denis Carlos Mendonça: natural de Uruaçu, Denis desapareceu no dia 29/03 de 2023, na França, aos 34 anos. Atualmente com 48 anos, o paradeiro dele é indefinido. A Polícia Civil não tem registro no banco de dados da corporação.
- Juliana Pereira de Morais: natural de Goiânia, a criança de nacionalidade brasileira e paraguaia, desapareceu quando tinha apenas 1 ano de idade em 13/04/2017, em San Ignacio de Loyola, no Paraguai. Hoje, com 10 anos, a polícia acredita que ela possa ter passado pela Argentina e pelo próprio Paraguai depois de ser sequestrada. A Polícia Civil não tem registro dela em Goiás.
- Luciano Tadeu Rodrigues Junior: natural de Goiânia, o jovem de 32 anos desapareceu em 14/07/2022, aos 28 anos, em Goiânia. A Interpol acredita que ele possa ter passado pela Venezuela e pelo México. Apuração do Mais Goiás aponta que ele atuava como mula do tráfico, tendo desaparecido durante uma viagem exercendo essa função na fronteira da Venezuela com o México.


