“O legado (de Iris) não pertence a partido”, diz Ana Paula em carta aos iristas

Redação
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“O legado (de Iris) não pertence a partido”, diz Ana Paula em carta aos iristas

A advogada Ana Paula Rezende publicou uma carta aberta aos iristas para explicar a saída do MDB e a ida para o PL. Mais que uma prestação de contas, o texto funciona como tentativa de manter sob órbita dela o grupo político formado ao redor de Iris Rezende, mesmo sem a estrutura partidária que por décadas abrigou esse campo.

A frase escolhida para marcar posição, a de que o legado não pertence a partido, foi lida como recado direto ao MDB e também à base governista, que hoje abriga parte desse espólio político.

O texto é ancorado nas imagens que ajudaram a construir a identidade do irismo. A entrega de casas populares, a presença nos bairros, a política associada a resultado concreto. Uma tentativa de reafirmar que a origem desse capital continua com ela.

A lembrança da mãe e das mulheres que atuaram nas campanhas também tem peso. Esse núcleo sempre funcionou como rede de mobilização silenciosa e hoje está espalhado em diferentes siglas. Ao puxar essa referência, Ana Paula aponta onde pretende buscar sustentação.

A explicação para a filiação ao PL vem em tom curto, sem confronto com o MDB. Fala em liberdade para seguir praticando a política que aprendeu em casa. Nos bastidores, o cuidado na forma foi interpretado como esforço para não romper pontes no interior.

O convite para que os iristas acompanhem o novo caminho aparece de forma aberta. Quando afirma que o PL tem espaço para todos que acreditam nesse modelo, transforma a carta em gesto político e teste de fidelidade desse grupo.

É mais um capítulo na disputa pelo legado de Iris. A carta cumpre duas funções ao mesmo tempo: dá a versão dela para a troca de partido e marca território na briga pelo que ainda resta organizado do irismo. O efeito prático só vai aparecer quando começar a fase de filiações.

A seguir, a carta na íntegra:

Carta aberta aos iristas

Escrevo movida por respeito, gratidão e, sobretudo, pela consciência profunda da história que nos une. Uma história construída com trabalho incansável, proximidade verdadeira com as pessoas e compromisso permanente com Goiás — valores que aprendi dentro de casa e que sempre nortearam a caminhada do meu pai, Iris Rezende, e da minha mãe, Dona Iris Araújo.

Vocês, iristas, são parte viva dessa trajetória. Estiveram presentes nos momentos de construção, nas conquistas, nos desafios e também nos períodos mais difíceis. O legado do meu pai nunca foi individual. Sempre foi coletivo. Foi feito por muitas mãos, muitos corações e pela convicção compartilhada de que a política só faz sentido quando melhora a vida das pessoas.

Eu vi isso de perto.

Vi meu pai entregar mil casas para mil famílias em um único dia e enxergar, em cada chave entregue, a dignidade sendo devolvida a quem mais precisava.
Vi ele transformar um estado inteiro com amor, trabalho, presença e coragem.
Vi Goiânia se tornar referência nacional em qualidade de vida.

Essas imagens não são lembranças apenas afetivas. São minhas referências de vida, de propósito e de compromisso público.

Também testemunhei, ao longo dessa caminhada, a força das mulheres que estiveram ao lado da minha mãe. Mulheres firmes, sensíveis e resilientes, que compreenderam a política como cuidado, responsabilidade e transformação social. Essa presença feminina moldou profundamente a forma como eu entendo a política: próxima, humana e comprometida com as pessoas.

Nos últimos tempos, depois de muita reflexão, oração e diálogo, tomei a decisão de seguir um novo caminho partidário. Me filiei ao PL.
É uma decisão que reflete a busca por um espaço onde eu possa continuar exercendo, com liberdade e convicção, a política que aprendi desde criança: uma política que escuta, que constrói e que entrega resultados.

O que sempre nos uniu não foi partido, mas o compromisso com o trabalho, o respeito pelas pessoas e o amor por Goiás.

Por isso, deixo meu reconhecimento sincero e minha gratidão.

E reafirmo uma certeza: as portas estão abertas e o PL tem espaço para todos que acreditam nessa política e desejam caminhar junto.

Com gratidão, respeito e esperança,
Ana Paula Rezende

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