Os três principais clubes goianienses – Atlético, Goiás e Vila Nova, apresentaram os balanços financeiros do ano de 2025. O Goiás apresentou um déficit acima de R$ 98 milhões na temporada, superior aos números de 2024. As receitas aumentaram, assim como os custos com futebol e despesas administratativas. Para entender e traduzir os números, buscamos o professor do Curso de Ciências Contábeis da UFG, Mac Daves de Morais Freire.
Confira a demonstração contábil do Goiás 2025
No quesito arrecadação, o principal valor esmeraldino foi de patrocínio, bilheterias e sócio torcedor, com R$ 19.631 milhões. Outras fontes de renda de destaque foram direitos de transmissão de TV (R$ 16.887 milhões) e atividades sociais e de lazer (R$ 9.835 milhões).
Porém, o Goiás aumentou bastante o investimento com futebol, chegando a marca de R$ 100.209 milhões (R$ 60 milhões de despesa com pessoal e R$ 14.799 mi com cessão de direitos de imagens, por exemplo), o que significa aumento de 30% em relação ao ano anterior. Os gastos com despesas administrativas foram de R$ 33 milhões (aumento de 17%)
Explicação sobre o déficit
“Apesar das receitas correntes anuais terem aumentado 19,48% em 2025 (de R$ 37,9 milhões em 2024, para R$ 45,3 milhões em 2025), houve uma piora significativa no déficit devido ao aumentos dos custos com com futebol (aumento de 30.74% no ano). Adicionalmente o aumento de 17% nas despesas administrativas de 2025 fez com que o déficit disparasse”
Investimento em patrimônio
“Foi registrado um aumento de R$ 2,683 milhões no imobilizado do Clube, com destaques para investimentos de R$ 1,566 milhões em máquinas e equipamentos, e R$ 916 mil em Instalações.”
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Principais negociações
“O Goiás reconhece em 2025 receita de R$ 1,084 milhões em vendas de atletas, porém não específica quais foram os atletas envolvidos nessas negociações”.
“Com relação às compras, o Goiás investiu em adições em direitos econômicos em 2025 R$ 1,210 milhões, e o custo efetivo reconhecido como despesa da amortização desses contratos foi de R$ 2,634 milhões. O Clube não divulgou quais os atletas contratados em 2025, lista apenas uma relação dos percentuais de direitos mantidos em cada atleta.”
Avaliação da saúde financeira do clube
“Em linhas gerais, o Goiás aumentou seu déficit em 2025 substancialmente (de R$ 69,120 milhões em 2024, para R$ 98, 110 milhões em 2025). O déficit de 2024 já era alto, e o aumento em 2025 fez com que o Patrimônio Líquido ficasse negativo em R$ 49,058 milhões. Isso significa que caso o Clube venda todos os seus ativos para pagar as suas dívidas, ainda faltarão R$ 49,058 milhões de dívidas em aberto. Em 2024 o Patrimônio Líquido do clube era positivo em R$ 49,051 milhões, mas como o déficit de 2025 foi muito elevado, a situação se inverteu, passou a ser de Patrimônio Líquido negativo”
“Com relação ao endividamento, houve um acréscimo de R$ 6,734 milhões nas obrigações de curto prazo (Passivo Circulante), onde os destaques foram R$ 8,335 milhões de aumento em empréstimos e financiamentos, e redução de R$ 2,718 milhões em Contas a Pagar.
Ainda com relação ao endividamento, houve um acréscimo de R$ 23,703 milhões nas obrigações de longo prazo (Passivo não Circulante), onde os destaques foram R$ 17,556 milhões de empréstimos e financiamentos, R$ 2,955 milhões de aumento em Obrigações Fiscais e Sociais, R$ 4,601 milhões de aumento em Provisões para contingências, e R$ 4,519 milhões em Contas a Pagar.
O Goiás destacou em Notas Explicativas que captou um empréstimo em 2025 junto ao Banco BRB de R$ 26,047 milhões com prazo total de quitação em 31 meses.
A dívida total do Clube no curto e no longo prazo é de R$ 114,048 milhões, tendo somente R$ 64,990 milhões de ativos para sua quitação (Patrimônio Líquido Negativo de R$ 49,058 milhões)”
“Na linha dos ativos e investimentos, pouco foi adicionado ao patrimônio físico do Clube, R$ 2,683 milhões. Na contratação de jogadores, foram investidos no ano R$ 1,210 milhões. Houve uma redução significativa no caixa do Clube em 2025 (de R$ 42,024 milhões em 2024 para R$ 10,162 milhões), em grande parte devido ao déficit elevado no período. Houve um recebimento importante em 2025 de valores a receber da Liga Forte Futebol, de R$ 37,321 milhões. Esse acréscimo de caixa, mais o empréstimo bancário obtido foi o que possibilitou uma melhor gestão dos fluxos financeiros do clube”
“Ao conjugarmos o aumento do déficit de 2025, aumento das dívidas e baixo nível de investimento nos ativos, chegamos a conclusão de que houve uma piora significativa da situação patrimonial, financeira e de resultados do Clube em 2025, levando um Clube de Patrimônio Líquido positivo em 2024 para Patrimônio Líquido negativo em 2025. Essa virada se deve principalmente ao déficit elevado. O Clube arrecadou R$ 45,374 milhões em receitas e gastou R$ 100,209 milhões só com o futebol. Portanto, a atividade principal do Clube gerou um déficit de R$ 54,835 milhões. Ao somarmos ainda as demais despesas gerais e administrativas, que foram de R$ 40,504 milhões, chegamos ao déficit final de R$ 98,110 milhões.
Fica claro o descompasso entre receitas e despesas, onde os gastos são muito superiores as receitas. Isso trás reflexo direto na piora da gestão de caixa e no aumento do endividamento do Clube, limitando ainda os investimentos durante o ano”


