De fraudes a violência, entenda os 4 núcleos liderados por Vorcaro

Redação
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De fraudes a violência, entenda os 4 núcleos liderados por Vorcaro

As investigações que levaram à deflagração, na quarta-feira (4/3), da terceira fase da Operação Compliance Zero apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, era mais do que um operador de um esquema supostamente fraudulento. A Polícia Federal (PF) descreve o banqueiro como o líder de uma organização criminosa subdivida em quatro núcleos principais com práticas que vão desde fraudes ao sistema financeiro até a orientação para ações violentas.

A estrutura ficou evidente na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que autorizou a nova fase da Compliance Zero. A deliberação do magistrado descreve que os investigadores relataram a existência de quatro núcleos distintos na organização criminosa.

Os quatro núcleos principais seriam para atividades de fraudes contra o sistema financeiro; corrupção institucional; ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro; e intimidação e obstrução de Justiça, inclusive com a orientação para ações violentas.


A operação

  • Segundo a Polícia Federal, foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central (BC).
  • Um dos presos foi Daniel Vorcaro. Ele já havia sido detido em novembro de 2025. Também no ano passado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. O motivo foram supostas fraudes em carteiras de crédito e desrespeito a normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
  • Desde então, chega a oito o número de instituições financeiras com alguma ligação com o Banco Master.

Daniel Vorcaro teria cometido, entre outras ilegalidades, crimes contra o sistema financeiro nacional. A Polícia Federal aponta que o banqueiro preso teria conduzido gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidor em erro mediante fraude e  também a prática de emissão ou negociação irregular de valores mobiliários.

Fraudes contra o sistema financeiro

Do ponto de vista financeiro, conforme as investigações, Vorcaro estruturou um suposto esquema de “captação agressiva de recursos mediante emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade muito superior à média praticada no mercado”. O problema é que os recursos dos títulos seria direcionado a operações financeiras de alto risco, inclusive, com a aquisição de ativos de baixa liquidez.

Corrupção institucional

As investigações, conforme descrito na decisão de Mendonça, identificaram indícios de que havia a prática de corrupção institucional para a cooptação de servidores públicos.

Paulo Sérgio Neves de Souza, então, chefe-Adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central do Brasil, teria recebido “vantagens indevidas”, tais como pagamentos e uma viagem.

“O referido servidor do Bacen faria (viagem) aos parques de diversão localizados em Orlando (EUA), dentre eles Parques da Disney e da Universal”, diz trecho da decisão do ministro do STF.

As supostas vantagens indevidas seriam recompensa em troca da colaboração do servidor. Paulo Sérgio é citado na decisão como um consultor informal de Vorcaro que teria, inclusive, revisado documentos que o Banco Master enviaria para a autoridade monetária. A prática de cooptação de servidores teria se estendido a outros nomes.

Ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro

O grupo investigado teria um dos núcleos focado na prática de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

Vorcaro teria um relacionamento não institucional com Paulo Sérgio e com o chefe do Desup, Belline Santana. Ambos, diz a PF, receberiam vantagens indevidas “por meio da estrutura de lavagem de dinheiro”.

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Metrópoles

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente, na manhã de quarta-feira (4/3), e levado para sede da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste de São Paulo

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Daniel Vorcaro foi preso preventivamente, na manhã de quarta-feira (4/3), e levado para sede da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste de São Paulo

Fraga Alves @fdefraga/ Especial Metrópoles

Prisão de Daniel Vorcaro ocorre na terceira fase da Operação Compliance Zero

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Prisão de Daniel Vorcaro ocorre na terceira fase da Operação Compliance Zero

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Vorcaro foi preso após a PF apontar indícios de que ele teria atuado para interferir nas investigações sobre supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master

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Vorcaro foi preso após a PF apontar indícios de que ele teria atuado para interferir nas investigações sobre supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master

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Vorcaro teria montado uma estrutura paralela que funcionaria como uma “milícia privada”, segundo a PF.

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Vorcaro teria montado uma estrutura paralela que funcionaria como uma “milícia privada”, segundo a PF.

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Análises feitas em celulares apreendidos revelaram conversas que indicariam a articulação de ações contra adversários de Vorcaro

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PF deflagrou nova etapa da Operação Compliance Zero

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PF deflagrou nova etapa da Operação Compliance Zero

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Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, se entregou à PF na quarta-feira (4/3)

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Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, se entregou à PF na quarta-feira (4/3)

Fraga Alves @fdefraga/ Especial Metrópoles

Essa estrutura de lavagem de dinheiro teria o auxílio do administrador da Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal LTDA. Palhares teria sido o responsável pela formalização de um contrato entre integrantes do grupo investigado e Santana. Os dois servidores teriam atuado em favor de Vorcaro.

Obstrução de Justiça, inclusive com a orientação para ações violentas

Em trechos da decisão que autorizou a ação da PF, são descritas orientações para práticas violentas contra pessoas vistas como antagonistas aos interesses do grupo.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, um dos alvos da operação, atuava na coordenação operacional de um grupo informal chamado de “A Turma“. O grupo teria como foco as práticas de vigilância, coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas adversárias do grupo.

Para isso, Mourão teria a colaboração do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Roseno utilizaria da “experiência e contatos decorrentes da carreira policial” para realizar atividades de monitoramento e vigilância de pessoas bem como obtenção de informações sensíveis dos alvos da organização criminosa.

“Sua participação era voltada à coleta e compartilhamento de informações que pudessem antecipar ou neutralizar riscos decorrentes de investigações oficiais ou da atuação de jornalistas, ex-funcionários e outros indivíduos considerados críticos às atividades do grupo”, consta trecho da decisão do ministro do STF baseada nas investigações.

Nas apurações, a PF apresentou um relatório com transcrição de conversas entre Vorcaro e Mourão. Entre elas, há um trecho em que é tramado um suposto assalto contra um jornalista.

Preso na superintendência da PF em Minas, “Sicário” tentou se matar ainda na tarde de quarta. Ele foi socorrido e transferido às pressas para uma unidade de saúde na capital mineira. A PF chegou a informar extraoficialmente a morte encefálica dele. O hospital não confirmou a informação.

Imagem colorida reprodução de conversa entre Vorcaro e Mourão

Defesa

A defesa de Vorcaro nega que ele tenha atuado para exercer coerção de pessoas ou tentativa de obstrução de Justiça.

“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início”, informou a defesa, em nota.

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